Desafogando o Ganso: Meia em sua melhor versão desde 2016
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Fábio e Cano conquistaram rapidamente a confiança da torcida do Fluminense em 2022, mas o grande “reforço” do clube até o momento já estava por lá desde 2019. Depois de pouco jogar em 2021, Paulo Henrique Ganso voltou com os ânimos renovados para a temporada, já com sua melhor contribuição desde os tempos de São Paulo.
Ganso tem sido um dos principais destaques do Fluminense em 2022, e mesmo só reconquistando a titularidade em março. Foram apenas 12 jogos disputados desde o início, e com quatro gols marcados – o último deles uma bonita “meia-bicicleta” – três assistências. Soma-se a isso outras oito partidas saindo do banco. O suficiente para reconquistar também a confiança nas Laranjeiras.
As sete contribuições em gol podem não parecer um número tão especial, mas é já a temporada de Ganso com mais participações diretas em gols desde que chegou ao Fluminense, em 2019. Mais que isso na realidade: é melhor também que seus anos de Amiens e Sevilla.
É preciso retornar a 2016 para ver um desempenho melhor de Ganso em campo. Naquele ano, o meia marcou sete gols e distribuiu seis assistências pelo São Paulo, apenas no primeiro semestre, antes de ser chamado por Jorge Sampaoli para defender o Sevilla.
Desafogando o Ganso: os passos da retomada
Quando foi convencido pelo Fluminense a voltar ao Brasil em 2019, Ganso já vinha em declínio e não tinha o mesmo mercado por aqui. A ideia do meia era justamente recuperar seu futebol em um time carente de astros por conta das limitações financeiras. Fernando Diniz foi seu primeiro técnico no Tricolor, com quem estabeleceu relação de confiança e amizade, e com boas atuações.
Ganso, no entanto, não chegou a brilhar em 2019. E viu ainda Diniz, seu maior defensor, cair por conta da má campanha do clube no Brasileirão. Perdeu espaço ainda depois da chegada de Nenê, que ganhou rapidamente o posto de titular e, muitas vezes, em detrimento de Ganso. Para piorar, o meia teve uma marcante discussão com o técnico Oswaldo de Oliveira – chamou o chefe de “burro para c…” e ouviu que era um “vagabundo” em entrevero que culminou na demissão de Oswaldo.
Contratado para ser estrela, Ganso virou um reserva de luxo em 2020. Foram apenas quatro jogos como titular. Não teve novamente sequência em 2021, embora tenha dado sinais de volta por cima. Lesões atrapalharam o ano, que acabou em agosto para o talentoso veterano.
Ganso voltou ainda fora de ritmo e sem condições físicas ideais para suportar as exigências do futebol profissional. Teve de conquistar de novo o seu espaço com Abel Braga, que inicialmente preferiu armar o Fluminense com três atacantes, sem espaços para um meia com as características dele. Com a maratona de jogos, no entanto, Abel passou a testar a alternativa com o jogador como o “10”. E começou a ver resultados.
O vigor físico ainda estava (e segue) aquém do desejado. Mas Ganso mostrou novamente a disposição e intensidade que pareciam ter ficado em tempos já muito distantes. A qualidade técnica, como sempre, permaneceu intacta. As boas atuações como reserva fizeram Abel dar o posto de titular logo no momento decisivo: nas finais contra o Flamengo no Carioca. Deu certo.
O processo de reconstrução de Ganso ainda segue em andamento. Em um time sólido, mas com dificuldade para criar, o meia tem sido com frequência o desafogo para as ações ofensivas, e o responsável ainda por ditar o ritmo. Próximo da área, como gosta de atuar, Ganso tem sido decisivo, porém ainda sem manter a intensidade ao longo dos 90 minutos. De fato, só terminou uma partida em campo, das que começou como titular.
Ganso pode ser apenas mais um destes veteranos que guardam sua melhor versão para depois dos 30. O torcedor tricolor espera que sim…
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Fonte: Ogol
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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