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Final feliz: Violette cria versão haitiana de um conto americano

15/03/2023 às 07:36
3 min de leitura

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O roteiro é digno de um Oscar. A história de “Fievel, um conto americano” é a metáfora sobre uma família de ratos judia e russa que emigra para os Estados Unidos, com o sempre atual sonho de uma vida melhor na América. No caminho, Fievel, o personagem principal, passa por diferentes percalços e quase não chega ao objetivo final: se juntar à família nos EUA. Quarenta anos após o lançamento da animação, o Violette, do Haiti, repetiu quase o mesmo roteiro. Contra tudo e contra todos, conseguiu o inimaginável: desmantelado por uma estúpida política de imigração, se classificou para as quartas de final da Liga dos Campeões da Concacaf.

A história do Violette foi contada aqui, em oGol, na terça-feira. Resumidamente, o clube venceu o confronto de ida das oitavas de final da Champions local contra o Austin FC. A vitória confortável no jogo de ida, porém, logo se tornou em um drama. Para o jogo de volta, nos Estados Unidos, o Violette perdeu uma dezena de jogadores, que acabaram todos barrados de entrarem no país, pasmem, devido aos vistos negados.

Sem quatro titulares do primeiro confronto e praticamente todo o banco de reservas, o Violette viajou para o Texas em meio à tensão de saber se teria, ao menos, um time para colocar em campo. Mesmo a Concacaf, federação de futebol que une a América Central, Caribe e do Norte, já havia se isentado da questão, uma vez que prevê que a responsabilidade para conseguir os vistos é dos clubes. Não há muito tempo, no ano passado, o Cavaly, também do Haiti, foi eliminado pelo New England Revolution, dos Estados Unidos, pelo mesmo motivo – e sequer teve a oportunidade de jogar um dos dois jogos que estavam marcados para o mês de fevereiro.

Resolvidas (parcialmente) as questões extracampo, o Violette conseguiu o mínimo que precisava para jogar. Escalou um time e levou cinco reservas, alguns deles amadores e que sequer estavam no clube antes. 

Diante de sua torcida, em um Q2 Stadium lotado, o abastado Austin não mostrou ter grande dificuldade para bater o Violette. Ao contrário do primeiro jogo, os norte-americanos dominaram todas as ações da partida, pressionaram durante todo o primeiro tempo, mas não marcaram. No segundo tempo, vieram dois gols do argentino Sebastián Driussi, um deles assistido pelo ex-são paulino Emiliano Rigoni – um golaço, por sinal.

EL CRACK with a world-class finish! 💫
pic.twitter.com/RpbOiTZeou

O Austin martelou, martelou e martelou. Foram 10 chutes a gol, contra nenhum do Violette. Um domínio completo do meio de campo e 76% da posse de bola durante a partida, mas não conseguiu o terceiro gol que levaria o jogo para os pênaltis. Assim, de forma épica, os haitianos conseguiram sua classificação.

No momento do apito final do árbitro, é possível ver a comoção dos haitianos, e a desolação por parte do Austin. É verdade que, nem o clube, nem os jogadores do time dos Estados Unidos eram propriamente os “vilões”. O Austin nada tem a ver com a política que resultou no impedimento dos jogadores adversários de entrarem no país. Porém, como Fievel, que no filme acaba por chegar nos EUA dentro de uma garrafa, de forma milagrosa, o Violette provou que não seria mais este percalço que derrubaria o clube.

“Há mais no Haiti do que as manchetes dizem. Falo isso há muito tempo. Existem muitos talentos no Haiti. Mas, por causa da forma como o país é, não somos reconhecidos. Para nós, esse jogo é maior que o futebol, lutamos por nosso país inteiro”, já havia avisado, antes do primeiro jogo, o jogador Steven Sabat, um dos atletas que conseguiu participar das partidas.

A história do Haiti, como é conhecida, mostra muitas tragédias por desastres naturais e uma pobreza extrema. Ainda que nesse contexto improvável, o Violette floresce como esperança. E que o recado esteja dado. Nas quartas de final, os haitianos vão enfrentar o León, do México, ou o Tauro, do Panamá – e não deve sofrer com essa questão dos vistos. Se passar desta fase, pode ter pela frente outros norte-americanos, como Philadelphia Union, Orlando City o Los Angeles FC, que seguem vivos na disputa. Seja qual for o resultado, que ele seja dentro de campo.

Fonte: Ogol

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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