Neste ano, teremos quatro eclipses: dois do Sol e dois da Lua. Em relação aos solares, existem três tipos mais conhecidos do fenômeno: o parcial, o anular e o total. Mais raro, no entanto, um quarto padrão, chamado eclipse solar híbrido, sem dúvida, é o mais intrigante, espetacular e interessante deles – e o próximo será nesta quinta-feira (20).

Eclipses solares híbridos ocorrem quando a distância da Lua está perto de seu limite para a sombra umbral atingir a Terra, a depender do grau de inclinação da órbita lunar, haja vista que ambos os corpos são curvos. 

Nesse ponto, a Lua está à distância exata da Terra para que o ápice de sua sombra em forma de cone esteja ligeiramente acima da superfície terrestre no início e no final do percurso do eclipse, fazendo com que a sombra antumbral da Lua se mova através da Terra, causando um eclipse anular. 

No entanto, no meio do caminho do eclipse, o ápice da sombra umbral da Lua atinge a superfície da Terra, porque essa parte do planeta está um pouco mais próxima dela.

Em outras palavras, esse tipo de eclipse se dá quando a Lua, ao se mover no céu, bloqueia o Sol de maneiras diferentes, alternando entre um eclipse total (com a nossa estrela inteira encoberta) e um eclipse anular (quando se forma um anel brilhante em volta da sombra da Lua).

Cada um dos três tipos de eclipse do Sol é causado pela lua bloqueando a luz de diferentes partes do astro. Imagem: Wikimedia Cmglee

Esse diagrama de um eclipse acima mostra como a distância entre a Lua e a Terra determina a sombra projetada na superfície do planeta, desde a penumbra fraca de um eclipse parcial do Sol até a umbra profunda e escura da totalidade e a antumbra – uma espécie de “meia-sombra” – da anularidade.

Segundo o site Space.com, o eclipse solar híbrido desta quarta será visível no Pacífico Sul. Ele fará a transição de anular para total e o movimento inverso em somente dois locais muito remotos no mar. 

O fenômeno será exclusivamente experimentado como um eclipse total da Península de Exmouth, na Austrália Ocidental (até 1 minuto), Timor-Leste (1 minuto e 14 segundos) e Papua Ocidental (1 minuto e 9 segundos). Pouco antes e logo após a totalidade, uma grande exibição das “contas de Baily” será visível.

Nomeadas em referência ao astrônomo inglês Francis Baily, que as observou pela primeira vez no início de 1800, as contas de Baily são os últimos raios de luz solar que podem ser vistos fluindo através dos vales da Lua pouco antes da totalidade e no fim do processo. 

Durante um eclipse solar híbrido, as exibições das contas de Baily são mais longas porque a Lua está quase precisamente do mesmo tamanho aparente que o Sol.

O eclipse híbrido é o tipo mais raro. Entre todos os eclipses solares do século 21, apenas 3,1% foram dessa classe. Créditos: APOD NASA / Esquerda: Fred Espenak – Direita: Stephan Heinsius

Quando aconteceu o último eclipse solar híbrido

Acontecem entre dois e cinco eclipses solares a cada ano. Durante todo o século 21, apenas 3,1% (7 de 224) dos eclipses foram híbridos. 

O eclipse híbrido mais recente aconteceu em 3 de novembro de 2013, sendo visível como um eclipse total na África Central, incluindo o norte do Quênia, Uganda e República Democrática do Congo. Na ocasião, navios de cruzeiro no meio do Oceano Atlântico também experimentaram totalidade, por até um minuto.

Os eclipses solares híbridos também são chamados de anulares-totais, “frisados” ou eclipses anulares “quebrados”, com as duas últimas nomenclaturas fazendo referência às exibições particularmente longas das contas de Baily.

Se você é um dos apaixonados por fenômenos desse tipo e ficou decepcionado ao descobrir que o eclipse desta semana não poderá ser observado da sua localidade, não se preocupe. Algumas transmissões ao vivo estão programadas na internet, começando já na noite desta quarta-feira (19). Neste link, há uma lista de lives e explicações detalhadas sobre os tipos de eclipses solares.