Pioneiro e maior artilheiro brasileiro da MLS: A história de Wélton
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A Copa do Mundo de 1994 prometeu uma revolução no futebol dos Estados Unidos, e ela veio aos poucos. Enquanto Romário e companhia traziam o tetracampeonato para o Brasil, os EUA trabalhavam na criação de um campeonato de elite para promover o esporte no país. A Major League Soccer fez sua edição de estreia em 1996, e a história, recuperada recentemente por oGol com fichas completas de todas as edições, com estatísticas detalhadas, conta com um brasileiro entre os pioneiros.
O nome pode não ter muito reconhecimento dentro do Brasil, embora tenha atuado pela dupla Fla-Flu no Rio de Janeiro. Wélton teve sua grande fase na carreira nos primórdios da MLS, quando o torneio ainda atraia olhares curiosos, mas estava longe do padrão competitivo atual.
Primeiro atleta do Brasil a atuar na principal liga norte-americana, Wélton é até hoje também o maior goleador brasileiro da MLS, com 42 gols em suas cinco participações. Um feito que o próprio reconheceu ter descoberto através da equipe oGol, que conversou com o atacante para trazer um pouco deste pedaço da história da competição.
Peneira internacional – o Draft do Soccer
Para quem acompanha esportes norte-americanos, o “Draft” é um conceito corriqueiro e que desperta sempre a atenção. Um pouco como a nossa época de transferências. Pode parecer estranho pensar em juntar uma série de talentos para uma peneira internacional, mas foi o que ocorreu em 1996. Cria do Fluminense, com passagem breve por Flamengo e America-RJ, Wélton fez parte deste período de treinamento em Fort Lauderdale, observado por clubes da nova liga para a escolha de reforços.
“Houve uma peneira de tryout, como chamam aqui nos Estados Unidos, em 1996. Lá estavam os clubes observando os jogadores. Vieram uns 15 a 20 brasileiros para fazer esse período de treinos. Tive a oportunidade através dos meus empresários de vir para os Estados Unidos. De lá só ficou eu na MLS. Fui pego pela equipe do New England Revolution, de Boston”, recordou Wélton.
A adaptação de Wélton, na época com 20 anos, não foi simples. Os Estados Unidos não eram um destino comum para jogador do Brasil, e o meia-atacante não falava inglês. A chegada de outros estrangeiros ajudou no processo.
“Foi um pouco difícil por conta da língua. Mas fui me adaptando, tinha vários argentinos, italiano, jogador de Cabo Verde… Fui me adaptando aos poucos”, admitiu.
O primeiro choque cultural acabou por render uma história engraçada, mas que por pouco não foi traumática. Acostumado ao calor do Rio de Janeiro, Wélton teve seu primeiro contato com o novo país no calor de Miami. O jovem brasileiro não fazia ideia de que o clima em Boston seria bem diferente…
“Quando fui contratado pelo NE Revolution, de Boston, lá era frio. Estava nevando. Eu estava em Miami e quando peguei o avião estava de bermuda e camiseta. Quando cheguei e desci do avião tomei um susto (risos)”, contou Wélton, salvo ainda no aeroporto por um membro da sua nova equipe, que lhe ofereceu um casaco.
Carreira e futuro nos EUA
Foram 29 jogos no primeiro ano na MLS, com apenas três gols. Não foi o melhor desempenho goleador, mas Wélton fez o suficiente para participar do jogo das estrelas do torneio já em 1996. O seu time não contava com grandes nomes internacionais e talvez a cara mais famosa para nós tenha sido a de Alexi Lalas, da seleção dos Estados Unidos, com seu visual marcante. Se hoje estrelas como Chiellini e Insigne são atraídas pela MLS, naquela época ainda era difícil seduzir grandes atletas.
“É diferente. Jogadores da Europa vem para a MLS quando estão em fim de carreira. Na época não era assim, mas já tinham jogadores em fim de carreira como o Valderrama”, explicou.
Wélton seguiu para o LA Galaxy no ano seguinte e ficou por dois anos no clube, com 27 gols. Passou pelo Miami Fusion por duas vezes, retornando ao Galaxy neste intervalo. Ficou na MLS de 1996 a 2000.
Um retorno ao Brasil, para o Paraná, não rendeu muita história para Wélton, que ainda atuou no futebol norueguês antes de retornar aos Estados Unidos. Foram dois anos no Seattle Sounders, da USL-1, e acabou por se estabelecer na cidade ao fim da carreira.
“Eu estava jogando na Noruega na equipe do Fredrikstad, da primeira liga, e surgiu proposta para vir. Joguei dois anos em Seattle. Nunca imaginei vir, e vivo aqui até hoje”, resumiu.
Fonte: Ogol
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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