“Uma mudança de paradigma”. Assim o vice-presidente do Morgan Stanley, um dos principais bancos de investimento dos EUA, Ted Picks, analisou o futuro da economia global ao palestrar em uma conferência em Nova York.
“É um momento extraordinário. Temos nossa primeira pandemia em 100 anos, a primeira invasão na Europa em 75 anos e a primeira inflação global em 40 anos”. E foi mais adiante: “trata-se do fim de uma era de estímulo monetário”.
Tempos difíceis
Na análise de Picks, a mudança deverá acontecer nos próximos dois anos, com mais aumentos nas taxas de juros, inflação subindo e riscos adicionais no mercado de ações.
“Faz muito tempo que tivemos que considerar como é um mundo com taxas de juros reais e custo real de capital que distinguirão empresas vencedoras de empresas perdedoras, ações vencedoras de ações perdedoras”, disse.
A opinião do vice-presidente do Morgan Stanley está na mesma sintonia com os principais especialistas de Wall Street, todos com um olhar de cautela e pouco otimismo em relação ao futuro da economia global.
Inclusive, o presidente do J.P. Morgan, Jamie Dimon, chegou a afirmar que a economia enfrentará um furacão ainda este ano.
Já o ex-presidente do Goldman Sachs, Lloyd Blankfein, falou em um risco “muito, muito alto” de recessão nos Estados Unidos, situação que já se apresenta. Até mesmo o CEO do banco regional, Bill Demchak, disse que a recessão é inevitável.

Bolha econômica
Além da influência da guerra na Ucrânia e pandemia, a repressão global que se apresenta também é consequência de um passado com taxas de juros baixas e muitos financiamentos, o que acabou gerando uma bolha econômica.
Como se diz no jargão popular, “um dia a conta chega”. Medidas que penalizaram os poupadores e incentivaram o endividamento desenfreado.
Ao drenar o risco do sistema financeiro global por anos, os bancos centrais forçaram os investidores a assumir mais riscos para obter rendimento.
Milhares de startups floresceram nos últimos anos com um mandato de queima de dinheiro e crescimento a qualquer custo.
Agora, após anos de facilidades na liberação de créditos, os bancos centrais estão com o pé no freio, priorizando a batalha contra a inflação descontrolada.
Consequentemente, o reflexo das altas taxas de juros será sentido por todos, de investidores a trabalhadores comuns. Portanto, o momento é de pés no chão e muita sabedoria no uso do dinheiro.
Via: CNBC
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