Os Estados Unidos querem impedir expedições aos destroços do Titanic e, para isso, estão tomando medidas legais no Congresso. A medida vem após o caso da implosão do submarino Titan, da empresa OcenGate, que levava cinco tripulantes em um passeio guiado ao navio naufragado.

Histórico

Proa do Titanic, avistada em uma expedição de 2004 (Foto: NOAA)

Expedições ao Titanic

O governo estadunidense está pressionando pelo direito de fazer com que a Secretário de Comércio e sua unidade marítima, a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), tenham o poder de aprovar ou negar permissão à RMS Titanic quando a empresa quiser realizar uma expedição aos destroços submersos.

Segundo um advogado aposentado da NOAA, Ole Varmer, em entrevista ao NYT, “isso já demorou muito para acontecer” e que agora o governo foi forçado a intervir.

Resposta da empresa dona do Titanic

A RMS Titanic Inc. não pretende aceitar a ação federal e vai combatê-la.

A empresa acredita que retém o direito de continuar a conduzir atividades de salvamento no local do naufrágio, sem procurar ou obter aprovação de terceiros que não sejam o Tribunal Distrital dos EUA, que mantém jurisdição sobre o local do naufrágio.

Brian A. Wainger, advogado da RMS Titanic Inc., em comunicado ao NYT

No entanto, esse embate pode durar anos e chegar à Suprema Corte. Como o local do naufrágio fica em águas internacionais, a questão é ainda mais complicada.

Acidente com submersível Titan, em 18 de junho, foi um dos casos que reacendeu o debate (Crédito: Josh Benson/ Reprodução Twitter @WFLAJosh)

O que a lei diz

Uma lei marítima dos EUA diz que o descobridor do naufrágio é seu “dono”.

No entanto, pela peculiaridade do caso do Titanic, um acordo internacional do país com o Canadá, França e Reino Unido, promulgou em 2017 a proibição de “qualquer pesquisa, exploração, salvamento ou outra atividade que possa alterar fisicamente ou perturbar o naufrágio ou local do naufrágio do RMS Titanic, a menos que autorizado pelo Secretário de Comércio”. A lei entrou em vigor em 2019.

Porém, a RMS Titanic Inc. se recusa a cumprir o acordo, seguindo à risca à lei marítima. Assim, o debate sobre quem pode regular pesquisas ou até expedições ao local ressurge.