Greve escancarou problemas estruturais na educação em Dourados

Após 23 dias de greve dos trabalhadores em educação da Rede Municipal de Ensino de Dourados, a população passou a observar com mais atenção a crise nas escolas municipais e centros de educação infantil. As estruturas e organização nas unidades de ensino têm sido alvo de diversas reclamações.Até mesmos os educadores, inconformados com a negociação salarial, passaram a divulgarcom mais veemência os problemas do dia a dia nas unidades de ensino.

No último dia 7 de abril, a vereadora Lia Nogueira esteve no Ceim Geny Ferreira Milan e, segundo a parlamentar, constatando a ausência de pão e leite para as crianças, fez uma doação de litros de leite para o centro de educação infantil. Horas após a repercussão da falta de alimentos, a coordenação do Ceim divulgou uma nota de esclarecimento para informar que devolveu a doação para a vereadora. Segundo o texto, a unidade “recebeu […] leite da prefeitura, para ser ofertado às crianças. E amanhã será entregue o pão. Portanto devolvemos a doação que nos foi feito”.

Na mesma semana, também circulou vídeo da Escola Municipal Januário Pereira de Araújo, no Grande Itália,com inúmeras goteiras, próximos de lâmpadas e ventiladores, com muita água caindo no interior do prédio da unidade de ensino. “Tem muita coisa pra mostrar, em várias instituições, pode acreditar”, disse uma professora da Rede Municipal de Ensino. “Eu como mãe de aluno desta escola estou com medo de mandar meu filho, pois nos dias de chuva alaga, todo mundo mostra e compartilha, mas será que as autoridades competentes pararam para ver a real situação? Será que o prédio é seguro? ”, indagou a familiar.

Após a denúncia, em publicação na rede social da escola, a direção informou que “nossa escola foi contemplada com uma reforma geral. Já foi feito o certame e a Secretária Ana Paula já assinou a licitação. O projeto visa a troca de telhado, rede elétrica e trazer mais modernidade para a construção. O prefeito e a secretária estiveram em nossa escola e reafirmaram essa necessidade de atender os anseios da comunidade”.

Na segunda-feira pela manhã, a vereadora Lia esteve na Escola Municipal Prefeito Álvaro Brandão e constatou que o mobiliário de mesas e cadeiras ainda era antigo e improvisado. “Qual escola recebeu esse mobiliário e quantas mesas/cadeiras recebeu cada escola?”, questionou uma mãe.

Também na rede social circulou uma rifa entre amigos daEscola Municipal Izabel Muzzi Fioravanti. Segundo informações, a arrecadaçãoseria para trocar a instalação elétrica da unidade, pois a antiga não suporta os aparelhos de ar condicionado.Ou seja, pais e amigos da escola estariam contribuindo para melhorias na unidade de ensino.

CPI da Educação

Além disso, está no centro do debate um polêmico contrato no valor de R$ 8,7 milhões para aquisição de kits de robótica com custo unitário de R$ 14 mil. O contrato com uma empresa de Alagoas objetivaprestação de serviços de capacitação e treinamento embutido no kit Solução Robótica Educacional (SER). Acontece que a empresa está no noticiário nacional. Segundo matéria da Folha de São Paulo, a Megalic teria sede em uma pequena casa em Maceió e não produz os kits, sendo apenas intermediária e atuando em outros ramos.

Na sessão de segunda-feira (11) da Câmara Municipal, todos esses problemasde estrutura e organização, além da negociação salarial, foram alvo de críticas de vereadores na tribuna. Alguns parlamentares discutem a viabilidade de abertura de uma CPI da Educação para apurar a crise na Reme. Segundo informações de bastidores, seis vereadores já estariam dispostos a assinar um provável pedido de abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito, restando apenas uma adesão para ter as sete assinaturas necessárias.  

Fonte: Dourados Agora

Comentários