O futebol brasileiro passa por uma nova era. Desde a aprovação do projeto das SAFs (Sociedade Anônima do Futebol) pelo Congresso Nacional, no fim de 2021, muitos clubes se voltaram a esse novo formato. A perspectiva de maior estabilidade para os treinadores com a figura centralizada de um dono, ao menos até aqui, tem se mostrado um caminho tortuoso.
Neste momento, o Campeonato Brasileiro conta com oito equipes que se tornaram SAF desde a regulação pelo Congresso: América Mineiro, Atlético Mineiro, Bahia, Botafogo, Coritiba, Cruzeiro, Cuiabá e Vasco. O Red Bull Bragantino, ao contrário dessas agremiações citadas, foi adquirido em outro formato. O Braga Bull é um clube-associativo, já que a empresa de bebidas energéticas adquiriu todos os títulos de sócios e ganhou poder para gerir as diferentes áreas do futebol de forma independente.
Mesmo com as diferentes linhas do tempo na aprovação do novo modelo, o roteiro em praticamente todos esses clubes foi de trocas no comando técnico. O Cruzeiro e o Coritiba puxam a fila com três técnicos no ano. A Raposa iniciou 2023 com Paulo Pezzolano, fez a troca antes do Brasileirão por Pepa, e recentemente demitiu o português e trouxe Zé Ricardo. Já o Coxa contou com António Oliveira e Zago, ainda antes de finalizar a mudança para SAF, e efetivou o auxiliar Thiago Kosloski recentemente.
Na lista de técnicos que deixaram seus clubes por opção dos mandatários estão o Cuiabá, que trocou Ivo Vieira por António Oliveira, e o Vasco, que substituiu Mauricio Barbieri por Ramón Díaz. O Atlético Mineiro, que ainda aguarda a aprovação do CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) para oficializar a mudança para SAF, trocou Eduardo Coudet, depois de uma saída em comum acordo, por Luiz Felipe Scolari. Já o América Mineiro interrompeu o trabalho de Vagner Mancini e buscou o argentino Fabián Bustos.
Se por um lado a corda normalmente estoura do lado mais fraco, alguns treinadores de clubes comandados por SAFs também interromperam trabalhos precocemente. O exemplo mais recente é de Renato Paiva, que deixou o comando do Bahia nesta quarta-feira (6). Campeão no estadual, o português recebeu pressão da torcida e imprensa pelo rendimento instável do Esquadrão de Aço. No fim das contas, o treinador de 53 anos optou por pedir demissão do cargo com cerca de 49% de aproveitamento.
A situação mais peculiar aconteceu com o líder do Brasileirão, o Botafogo. Luís Castro foi contratado para um projeto de longo prazo no clube, esteve ameaçado da demissão no início do ano, e acabou por deixar o Glorioso no melhor momento. No caso de Castro, uma proposta milionária do Al Nassr, da Arábia Saudita, causou o fim da relação.
O caso excepcional entre os novos formatos de administração dos clubes, vem do Red Bull Bragantino. O clube-empresa segue com Pedro Caixinha à frente do trabalho, que está próximo de completar oito meses. Mesmo recém-chegado ao Brasil, Caixinha já é o quinto treinador mais longevo no país.
O português fica atrás do compatriota Abel Ferreira, há quase três anos no comando do Palmeiras, Juan Pablo Vojvoda, com mais de dois anos de trabalho no Fortaleza, Fernando Diniz, técnico do Fluminense há pouco mais de ano, e Renato Gaúcho, com trabalho de um ano no Grêmio.
Em setembro do ano passado, Mauricio Barbieri era o técnico mais longevo do futebol brasileiro, justamente à frente do Bragantino, agora de Caixinha. Na oportunidade, o treinador destacou que a avaliação dos trabalhos é falha.
“Nem eu e qualquer treinador queremos garantia de emprego. Sabemos que dependemos do que vamos desenvolver, apresentar, mas precisamos de dois fatores cruciais: um é a condição e o outro é o tempo. Se você não tem um dos dois, não adianta me dar tempo e não me dar condição. Ao mesmo tempo, não adianta me dar condição e não me dar tempo. Quase que na grande maioria das vezes, no Brasil, você não tem os dois juntos. Acho que falta clareza para quem dirige, às vezes falta clareza para quem avalia o trabalho”, declarou Barbieri há cerca de um ano.
Seja por pressão externa, mudanças de rota, ou saídas inesperadas, o fato é que as constantes trocas de treinador no futebol brasileiro não indicam um novo caminho com a introdução de SAFs em detrimento das tradicionais associações civis. Os bons resultados ainda são a melhor garantia de continuidade…
Fonte: Ogol




Comentários