Em meio à era digital e ao constante fluxo de informações, novas alegações e novos mistérios são supostamente revelados. A mais recente teoria conspiratória a circular pela internet questiona a autenticidade das imagens históricas dos testes de armas nucleares.

Questionamentos sobre veracidade das imagens

Afinal, como um dispositivo tão delicado quanto uma câmera poderia resistir à destruição causada por uma explosão nuclear, especialmente considerando que muitas delas foram construídas há décadas?

Registros não são falsos

No entanto, a resposta é clara: não, essas imagens não são falsificações. Existem centenas de fontes que documentam a história nuclear dos Estados Unidos, incluindo os métodos utilizados para filmar os testes de explosões nucleares. Livros foram escritos sobre o assunto, explorando os detalhes desses procedimentos.

Muitos dos testes registrados ocorreram em locais remotos no Pacífico ou em no estado americano de Nevada, afastados de áreas habitadas. Essas filmagens eram usadas como fonte de informações para cientistas que estudavam a potência e a natureza das explosões nucleares.

Além disso, parte das imagens era utilizada como material educativo para líderes federais e do Congresso que precisavam compreender o funcionamento dessas armas.

Tecnologia e profissionais de ponta

As equipes de filmagem responsáveis por essas gravações utilizaram tecnologias de ponta para a época, muitas das quais seriam posteriormente adotadas por Hollywood. Isso incluía câmeras e lentes avançadas, além de técnicas inovadoras de projeção.

É importante ressaltar que grande parte dos arquivos relacionados às gravações de testes nucleares está disponível online. Desde o final da Guerra Fria em 1991, diversos esforços foram feitos para desclassificar essas informações.

Em uma entrevista ao New York Times em 2010, um “cinegrafista atômico” compartilhou que equipes inteiras de cinegrafistas trabalhavam registrando esses testes na época. Ele acreditava que ele e seus colegas estavam tão próximos das explosões que a radiação provavelmente havia afetado muitos deles.

As pessoas que realizaram esse trabalho de filmagem e câmera em testes nucleares eram altamente qualificadas. Elas tinham o objetivo de capturar imagens incomuns e inventar câmeras inteiras para esse propósito.

Alex Wellerstein, historiador de ciência e tecnologia nuclear no Instituto de Tecnologia Stevens

Como as câmeras sobreviveram aos testes nucleares

Em resumo, as câmeras usadas para filmar os testes foram projetadas especialmente para resistir às explosões. Elas eram protegidas por revestimentos de aço e chumbo e posicionadas em torres fixadas em concreto. Essas informações podem ser encontradas em documentos militares públicos.

Na “Operação Teapot” de 1955, por exemplo, 48 câmeras foram dispostas a distâncias que variavam entre 838 a 3.200 metros do epicentro da explosão. Essas câmeras foram protegidas de maneira meticulosa. Aquelas direcionadas para as áreas externas de prédios foram instaladas em torres embutidas em concreto, a alturas que minimizavam a interferência de poeira e detritos.

É válido ressaltar que as imagens que vemos atualmente são o resultado das câmeras que sobreviveram. Muitas câmeras foram, de fato, destruídas no processo de captura dos momentos de destruição.

A explicação para o carro que “desaparece”

Uma das questões levantadas pelos céticos diz respeito a um carro que “desaparece” nas imagens. Em imagens da “Operação Upshot” em 1953, um carro surge “atrás” de uma casa conforme a explosão ocorre. Para alguns, isso é evidência de que as imagens são falsas.

câmeras
Imagem: Governo dos EUA / Wikimedia Commons (Domínio Público)

Na realidade, essa é uma questão de edição. A filmagem sem o carro foi realizada como parte de um teste de rotina para verificar o funcionamento correto das câmeras. Em vez de indicar falsificação, o surgimento do carro demonstra apenas que as filmagens da câmera e a explosão ocorreram em dias diferentes.