Miguel Ángel Ramírez já foi alvo de disputa entre clubes no Brasil, sonho de consumo para uns, depois de despontar como técnico sensação em sua passagem pelo Independiente del Valle. Agora, o espanhol de apenas 37 anos conhece o lado mais duro do mundo da bola, com sua segunda queda “relâmpago” em dois anos, demitido do Charlotte FC, da Major League Soccer.
Apesar da juventude, Miguel Ángel Ramírez pode dizer que deu todos os passos calculados para ganhar oportunidades relevantes como técnico. Passou pelo trabalho de base na Espanha e Grécia, teve longa temporada de experiência no projeto da Academia Aspire, no Catar, trabalhando também nas seleções de base do país e, quase como processo natural, ajudou o Independiente del Valle na construção de uma estrutura bem organizada e valorizando a integração entre base e profissional.
O grande salto veio com o convite do Internacional – e não foi o único grande clube a sondar o treinador espanhol à época. Nada como o futebol brasileiro para oferecer um verdadeiro choque de realidade a um técnico em início de carreira. Miguel Ramírez logo foi apresentado ao caos que evitou na construção gradual e planejada de seus primeiros passos na carreira.
A passagem pelo Inter deixou poucas saudades no torcedor. Foram 20 jogos apenas, com 10 vitórias no caminho e seis derrotas, a última delas uma pesada goleada contra o Fortaleza, um 5 a 1 que lhe custou o cargo. Miguel, por sinal, também pareceu sentir pouca saudade da experiência, que reconheceu como um erro de decisão na carreira, por desconhecer as entranhas confusas do clube brasileiro.
Miguel certamente pensou que nos Estados Unidos a realidade seria outra, com um projeto mais a sua semelhança, auxiliando o clube a construir praticamente do zero para a temporada de estreia na Major League Soccer. Ao que parece, no entanto, o caos o perseguiu mais uma vez.
Foram 17 jogos apenas no comando do Charlotte FC. Os resultados podem não ter sido os mais impactantes, mas estiveram longe de serem decepcionantes. Hoje, o clube soma 16 pontos em 14 jogos, ainda na luta por vaga nos playoffs, ocupando o oitavo posto de 14 de sua conferência. Nada mal para um clube ainda em construção. Apesar de críticas de parte dos torcedores por decisões e desempenho em campo, este parece não ter sido o fator fundamental para a inesperada demissão.
O anúncio do Charlotte não é claro quanto aos motivos para encerrar a relação de forma tão precoce. Nos bastidores, no entanto, sinais de que as coisas não iam bem. Antes de Miguel Ángel Ramírez, outros dirigentes do clube haviam deixado o projeto de forma surpreendente, como Tom Glick e Nick Kelly. Miguel tinha demonstrado insatisfação publicamente, inclusive, por esperar contratações mais pesadas e por questões estruturais. Havia ainda boatos de que a relação entre técnico e dirigentes, e mesmo com os atletas, era distante, e nomes importantes teriam feito queixas à direção. Um roteiro que parece familiar no Brasil, mas agora repetido nos Estados Unidos.
Se a escolha pelo Inter – e pelo futebol brasileiro – foi uma opção ousada para um inexperiente técnico, Miguel agora deve se questionar se avaliou de forma errada também o projeto no Charlotte. Talvez perceba rapidamente que, no futebol de elite, mesmo em ligas ainda alternativas, a estabilidade é uma miragem. É preciso conviver com o caos e aprender a lidar com ele, ou será difícil dar o próximo salto na carreira.
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Fonte: Ogol




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