Praças e parques de Dourados: o porquê do abandono
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Praças e parques de Dourados: o porquê do abandono
Entre os anos 1980 e 1990, Medellín, capital da Colômbia, era considerada uma das cidades mais violentas do mundo. Para se ter uma ideia, em 1991, havia uma taxa de 381 homicídios a cada 100 mil habitantes, índice de violência epidêmica, na avaliação da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Após um trabalho de “urbanização social”, levado a efeito entre 2004 e 2011, esses números foram reduzidos, em 2017, para 22 homicídios por 100 mil habitantes. Como as autoridades colombianas conseguiram esses índices?
Primeiro, houve um mapeamento da cidade, e a conclusão foi: onde o poder público estava ausente, sobrava violência. Houve investimentos na saúde, na educação, mas principalmente, na implantação de praças, espaços de lazer, de leitura, de convívio social entre outras iniciativas, entre elas melhorias na iluminação pública.
Foi com base na observação dessas iniciativas que na primeira década de 2000 procurei ajudar as administrações locais a implantar praças públicas em Dourados, demandas que nos eram apresentadas com frequência pela população.
Por exemplo, viabilizei recursos para a construção a Praça do Parque Ambiental do Córrego Rego d’Água; das praças dos conjuntos Izidro Pedroso e Canaã III; da Praça do Parque Alvorada; da pista de caminhada das escolas Imaculada Conceição e Professora Avani Fehlauer; da Vila Olímpica Indígena; a urbanização da Avenida Toshinobu Katayama; a implantação da Praça do Campo do Zé Tabela; e, mais recentemente, a Praça Antonio Alves Duarte.
Foram anos de lutas na viabilização dos recursos, no acompanhamento dos projetos e andamento das obras em cada uma dessas intervenções. Comunidades inteiras, à época, foram mobilizadas e comemoraram essas conquistas.
Passados alguns anos, nos perguntamos: como esses espaços são tratados hoje pelo poder público municipal? Lamento dizer que após uma rápida passada nesses locais ficamos muito tristes, pois encontram-se muito deteriorados, abandonados, mal iluminados e, por conseguinte, não oferecem segurança e nem o desejo das pessoas os frequentarem.
Recentemente, uma deputada estadual foi direto ao ponto: esses espaços, segundo ela, encontram-se em situação de extremo abandono. “Vemos calçadas e telhados quebrados, entulhos e sujeiras por todo canto, além de paredes pichadas e quadras sem pintura”.
A parlamentar citou, textualmente, o Ceper do BNH II Plano, a Praça do Jardim Canaã I, a Praça do Cinquentenário, a Praça do Conjunto Izidro Pedroso, a Praça do Jardim Canaã III, a Praça do Rego D’água, a Praça Paraguaia e o CEPER do III Plano.
O descaso com as praças públicas de Dourados leva a uma situação semelhante à de Medellín do início deste milênio, segundo uma autoridade local, o arquiteto Carlos Mário Rodriguez: “A mobilidade e a acessibilidade evidenciaram territórios aos quais ninguém ia além dos que ali viviam; a cidade os tinha completamente à parte.” Parece que em Dourados acontece algo semelhante, afugentando as crianças, os jovens, enfim, as famílias desses locais.
Existe um ditado que diz: “Quem ama, cuida”. Daí a pergunta inevitável: Será que a atual administração gosta mesmo de nossa cidade, ou de sua gente? Está aí um ponto para reflexão.
*Médico e deputado federal (PSDB-MS)
Fonte: Dourados News
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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