Para roqueira douradense, é preciso mais ‘minas’ cantando: “a cena tem que crescer”
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Para roqueira douradense, é preciso mais ‘minas’ cantando: “a cena tem que crescer”
“Eu hoje represento a loucura
Mais o que você quiser
Tudo que você vê sair da boca
De uma grande mulher
Porém louca!”
O trecho acima é da canção Luz del Fuego, de Rita Lee, de 1975. Obra de uma mulher, inspirada no poder feminino e que pode naturalmente também contextualizar sobre a trajetória da jovem douradense Luana do Prado Macena, 22, que encabeça a banda The Luanna. Neste dia 13 de julho, Dia Mundial do Rock, o Dourados News traz uma reportagem com garotas que estão desbravando o estilo musical em terras onde o sertanejo é mais predominante, porém, com muito talento e autenticidade, elas estão inclusas em um grupo que perpetua o som estruturado pela guitarra, baixo e bateria, com letras geralmente marcantes.
“Ouvi de pessoas que seria loucura seguir essa carreira”, conta Luana, natural de Dourados e que morou por muitos anos em Ivinhema e atualmente se dedica a Musicoterapia, trabalho com crianças com Transtorno do Espectro do Autismo e a banda.
A jovem chegou a prestar vestibular para Engenharia Mecânica, mas quando conheceu a musicalização infantil trocou o curso pela licenciatura em música.
Mas a paixão pela música, vem desde criança, conhecendo vários estilos musicais por meio da família. Os pais costumavam ouvir música brasileira, já o irmão curtia Pitty, System of a Down, Slipknot e os primos e tios bastante rock clássico e heavy metal, conforme a jovem.
“As minhas referências sempre foram voltadas mais pro rock n’ roll e variantes, então não tinha como cantar outra coisa”, diz ao contar que quando completou 12 anos iniciou as aulas de guitarra e começou a cantar em “rodinhas”.
A imersão no mundo da música continuou com aulas de canto, apresentações na escola e participação em uma banda, ainda em Ivinhema, a Stagio 4.
“A gente tocava um pouco de tudo, de AC/DC até System [of a Down]. Foi uma experiência fundamental e meu primeiro contato com público”, relata.
Escrevendo atualmente a sua história na banda The Luana, juntamente com Elder Ferreira e Will Carbonari, a jovem inclusive fez uma composição, “Chemical Fire”, uma crítica a sociedade moderna, a qual detém diversas tecnologias avançadas, mas na opinião da artista “é assolada com pensamentos muito retrógrados”.
Ela conta que não acreditava ter o dom da composição, mas a letra saiu em um ensaio, em 2021, com um riff e uma melodia.
“Nós gravamos a guia e ficou guardada. Até que ano passado eu e os caras – Will, Elder e Marcão – montamos a banda, começamos o tributo a Pitty & Rita, conversamos sobre fazer músicas autorais e, após um ensaio, eu mostrei a música pra eles. Trabalhamos nela por um tempo, gravamos o áudio no Fabrika em Campo Grande, o vídeo aqui em Dourados com a Punto Áureo + Lizzi e hoje fico feliz em dizer que ela está disponível em todas as plataformas”, detalha.

“A idade da pedra volta
Com um fogo químico
Nós dançamos à meia-noite”, diz trecho da canção autoral que já conta com quase 5 mil visualizações no You Tube, assista aqui.
No dia 15 próximo, a banda realiza um evento para arrecadar fundos para a gravação do primeiro EP (Extended Play), no Eco Hostel Céu do Mato. Para a jovem, é gratificante o acolhimento que tem recebido do público e para ela, o cenário do rock clama por mais artistas na região.
“O pessoal realmente abraçou nosso projeto, nossas músicas e nos abraçou, também. Eu fico imensamente feliz quando alguém vem elogiar nosso trabalho, nosso show e amo receber esse carinho da galera. Acho que a cena tem que crescer, aparecer mais bandas, mais minas cantando, tocando… e o lance é que gente pode exaltar, admirar e elogiar uma artista sem desmerecer outra. Essa rivalidade é algo que eu vejo acontecendo geralmente só entre as artistas, muito pouco entre os artistas da cena. E tem que mudar. No topo cabem várias, não uma só”, aponta.
“Eu hoje represento a cigarra
Que ainda vai cantar
Nesse formigueiro quem tem ouvidos
Vai poder escutar
Meu grito”, diz Rita Lee em outro trecho de Luz del Fuego e ao que nota-se, em Dourados bem como a artista que nos deixou essa letra e marcou época, elas seguirão cantando e encantando a muitos.
Quem abrirá o show do The Luana é a banda Juliet Moon que tem como vocalista, Keila Oliveira, 24 anos.
“Eu quis cantar rock, porque é algo que eu me identifico muito e eu não ligo se não é o que repercute. Eu prefiro ser eu mesma e fazer o que gosto sem me preocupar com o que está em volta. É claro que isso ajuda muito o rock se expandir e espero que outras pessoas possam ver isso como uma abertura para novas pessoas nesse cenário” destaca a cantora.
Fã declarada de The Runaways, The Beatles, Aerosmith, Blink 182, Bon Jovi, Silverchair, a jovem que sempre amou a música, recentemente estruturou uma banda com Guilherme, Allan e Denver.
“Eu decidi montar uma banda com meu esposo, por que eu só me apresentava uma vez ou outra e um amigo nosso pediu para que eu me apresentasse num evento, então eu vi uma oportunidade de tentar algo novo e fazer algo pra mim e pra eles. A nossa banda é bem flexível e democrática e isso me traz bastante conforto e o processo criativo se torna mais tranquilo”, comenta.
“E eis que de repente ela resolve então mudar
Vira a mesa
Assume o jogo
Faz questão de se cuidar
Uooh
Nem serva, nem objeto
Já não quer ser o outro
Hoje ela é o também” (Pitty)
Conforme a vocalista, a intenção é “fazer algo incrível e que possa trazer muito rock and roll pra todos”.
Para mais informações sobre o show que acontece no sábado (15) e contará com as bandas The Luana e Juliet Moon –clique aqui-.
Fonte: Dourados News
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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