Bruno Lage fala em ‘transição pacífica’ para manter o Botafogo no topo

Um percurso parecido com o de Luís Castro, e um discurso que não fugiu do roteiro do ex-técnico. Bruno Lage concedeu, nesta quarta-feira, a sua primeira coletiva de imprensa como técnico do Botafogo, e citou o antecessor para defender a ideia de que o mais importante é o trabalho e o projeto do clube. Lage entende que o momento é de navegar pelos caminhos traçados anteriormente, em uma transição pacífica, sem mudar o rumo.

As primeiras palavras de Bruno Lage, no entanto, não foram sobre o seu time. O técnico se dirigiu diretamente aos torcedores para agradecer o apoio desde que foi contratado. Uma energia que acredita ser vital para o Alvinegro.

“Tem sido uma manifestação fantástica. A recepção ao aeroporto… Faremos tudo, eu e minha comissão técnica, para continuar essa temporada fantástica. Já treinei o Glorioso de Portugal, e agora vou treinar o Glorioso do Brasil”, discursou.

O desafio no Botafogo será diferente para Bruno Lage. O treinador luso reforçou que as trocas normalmente acontecem em momentos difíceis, em que a mudança é necessária. Mas Lage assume o Botafogo na liderança, com 10 pontos de avanço.

“Normalmente quando essas situações acontecem é por que as equipes não estão em bom momento, e ai tentamos fazer de tudo para resgatar a motivação. Aqui temos feito uma avaliação e uma análise com muito cuidado, da equipe e dos jogadores, da forma como tem jogado e conseguido os objetivos. Não é segredo nenhum. É fazer uma transição o mais pacífica possível. Aos poucos, perceber o que sentimos para fazer uma evolução significativa de um ou outro ponto. Nem quando se ganha está tudo bem, nem quando se perde está muito mal”, defendeu.

“Nesse momento o mais importante é que a equipe tem feito, em termos de percurso e resultados, uma época fantástica e queremos continuar nesse caminho. É fazer uma adaptação o mais tranquila possível. O mais importante é que os jogadores se sintam confortáveis”, complementou.

Antes de assinar com o Botafogo, Bruno Lage foi procurado por Corinthians e Atlético Mineiro. As negociações não avançaram. O técnico evitou falar em “recusa” de propostas anteriores e deu a entender que tinha outras conversas encaminhadas na Europa, que acabaram por não acontecer.

“Não houve recusa de Corinthians e Atlético Mineiro. São Momentos diferentes no tempo. Há um mês atrás havia uma situação diferente na nossa vida profissional, em que eventualmente estávamos todos convencidos que eu podia tomar um rumo diferente. Não aconteceu. E entretanto aconteceu um caso único, em que o treinador que está em primeiro sai. Não foi rejeitar ninguém. Foi apenas aceitar o Botafogo, por terem me convencido, escolhido, e por sentirmos, por função do momento, que o projeto era muito interessante, de dar continuidade a esse trabalho fantástico que tem sido feito até aqui”, explicou.

Sobre as cobranças, Bruno Lage sabe que, mesmo campeão, pode ver o sucesso atribuído a Luís Castro. Já um fracasso estaria em suas mãos. Nada que tire o sono do treinador.

“Os desafios são diários. O mais importante é o Botafogo atingir seus objetivos, que é estar em primeiro e ser campeão. Depois, se o mérito é do Luís, do Claudio (Caçapa) ou do Bruno, para mim é indiferente”, garantiu.

“No futebol, nada é garantido. Ninguém garante que se o Luís continuasse, iria vencer, e ninguém garante que a troca do treinador vai fazer tomar outro rumo. O que temos de fazer é não pensar muito à frente, é pensar o que vamos fazer a seguir”, defendeu.

As comparações entre Luís Castro e Bruno Lage são inevitáveis. Ambos construíram carreira na base de gigantes lusos, e só depois tiveram sucesso no profissional. Lage conversou com o antecessor e ouviu apenas elogios sobre o grupo.

“Conversamos um pouco e ele me disse que é um grupo fantástico de jogadores e um staff do clube fantástico, e que vão dar a vida por mim e para o projeto”, revelou.

“Temos um passado muito parecido. Enquanto ele era coordenador do Porto, eu era treinador da base do Benfica. Nos cruzamos várias vezes, sub-15, 17, 19. Ele assume a equipe B do Porto, depois a A. Eu fiz o mesmo. A pergunta sobre semelhanças e diferenças de um treinador não é fácil. A nossa adaptação aquilo a que foi feito até o momento e dar continuidade a esse processo. Nas últimas vezes que me surgiram esses desafios, quer no Benfica ou no Wolverhampton, parto sempre do princípio que independente do resultado, há um trabalho feito. E eu vou tentar entender o trabalho feito para partir daí”, disse.

“Vou usar as palavras do Luís Castro. O treinador é importante para o clube, mas o mais importante para o clube é a ideia do clube, do projeto”, resumiu.

O conhecimento do elenco alvinegro virá com o tempo de trabalho. Mas Bruno Lage conhece bem alguns dos atletas, e acha que isso pode ajudar na adaptação.

“Tive dois anos fantástico com o Gabriel. Deu-me muito. Acho que fez, conosco, campanhas muito boas no Benfica. O Marçal também. Ele fez uma primeira época com algumas lesões no Wolverhampton, e quando nós chegamos foi mais regular a jogar. O Tiquinho conheço bem”, disse.

O mais importante, no entanto, é a sensação que o grupo acredita no trabalho, e na possibilidade de título. Para o treinador, isso é fundamental, até mesmo para trazer o torcedor para apoiar o grupo.

“A crença maior na equipe vem de dentro. Este homem (John Textor) acreditou na equipe, a equipe acreditou no treinador, o treinador acreditou na equipe… Tudo aquilo que parecia no início difícil está a se tornar numa temporada de sucesso. Quero dar continuidade nesta crença, de motivar os jogadores, para eles continuarem a conquistar este público, e para esse público continuar a nos apoiar nessa caminhada”, discursou.

A motivação de Bruno Lage, por sinal, passa muito pela torcida. O técnico garante que é essa energia que o move, mais do que os títulos e conquistas.

“O que me dá mais prazer é ver as recepções que a torcida do Benfica faz. A chegada ao estádio. A forma de celebrar o título, no Marquês, é uma coisa fantástica. Nós fizemos coisas muito boas em Wolverhampton. Tivemos um recorde de oito vitórias fora, e sentia-se. Fomos ganhar no estádio do Tottenham, do Manchester United, do Everton. Fizemos um bom trabalho lá. O que me dá mais satisfação é a alegria das pessoas. Isso é muito importante”, argumentou.

Fonte: Ogol

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