100 milhões de euros, ou R$ 521 milhões na cotação do dia. É o preço que pode atingir a transferência de Darwin Núñez do Benfica para o Liverpool. O nome pode dizer pouco a muitos dos que nos leem, e mesmo aqueles que já escutaram boas referências podem não estar certos sobre o valor. Para tentar entender o motivo da aposta multimilionária dos Reds, a equipe oGol foi atrás de seu passado, seus números, e de um especialista que o acompanhou por perto em Portugal, o nosso correspondente luso Vasco Sousa, colaborador dos parceiros Playmakerstats e zerozero.pt.
Antes de seguirmos adiante, os detalhes da transferência. O Benfica confirmou a venda e os valores, com 75 milhões de euros garantidos em caixa pela venda ao Liverpool. Os outros 25 milhões serão pagos de acordo com metas pré-estabelecidas em contrato e não divulgadas, mas que podem ter feito a diferença frente a concorrência. Os Reds não eram os únicos interessados, com o rival Manchester United entre os candidatos, porém sem a mesma disposição para ir tão longe financeiramente.
Mas qual foi o percurso que levou Darwin Núñez, de apenas 22 anos, a ser tão valorizado pelo Liverpool de Jürgen Klopp?
De promessa no Peñarol à segunda divisão espanhola
O Uruguai é um pequeno país sempre muito orgulhoso por revelar mais atletas de ponta do que seu tamanho indica ser capaz. Darwin Núñez foi mais um destes garotos uruguaios tratados como promessa na base do Peñarol, e fez sua estreia profissional em novembro de 2017, entrando nos minutos finais da derrota para o River Plate.
Darwin não foi um prodígio em especial em um mundo onde atletas são revelados cada vez mais jovens. Tinha 18 anos, e demorou a dar resultados. Seu primeiro gol saiu apenas em outubro de 2018, quando finalmente ganhou sequência como titular, com potência, mas sem encantar.
Em 2019 fez a história foi parecida, sem nunca conseguir engrenar grandes sequências de jogos, e com poucos gols. Foram três apenas antes de deixar o clube para um destino modesto, o Almería, da segunda divisão espanhola.
Embora ainda longe do topo da pirâmide do futebol, Darwin fez boa temporada no Almería. Foram 16 gols em 32 jogos, com o time em quarto na disputa ao fim. Nas eliminatórias em busca da vaga, no entanto, o clube caiu, sem sucesso em seu objetivo de voltar para a elite espanhola.
Surpreendente contratação recorde e primeiras críticas no Benfica
Darwin já tinha sido vendido pelo Peñarol por mais de 5 milhões de euros, um valor acima do esperado para um clube da segunda divisão da Espanha. Mas passado um ano apenas, o seu valor chegou a novo patamar. O Benfica apostou 25 milhões no atacante, que se tornou na maior transferência da história do futebol português.
A chegada de Darwin, claro, causou estranheza pelo valor investido. Vindo de baixo nível competitivo, o atacante teve de lidar com a pressão sobre as expectativas e não entregou o que esperavam dele no início.
“Foi a transferência mais cara de sempre do futebol português, o que motivou alguma desconfiança por parte dos torcedores, pela pouca experiência ao mais alto nível. A sua primeira temporada em Portugal foi irregular, com alguns bons momentos, mas também com vários problemas por lesões e algumas lacunas no seu jogo: muitas vezes, tomava a decisão errada, o que o levou a ser bastante criticado”, explicou Vasco Sousa.
“Ainda assim, destacou-se pelo número de assistências (11 ao todo)”, completou.
Da desconfiança à artilharia em Portugal
A volta por cima no Benfica ainda demorou algum tempo. Com problemas físicos perseguindo Darwin em seu início de trajetória profissional, a arrancada de temporada em 2021/22 também foi conturbada. Mas assim que conseguiu encontrar ritmo e a melhor forma, o resultado em campo apareceu.
“Depois de um começo difícil, devido a lesões, impôs-se claramente. Foi o artilheiro da Liga Portuguesa, destacou-se na Liga dos Campeões (marcou sobre Barcelona, Bayern de Munique, Ajax e Liverpool) e foi, com larga margem, o melhor jogador do Benfica”, destacou Vasco.
Darwin ofuscou seus companheiros de Benfica, entre eles Everton, ex-Grêmio, outra contratação milionária do time lisboeta. Embora não tenha conseguido salvar a temporada encarnada, terminou com 34 gols em 41 jogos, uma média impressionante de 0,83 por partida, e com seis deles na Liga dos Campeões, contra adversários fortes, um fator que certamente valorizou ainda mais seu ano (e sua venda).
No Liverpool, Darwin vai dar novamente um salto, em uma liga mais forte que a portuguesa e com maior competitividade. Com 22 anos, concorrência de peso no ataque e uma etiqueta de preço que convida a altas expectativas, o atacante vai certamente lidar com pressão e desconfiança mais uma vez, uma situação que viveu no próprio Benfica. Características e potencial para ser útil ao time de Jürgen Klopp, o uruguaio parece ter. Resta saber se continuará evoluindo para ser protagonista também em sua nova realidade.
“É um jogador rápido, muito inteligente na desmarcação (quase sempre no limite do impedimento) e com uma boa capacidade de definição, um aspecto em que melhorou bastante em 2021/22. Ainda é jovem, tem margem para progressão, mas tem tudo para se afirmar no Liverpool, apesar das dificuldades que sentirá, numa fase inicial, pela forte concorrência que enfrenta”, apostou Vasco Sousa.
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Fonte: Ogol




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