Animado no mercado, clube português já contratou 10 brasileiros na janela de transferências
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Jogadores brasileiros em alta no futebol português não são, propriamente, uma novidade – na verdade, até longe disso. Portugal já se acostumou, há anos, em ser a porta de entrada na Europa para inúmeros atletas saídos do Brasil, e é por isso que um projeto que se destaque entre tantos adeptos da mesma política é algo raro. O Santa Clara, clube localizado na ilha dos Açores, contratou nada menos que 10 brasileiros apenas nesta janela de transferências.
Entre os nomes que chegaram para o Santa Clara na temporada 2022/23 estão diversos jovens atletas de grandes clubes brasileiros, a maior parte com idade até 23 anos. Pedro Bicalho e Gabriel Silva (Palmeiras); Paulo e Adriano (Cruzeiro); Rildo e Victor Bobsin (Grêmio); e MT (Vasco), são jogadores que se encaixam nesse perfil. Fora dessa curva de idade estão os (um pouco) mais experientes Gabriel Batista, ex-Flamengo, e Matheus Babi, ex-Athletico Paranaense.
A contratação de tantos brasileiros por parte do clube açoriano não se dá fora de contexto. O Santa Clara foi recém-adquirido pelo empresário brasileiro Bruno Vicintin, que hoje detém o controle da Sociedade Anônima Desportiva (SAD), algo similar às Sociedades Anônimas de Futebol (SAF) que têm se popularizado no Brasil. Dentro desse cenário, a grande novidade sequer é o número de jogadores brasileiros, afinal na temporada passada, anterior à chegada do empresário, o próprio Santa Clara já contava com 10 atletas do país no elenco – algo comum entre os clubes portugueses. O que surpreende, na verdade, é a quantidade de atletas chegados em uma única janela de transferências.
Contexto português
Em Portugal, diferente do que é padrão nas principais ligas da Europa e no próprio Brasil, não existe qualquer restrição sobre a utilização de estrangeiros. Não há limite imposto para número de jogadores que podem ser relacionados ou mesmo para entrar em campo.
A flexibilidade existente no país estimula o investimento e não impede, até mesmo, casos em que 11 estrangeiros sejam escalados como titulares. Há duas temporadas, por exemplo, quando o Benfica era comandado por Jorge Jesus, o time entrou em campo com um grego, dois brasileiros, um belga, dois argentinos, um espanhol, um alemão, um marroquino, um suíço e um uruguaio.
Apesar de, nesta janela de transferências, o Santa Clara ser, com boa margem, o clube que mais investiu em matéria-prima brasileira, os açorianos não chegam a ser quem mais têm atletas do país. O modesto Portimonense, presidido pelo brasileiro Rodiney Sampaio, conta com 14 brasileiros e apenas oito portugueses. Quanto aos demais estrangeiros, a maior parte dos clubes da primeira divisão têm mais jogadores de fora de Portugal do que atletas nacionais. Somente o Rio Ave conta com mais jogadores portugueses no elenco, enquanto o Porto tem uma divisão exata de meio a meio – de resto, a maioria é sempre estrangeira.
Neste mercado de transferências, dos 18 clubes que integram a primeira divisão do país, apenas dois, até o momento, não contrataram jogadores brasileiros. Os que resistiram à tentação foram Sporting e Braga. O clube de Lisboa, por sinal, é quem menos conta com brasileiros na liga, apenas Matheus Reis, lateral cria do São Paulo, joga por lá.
Quanto ao Santa Clara, o clube soma apenas um ponto nos três primeiros jogos da liga. O início não é dos melhores, especialmente por dois resultados adversos dentro de casa contra clubes que, em teoria, brigam pelo mesmo espaço na parte de baixo da tabela. Os açorianos chegaram na elite portuguesa na temporada 2018/19, depois de quase duas décadas longe de lá. Os resultados nas temporadas anteriores até surpreenderam e renderam uma classificação para a Conference League do ano passado. Agora, da distância das ilhas, a quase 1500 quilômetros de Lisboa, o clube se prepara com um novo projeto, munido de uma velha política, em busca do sucesso.
Fonte: Ogol
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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