O sucesso eleva as expectativas, traz novos desafios e, com frequência, pode gerar decepções. O roteiro é comum, e o Fortaleza começa a entender como lidar com ele. Depois de um ano de sonho, e um início de temporada promissor, o campeão do Nordeste enfrenta um duro choque de realidade, e precisa reagir para não ser vítima da armadilha que preparou para si próprio.
Há exatamente uma semana, o Fortaleza estreava na Libertadores como único invicto na temporada entre os times da elite nacional, e com o recém-conquistado título da Copa do Nordeste. Uma semana no futebol é muito tempo, especialmente no Brasil. O suficiente para três derrotas em sequência no caso do time cearense, duas continentais para Colo-Colo e River Plate, e outra no Brasileirão para o Cuiabá.
A maratona de jogos decisivos costuma ser cruel até mesmo com times com grandes orçamentos e elencos recheados de opções. Vide o caso do bicampeão da Libertadores e campeão paulista, o Palmeiras, com reclamações de desgaste físico e mental para justificar a derrota na estreia do Brasileirão para o Ceará – poucos dias depois o Alviverde deu sinais da sua força ao golear por 8 a 1 o Independiente Petrolero com um time de reservas. Para o Fortaleza, o ritmo pode ser ainda mais desafiador, e o técnico Juan Vojvoda já percebeu isso ao lidar com as críticas pela rotatividade no elenco.
“Nós jogamos a cada três dias e temos que encontrar a melhor maneira para que os jogadores cheguem com uma recuperação adequada para cada jogo. Eu confio em cada um”, garantiu o treinador após derrota para o River Plate, a segunda em dois jogos na Liberta.
O Fortaleza já tinha dado sinais de instabilidade em suas atuações ao longo da Copa do Nordeste. Mas, hoje, está passos à frente dos adversários da região: apenas o rival Ceará está ao seu lado na elite. O nível de exigência no Brasileirão e na Libertadores é outro, e não costuma perdoar erros.
“A gente sabia que a derrota uma hora ia chegar. Estamos enfrentando jogos difíceis… O Campeonato Brasileiro começou agora e a gente sabia que o jogo de hoje seria difícil. É manter a cabeça no lugar. Vamos trabalhar bem para, no domingo, ir em busca da vitória”, justificou Max Walef, goleiro tricolor.
A maratona não vai parar, e sempre com jogos importantes, com uma final adiada do Cearense pela frente. O Fortaleza terá de suportar os golpes sem se abalar em busca da reação.
Há apenas dois anos, o Fortaleza sobrevivia com sustos na elite com um 16º lugar no Brasileirão. Hoje, se divide entre decisões no mais alto nível e com expectativas de repetir a campanha de 2021. Talvez o time ainda não esteja preparado para tantos desafios, e o sucesso pode ser uma armadilha… Mas quem não gostaria de entrar nela?
Fonte: Ogol




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