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DOURADOS

Grupos implantam sistemas de produção agroecológica nas aldeias

04/04/2023 às 17:36
3 min de leitura

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Cultivar frutas, legumes e hortaliças para comer bem e para comercializar. Esse era o sonho de Nelson, Ivanusa e outros companheiros indígenas. No entanto, por mais simples que possa soar para algumas pessoas, este sonho parecia impossível de se tornar realidade, para quem não tinha consultoria técnica, acesso a água e irrigação em suas terras, e não sabia onde vender seus produtos. O projeto de extensão Ânimo – Ñande Retea’e possibilitou que esses produtores recebessem o apoio necessário para iniciar o cultivo em sistema agroecológico e comercializassem o excedente de sua produção.

Desde 2021, vinte e cinco famílias participaram das atividades de imersão e foram apoiadas no plantio de suas terras. Como resultado, três núcleos de produção agroecológicas foram consolidados nas aldeias de Dourados. Um dos núcleos de produtores é a família de Nelson Ávila da Silva, o segundo núcleo é a família de Ivanusa da Silva Pedrosa, e o terceiro grupo, chamado Tokoha Karai, é formado por oito mulheres. O cultivo em sistema de agrofloresta incentiva a produção de hortaliças e legumes em harmonia com o plantio de árvores frutíferas e nativas, o que garante alimento para a população e para a fauna local, além de auxiliar a estabilizar o microclima e o ciclo da água. Além disso, o cultivo é feito em mutirões, em que os grupos se auxiliam, resgatando a coletividade e harmonia que caracterizam a cosmologia indígena e os valores comunitários.

“A gente está desenvolvendo o trabalho na roça utilizando o conhecimento tradicional indígena e o conhecimento científico. Antes de desenvolver os trabalhos, a gente chama os mestres tradicionais para abençoar a terra, e o primeiro plantio é do milho, conforme nosso etnoconhecimento. Depois vem o conhecimento científico, a avaliação das propriedades do solo, entre outras tecnologias”, avalia Ivanusa da Silva Pedrosa.

Com este sistema, o grupo já produziu uma variedade de alimentos como salsinha, couve, repolho, pimentão, tomate, couve-flor, rúcula, beringela, e repolho verde e roxo. “Recebemos críticas de algumas pessoas, que dizem que estamos produzindo hortaliças e que isso não é alimento da cultura indígena. Plantar hortaliças foi o meio que escolhemos para cultivar a terra, recuperar o solo, resgatar as matas, preservar nossas sementes crioulas e a biodiversidade do nosso território, e ao mesmo tempo ter um bom alimento e gerar renda para nossas famílias”, argumenta Nelson Avila da Silva. Ele é o responsável por representar o Núcleo de Produtores Indígenas (NUPOIN) junto à Associação de Produtores Orgânicos de Mato Grosso do Sul (APOMS).

Fonte: Dourados Agora

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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