A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e a Receita Federal confirmaram que a importação e venda do Flipper Zero, um gadget muito usado por especialistas da área de segurança cibernética, está proibida no Brasil.

Um dos argumentos da agência é que o dispositivo pode ser usado por criminosos para lesar vítimas. A decisão, no entanto, não foi bem recebida pelos profissionais.

Consumidores relataram nas redes sociais que já compraram o dispositivo em sites de fora, mas não receberam a encomenda. Alguns ameaçam processar a Anatel caso a entrega seja barrada, informa o portal Tilt.

Sem homologação da Anatel, a venda do aparelho está proibida no território nacional. Imagem: Divulgação/Flipper

Nos EUA, por exemplo, o Flipper é vendido legalmente no varejo na faixa dos US$ 200, cerca de R$ 1.050 sem impostos. Já no e-commerce nacional, o mesmo gadget sai por quase o triplo do preço.

Para que serve o Flipper Zero?

Compacto, o aparelho cabe na palma da mão e pode emitir e identificar sinais de radiofrequência em curta distância. Imagem: Divulgação/Flipper

Em nota, a Anatel disse que cópias feitas sem consentimento por terceiros podem gerar prejuízos significativos para o consumidor, outro motivo para a proibição. Como se trata de um aparelho “open source” (de código aberto), o Flipper também pode ser aprimorado por colaboradores (incluindo quem deseja usar o aparelho para cometer crimes).

Nos últimos meses, vídeos do “aparelhinho” viralizaram no TikTok. Usuários da rede social alegam que conseguiram invadir sistemas eletrônicos e até acender faróis de carros usando o dispositivo. O que ainda não foi validade por especialistas.

Bloqueio pode gerar mais problemas

Alguns dizem que a proibição abrirá brechas para a venda clandestina do Flipper Zero no país. Hiago Kin, presidente da Associação Brasileira de Segurança Cibernética, disse ao Tilt que a justificativa da Anatel não convence, já que os sistemas eletrônicos citados antes podem ser explorados de outras formas. 

No fim, a Anatel afirma que a decisão tem respaldo em um regulamento interno que prevê o bloqueio da homologação e venda de produtos que podem ser utilizados para “fins ilícitos”. Até o momento, já foram realizadas mais de 340 apreensões, informa a agência.

Imagem principal: Divulgação/Flipper

Com informações do Tilt