O Google Brasil anunciou que vai usar inteligência artificial (IA) e bioquímica para identificar madeiras comercializadas ilegalmente a partir da Amazônia e rastrear sua origem. O projeto é uma parceria com a organização não governamental The Nature Conservancy (TNC) e se chamará “Digitais da Floresta”.
O objetivo final da ação é dar suporte para autoridades e até para os consumidores finais descobrirem se o produto adquirido é autorizado ou foi retirado de forma ilegal.
Digitais da Floresta: o projeto
Em comunicado, o Presidente do Google Brasil, Fabio Coelho, também destacou que a empresa toma como sua responsabilidade ajudar na proteção do planeta.
No Google, acreditamos que temos uma responsabilidade em ajudar a proteger nosso planeta. E uma das coisas mais poderosas que podemos fazer é criar tecnologias que permitam a nós, nossos parceiros e indivíduos em todo o mundo fazer escolhas sustentáveis e tomar medidas significativas para acelerar soluções climáticas em grande escala.
Fabio Coelho, Presidente do Google Brasil

Como funciona o rastreamento
Para apurar dados sobre a origem da madeira, o “Digitais da Floresta” une inteligência artificial e aprendizado de máquina com bioquímica.
Da parte da bioquímica, o projeto usa uma tecnologia que permite rastrear um modelo a partir do uso de isótopos estáveis (compostos por carbono, nitrogênio e oxigênio). Assim, é possível traçar o caminho contrário e, a partir do material final, chegar à matéria-prima e descobrir seu local de origem.
Com a “impressão digital química” das árvores e tendo o conhecimento do ponto de extração, determina-se se é madeira é ou não ilegal.
Durante a vida, as árvores absorvem a água e outros elementos químicos, principalmente do solo e acabam apresentando uma composição isotópica semelhante à do local onde vivem.
Frineia Rezende, Diretora Executiva da TNC Brasil
Os dados comparados serão os de 250 amostras diferentes de árvores nativas, de 20 regiões da Amazônia.
Mais informações sobre o Digitais da Floresta
Futuramente, a análise da madeira e a base da dados será ampliada para mais pessoas. Junto à associação civil sem fins lucrativos Imaflora, o Google também desenvolve um sistema aberto para permitir que qualquer organização ou entidade use os dados e rastreie a origem da madeira.
O projeto “Digitais da Floresta” também criará uma plataforma web e um aplicativo. Qualquer pessoa poderá acessar e monitorar zonas de desmatamento.
Outras ações do Google

No comunicado, Coelho ainda reforça como a expertise do Google pode alavancar projetos que promovam a mudança no meio ambiente e na Terra.
Como empresa de tecnologia, pretendemos alavancar nossas ferramentas e experiência, em colaboração com nossos parceiros, para possibilitar soluções poderosas para combater as mudanças climáticas. Os avanços que estamos fazendo em IA, computação em nuvem e tecnologia geoespacial oferecem às pessoas novas formas de acessar e processar informações e desenvolver soluções poderosas para dar forma à mudança.
Fabio Coelho
Previsão de enchentes
Na mesmo dia do restante dos anúncios, o Google comunicou uma nova parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), autoridade pública referência no monitoramento do desmatamento.
A parceria vem para fazer uso dos dados do Inpe em um teste piloto do Alerta de Incêndios Florestais, que usa inteligência artificial para detectar incêndios florestais de forma precoce e prever a propagação do foto. Assim, o programa auxilia autoridades e entidades locais a responder às ocorrências com mais rapidez e eficácia.
Com informações de Google Brasil
Imagem: Bruno Kelly/Amazonia Real



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