Dia Mundial de Conscientização terá campanha “O Autista também pode”
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Como parte das ações do mês do Autismo, Abril Azul, Dourados vai receber a segunda edição do evento “O Autista também pode”. O mês de atividades foi pensado e será coordenado pelo grupo Família Azul, cujo nome é uma referência à família propriamente dita e a cor adotada para simbolizar o Transtorno do Espectro do Autismo.
Meu filho vai falar? Meu filho vai usar fralda a vida toda? Meu filho me ama? Meu filho vai comer sozinho um dia? Meu filho vai ter amigos? Meu filho filho vai aprender a ler, escrever, mexer com dinheiro?… e a mais doída de todas: o que vai ser do meu filho quando eu morrer?
Essas perguntas, segundo especialistas, povoam corações e mentes da maioria dos pais e mães de crianças que tem Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Estima-se que em Dourados haja mais de 700 pessoas com o Transtorno. O mês de atividades foi pensado e será coordenado pelo grupo Família Azul, cujo nome é uma referência à família propriamente dita e a cor adotada para simbolizar o Transtorno do Espectro do Autismo.
“Nosso objetivo é provocar toda a sociedade para que conheçam as características proeminentes do transtorno do espectro do autismo e debater essas perguntas que tanto angustiam os pais. Através do conhecimento conseguimos quebrar as barreiras que fomentam o preconceito e também que pessoas que não conhecem o transtorna se atentem para características de indivíduos de sua convivência”, explicou Roberta da Cunha Gonçalves Rodrigues, mãe do adolescente Pedro Américo.
Pedro tem 12 anos e foi diagnosticado aos 2 anos. Há 10 anos atrás diagnóstico precoce era bem mais difícil que hoje. A prova disso é que, conta Roberta, passou por 4 profissionais que lhe fizeram ouvir que seu filho não tinha nada. “Disseram que eu que tinha que me tratar”, relatou a mãe, que é uma das fundadoras do grupo Família Azul. “Ele sempre foi autista desde a primeira consulta médica. Não se tornou autista no ato da quinta consulta médica”, ponderou Roberta, que após a inusitada experiência resolveu encampar a luta para dar visibilidade a essa parcela da população que requer cuidados especiais a serem ofertados por um equipe multidisciplinar que inclua pediatras, neuropediatras, psicólogos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, psicopedagogo, terapeutas ocupacionais, dentre outros. O custo do tratamento é considerável: uma consulta com um neuropediatra ou outros especialistas gira em torno de 600 reais.
Bacharel em direito, Roberta também cursou pedagogia, psicopedagogia e educação especial. Usa esse conhecimento para, somando as vivencias de outras mães, oportunizar às outras mães do Grupo uma teia de solidariedade e troca.
A programação da campanha “O Autista também pode” inclui a afixação, em pontos estratégicos da cidade, de 6 outdoors e 3 painéis digitais com dizeres e imagens que tem por objetivo sensibilizar a sociedade. Além disso serão colocadas faixas nos parques onde acontecem grandes aglomerações de crianças e familiares. “Nossa intenção é trazer todos para o campo da reflexão e aceitação. Nosso pensamento no ato do desenvolvimento desse projeto foi vencer pelo cansaço nossa invisibilidade”, afirmou Roberta.
No dia 14 haverá apresentação de Eduardo Balardin, 18 anos, músico e compositor. Eduardo fará uma apresentação de algumas composições autorais, falará um pouco sobre sua biografia e exibirá seu mais novo clipe. “Esse menino representa hoje a esperança que desejamos de uma realidade mais inclusiva. No ano passado, na primeira edição do “O Autista também pode”, foi apresentado um clipe mostrando a trajetória de 3 meninos que estão vencendo os obstáculos e seguindo seus estudos, suas vidas. Dois desses meninos estão fazendo curso técnico no IFMS e o outro cursando medicina na UFGD.
Outro evento da campanha será uma ação social em parceria com a Unigran para atender crianças do espectro do autismo em serviços diversos como odontologia, psicologia e outros. Essa ação ocorrerá no dia 29 com limitação de público em razão da especificidades do público que será atendido, que são os autistas.
Sobre as causas e lutas especificas do grupo, Roberta ponderou: “Defendemos e lutamos para que todos tenham conhecimento dos direitos e garantias constitucionais das nossas crianças. Não trabalhamos pela causa: fazemos doação do nosso tempo em prol de nosso pares para que se fortaleçam nessa caminhada”. A ausência de tratamento multidisciplinar e acompanhamento médico especializado, segundo ela e outras mães integrantes do Grupo, é a maior dificuldade, que reverbera em um caos social e emocional para todas os envolvidos : pais e crianças.
“A dificuldade social do filho afeta diretamente a mãe que acaba se privando de relações sociais. Muitas vezes não é algo desejado, mas sim condicionado pela falta de compreensão das outras pessoas. Toda mãe se sente muito confortável quando encontra outra que enfrenta as mesmas demandas e acaba construindo uma rede de apoio naquela amizade”, reforça Roberta referindo-se à importância de grupos como o “Família Azul”, que reúne 340 famílias de autistas, e da luta pela inclusão através de inciativas como a campanha que o Grupo vai realizar. A campanha “O Autista também pode” tem apoio, além da inciativa privada e de pessoas físicas, do vereador Marcelo Mourão.
Fonte: Dourados Agora
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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