A Meta lançou, na quarta-feira (5), o seu “Twitter do Instagram”, o Threads. A nova rede social rival da plataforma de Elon Musk conquistou em menos de 24 horas 30 milhões de usuários (segundo o The Verge, o número já pode estar alcançando os 50 milhões). No entanto, nenhum desses inscritos possivelmente é residente da União Europeia, já que por lá o app ainda não foi liberado

O que você precisa saber: 

De acordo com o Euronews, a UE não bloqueou, ainda, o app da Meta, mas considerando que a big tech já enfrentou algumas “dores de cabeça” com as regras de dados da União, a empresa decidiu ser cautelosa e não lançar o Threads nos países membros.

Fontes próximas à Meta explicaram que a empresa não tem certeza sobre os requisitos estabelecidos pela Lei de Mercados Digitais (DMA), novas regras de concorrência da UE em vigor desde maio deste ano. Assim, irá avaliar os requisitos e adaptar a plataforma antes de liberar para a região.

A DMA rege como grandes plataformas online usam seu poder de mercado. Recentemente, a Meta notificou a Comissão Europeia afirmando que atende aos critérios de ‘gatekeepers’ da UE, se tornando uma guardiã da nova lei de mercados digitais — mais um motivo para o cuidado no lançamento do Threads. Entenda mais aqui

UE pode nunca ter o Threads 

Mesmo com a cautela e tentativas de adaptações, na verdade, os países da União podem nunca ter o novo aplicativo da Meta. Isso porque as regras de privacidade delimitam muito as justificativas para compartilhamento de informações, ação que o Threads realiza com louvor. 

Mesmo sendo um app independente, a nova plataforma importa todas as informações do Instagram para criar um perfil do usuário (se assim ele quiser). Na versão dos EUA, por exemplo, os usuários do Threads são informados de que ele coletará uma ampla variedade de dados, como: 

Na UE, o tipo de comunicação entre plataformas de mídia social é proibida. Vale lembrar que a Meta já foi impedida pela UE de lançar serviços de publicidade no WhatsApp que utilizassem dados do Facebook ou Instagram. A big techtambém recebeu uma multa recorde por infringir a lei do território sobre privacidade de usuários na Internet. 

Lei de Dados da UE 

A UE possui uma Lei de Proteção de Dados (GDPR) em vigor desde o fim de 2018. A nova Lei de Dados foi proposta no ano passado pela Comissão Europeia e faz parte de um conjunto de legislações que visa reduzir o poder das gigantes da tecnologia dos EUA.  

Em maio deste ano, empresas como Siemens e SAP criticaram o projeto apontando que a proposta era muito restritiva e que colocava em risco segredos comerciais. No fim de junho, a UE aprovou a lei após sete horas de negociações. 

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