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ESPORTES

Com Xabi para pensar no futuro, Bayer traça perfis e mostra ambição no mercado

08/08/2023 às 13:18
3 min de leitura

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O Bayer Leverkusen vinha de oito derrotas em 12 jogos na temporada. Massacrado pela crítica, o suíço Gerardo Seoane foi demitido do cargo de técnico no começo de outubro de 2022. Xabi Alonso, craque com a bola nos pés, chegou para comandar os Farmacêuticos. A chegada do espanhol naquele outubro significou não apenas uma correção de rota na temporada, mas a construção de um novo horizonte para o clube. Com contrato renovado até 2026 após reverter o quadro em 22-23, com um sexto lugar na Bundesliga e campanha semifinalista na Liga Europa, Xabi assinou contrato longo em Leverkusen e traçou novos rumos para o futuro do clube. 

Com o apelido de Farmacêuticos por ter sido nascido em 1904 por solicitação dos empregados da multinacional farmacêutica Bayer, fundada por Friedrich Bayer, o Bayer Leverkusen nunca foi campeão da Bundesliga. Só conquistou a Bundesliga 2. Levantou a Copa da Alemanha, também, e a Liga Europa. Mas é uma equipe tradicional na Alemanha, com 45 participações e 1500 jogos na elite, cinco vice-campeonatos. Internacionalmente, além do título da Liga Europa (antiga Copa Uefa), o Bayer foi vice-campeão da Champions em 2001/02 e já soma mais de 100 jogos no torneio, avançando sete vezes ao mata-mata. 

A última participação, porém, não foi boa, com queda na fase de grupos. Como citamos, a campanha de Seoane não era nada boa. Mas o Leverkusen, com Alonso, mostra que recuperou a ambição de seus fundadores para voltar a almejar coisas grandes em um futuro nem tão distante. 

A importância de Xabi Alonso no projeto

Antes de partir para fechar grandes contratações, o Bayer teve como primeiro grande ato de mercado a renovação de Xabi Alonso, até 2026. A duração do vínculo mostra que o técnico é fundamental na projeção do futuro do clube. E mostra que ambos: Xabi e Bayer, querem mais. 

“Eu analiso a última temporada de forma positiva. Mas eu quero mais, da mesma forma que o clube também quer. Agora estamos trabalhando dessa forma ambiciosa”, disse o treinador quando assinou o novo vínculo. 

A partir da definição da sequência de Alonso, a diretoria dos Farmacêuticos começou a traçar os perfis dos jogadores a se buscar no mercado de transferências. Tendo como base o 3-4-3 de Alonso, o clube iniciou o mapeamento de mercado e traçou alvos. 

Ao lado de Xabi Alonso, o diretor Simon Rolfes é o grande responsável por montar o esqueleto do time para a próxima temporada. Uma base já começou a ser esboçada com as chegadas de Granit Xhaka, Jonas Hofmann e Alex Grimaldo. 

“Nós precisávamos de mais solidez em alguns setores. Nós também precisávamos adicionar jogadores experientes para somar com os que já temos, caras como Robert Andrich, Jonathan Tah e Lukas Hradecky. Dar ao time mais exemplos de liderança”, disse o dirigente. 

Depois de vender Diaby ao Aston Villa por 55 milhões de euros, o Leverkusen teve margem para trabalhar no mercado. Granit Xhaka, experiente meia suíço que estava no Arsenal, chegou como a principal contratação do clube para a nova temporada, por 25 milhões de euros. 

Xhaka deve jogar como “número 6” em Leverkusen, o meia responsável por iniciar as jogadas e fazer o jogo progredir. Como Xabi fazia como jogador. O jogo dos Farmacêuticos passará sempre por Xhaka, e o suíço agirá como uma espécie de maestro. 

Quando a bola chegar na frente, porém, quem deve resolver é o nigeriano Victor Boniface. Artilheiro da Liga Europa, o atacante vem de uma temporada de 17 gols e 11 assistências no Union St. Gilloise, da Bélgica. Foram investidos 20 milhões de euros no jogador, que passou antes pelo Bodo Glimt, da Noruega. 

O lateral espanhol Álex Grimaldo, de 27 anos, chega após uma temporada de 14 assistências e 8 gols pelo Benfica. O experiente alemão Jonas Hofmann chega também em alta, depois de 14 gols e 10 assistências no Monchengladbach na última temporada. 

Investindo um pouco além dos 50 milhões de euros que faturou com Diaby, o Leverkusen ainda poderá contar com o jovem lateral brasileiro Arthur, ex-América, que foi contratado para assumir o papel de Frimpong, que uma hora, ou outra, será vendido. 

Arthur não é o único sul-americano que chegou na BayArena. A estratégia de mercado do Leverkusen, de buscar jogadores jovens talentosos no mercado sul-americano, já é adotada há algum tempo. O histórico de sucesso de brasileiros no clube, confessa Rolfes, ajuda. 

“Ajuda se nós dizemos para um rapaz brasileiro que tivemos 15, 20 jogadores aqui, Lúcio, Zé Roberto, jogadores fora de série estiveram aqui. Descobrimos isso esse verão com Piero Hincapie. Mostramos a ele que ele poderia ter uma boa carreira aqui”, explicou. 

Hincapié é um defensor canhoto equatoriano de muita explosão, com boa capacidade de recuperação, noção de cobertura e forte no 1 contra 1 defensivo. Apesar de ter apenas 21 anos, já soma 27 jogos pela seleção principal do Equador. E já são 76 jogos com a camisa do Leverkusen em duas temporadas. 

No elenco, além do equatoriano e do recém-chegado Arthur, o Leverkusen ainda conta com outros dois sul-americanos: Exequiel Palacios, argentino de 24 anos contratado junto ao River Plate ainda em 2020; e Gustavo Puerta, colombiano de 20 anos que chegou recentemente após destaque nas seleções de base do país. 

O grande objetivo do Leverkusen é ir além nessa temporada. Com um elenco equilibrado, totalmente pautado no que a Bundesliga pede (transições rápidas, muita intensidade, rapidez nas ações e dinamismo), o Bayer tem condições de brigar na parte de cima da tabela da Bundesliga e, quem sabe, buscar um desafio maior internacionalmente. 

O elenco ainda conta com Tapsoba, Florian Wirtz e Adam Hlozek, que podem ser considerados jogadores jovens de muito potencial e projeção, cada um na sua função; e jogadores mais experientes como Hradecky, Tah e Schick, que formam uma base bem sólida. 

Com o mercado bem feito, buscando dar ainda mais solidez para a base de Xabi Alonso, o Bayer se apresenta como uma equipe interessante para acompanhar na temporada. Se não deve lutar pelo título alemão por ser uma missão impossível diante da soberania do Bayern de Munique, ao menos promete apresentar oposição firme, com ambição para olhar além. 

Fonte: Ogol

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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