Lesão, concorrência e reserva: A inconstante carreira de Pedro

Semana após semana, Pedro tem sido figura carimbada nas principais manchetes esportivas do país. Não pelo que tem feito em campo, mas sim pelo que poderia estar fazendo.

Atual reserva do Flamengo, o talentoso centroavante, de apenas 24 anos, é cada vez mais colocado como segundo plano. E tem sido assim, por diversos motivos, ao longo de sua trajetória.

Lesão causa primeira grande frustração

Revelado pelo Fluminense, Pedro Guilherme foi promovido aos profissionais em 2016. No ano seguinte, aproveitando as brechas no elenco tricolor, o centroavante foi construindo seu espaço e fincando seu lugar entre os bons valores do clube.

A ascensão atingiu seu ápice em 2018, quando supriu a saída de Henrique Dourado. Com atuações convincentes e um faro de gol muito apurado, Pedro assumiu o papel de goleador e chamou a atenção de todos, principalmente de Tite, técnico da seleção brasileira, e do Real Madrid, com quem chegou a negociar.

Parecia o momento ideal para se estabelecer como jogador de seleção, como de fato se mostrava, e de nível europeu com a ida para Madri, mas tudo mudou no fatídico dia 25 de agosto.

No Mineirão, já nos acréscimos do primeiro tempo, em uma disputa despretensiosa com Lucas Romero, Pedro pisou em falso e sofreu uma grave lesão no joelho direito, que, além de adiar seu sonho de representar o Brasil, o tirou de combate por longos seis meses…

Na Itália, um tal de Vlahovic…

Após longo processo de recuperação, Pedro voltou aos gramados ainda com algumas restrições e demorou para engrenar. Ainda assim, o centroavante precisou de apenas 14 jogos para carimbar seu passaporte pela primeira vez na carreira.

Por cerca de 11 milhões de euros, cerca de R$ 50 milhões na cotação da época, o Fluminense sacramentou a venda do atacante para a Fiorentina. Na Itália, porém, as coisas definitivamente não aconteceram.

Além de ter que passar por um rígido processo de recondicionamento físico e pela desconfiança do técnico Vincenzo Montella, Pedro precisou encarar uma concorrência para lá de inglória. O sérvio Vlahovic, à época com apenas 19 anos, ia de vento em popa e praticamente não deu brechas para o brasileiro no elenco da Viola.

A experiência mal sucedida durou apenas quatro meses e ínfimos 59 minutos em campo. Eis que após a nova frustração, o centroavante brasileiro recebeu um convite para voltar a brilhar no futebol brasileiro…

Sombra de Gabigol e “veto olímpico”

No início de 2020, um telefonema de Marcos Braz, vice-presidente de futebol do Flamengo, fez Pedro sonhar novamente. De volta ao Brasil para atuar no clube de coração, conforme dito pelo mesmo, que vinha de expressivas conquistas num cenário recente… cenário perfeito.

No primeiro ano, de fato, beirou a perfeição o desempenho de Pedro no Rubro-Negro. Se aproveitando quase sempre da ausência de Gabigol, seja por lesão ou por convocação, o camisa 21 assumiu o posto de homem-gol com personalidade e foi protagonista na conquista do Campeonato Brasileiro. Ao todo na temporada, foram 23 gols em 54 jogos, mais que o suficiente para o Fla ir atrás da Fiorentina e exercer a opção de compra por cerca de R$ 45 milhões.

Em 2021, porém, tudo mudou. Com Gabigol mais presente e com a opção de jogar com dois centroavantes fora dos planos, Pedro amargou a reserva na maior parte do ano e foi titular em apenas 24 dos 46 jogos que disputou.

Não bastasse a falta de minutos e oportunidades, o jogador ainda se viu no meio de uma queda de braços entre a diretoria rubro-negra e a CBF e viu o sonho de disputar os Jogos Olímpicos de Tóquio ser interrompido por um veto unilateral de seu próprio clube.

Contrariado, mas sem perder o profissionalismo, Pedro engoliu a seco a decisão arbitrária do Fla e seguiu batalhando por espaço no Ninho do Urubu. E esta tônica se mantém em 2022, mesmo após a chegada de Paulo Sousa, que chegou a afirmar que o utilizaria com mais frequência. 

Neste ano, inclusive, Pedro chegou a ser fortemente cobiçado pelo Palmeiras, onde possivelmente assumiria um papel de protagonismo, mas as negociações não avançaram.

Seja por falta de sorte ou até mesmo por escolha pessoal, Pedro tem a consciência de que poderia estar individualmente em um patamar bem mais elevado.

(31)

Fonte: Ogol

Comentários