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DOURADOS

No dia Nacional do Teatro, atriz cita falta de incentivo à cultura e subestimação da arte

19/09/2023 às 15:10
3 min de leitura

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No dia Nacional do Teatro, atriz cita falta de incentivo à cultura e subestimação da arte

O teatro é uma das manifestações artísticas mais antigas da humanidade e no Brasil, em 19 de setembro, é o dia de comemorar essa forma de expressão política e cultural. Entretanto, na segunda maior cidade de Mato Grosso do Sul, a cena teatral ainda parece subestimada.

Com o espaço do teatro municipal Ayrthon Barbosa Ferreira parcialmente fechado há pelo menos três anos, resta apenas o cenário particular para os artistas que sobrevivem dos palcos desenvolverem os seus trabalhos e levarem arte e cultura para a população. 

Conforme informado pelo Dourados News, em 2020, uma ata pública do Conselho Municipal de Políticas Culturais revelou que engenheiros da prefeitura – na administração de Délia Razuk – fizeram um laudo declarando que a utilização do espaço poderia colocar em risco a vida dos presentes.

De lá para cá, o espaço fundado em 1998 é aberto para eventos internos do Executivo Municipal e outros que não exijam muito da estrutura do prédio, segundo o secretário de cultura Francisco Marcos Rosseti Chamorro, porém, ele relatou que, em breve, a reforma do local deve ser iniciada.

De acordo com o secretário da pasta, a expectativa é de que seja necessário um investimento em torno de R$ 8 milhões para a reestruturação do local. Inclusive, cerca de R$ 3,6 milhões em recursos federais já foram disponibilizados pelo Ministério do Turismo.

Em contrapartida, a Prefeitura deverá liberar outra parte da quantia para o início das obras por meio do programa “Desenvolve Dourados em Ação”. O total de recursos e a liberação para o início dos serviços deverão ocorrer em aproximadamente 90 dias, segundo Chamorro.

A promessa é que o prédio seja totalmente reestruturado. Hoje em dia, o espaço possui 420 lugares e deve ser reduzido para 390 a fim de atender as normas de acessibilidade. Além disso, a reforma passará pelos quatro camarins, banheiros, palco, telhado, hall, bilheteria, etc.

À reportagem, o secretário cita as questões burocráticas impostas ao serviço público como um dos motivos para a demora da liberação das obras e, segundo ele, após iniciados, os serviços devem durar no mínimo 10 meses. 

Democratização e acesso à cultura

Há seis anos, a artista Társila Bonelli, e os seus sócios, possuem um espaço de desenvolvimento artístico particular em Dourados. O projeto surgiu da associação de duas companhias: a Cia Theastai de artes cênicas e o Circo Le Chapeau, com o intuito de democratizar o acesso à cultura.

Entretanto, ainda há muitas barreiras e, para a artista, mesclam entre a falta de incentivo do poder público e a descredibilização da arte por parte da população, principalmente em uma cidade do interior de um Estado com o maior foco na agropecuária.

As aulas de teatro são ministradas para cerca de 30 alunos, alguns deles com bolsa, porém, Társila cita que a arte ainda fica centralizada e é difícil se estender aos bairros mais periféricos porque existem as barreiras de fazer chegar a comunicação e também de estrutura.

“A gente não pode negar que o município de Dourados em relação ao incentivo à cultura é falho, não é somente nessa gestão, são gestões que vem carregando uma não visão da arte, da cultura como um potencial governamental e de desenvolvimento social”, enfatiza.

Para ela, a arte teatral é subestimada nacionalmente, mas principalmente regionalmente e as pessoas não enxergam o consumo da arte como uma prioridade, “a gente ainda tem um pensamento em relação à arte e a cultura muito deturpado”. 

A atriz cita que, apesar de todos consumirmos arte 24h por dia, seja por meio das roupas, da programação da televisão, do rádio ou até na música que ouve no barzinho, “as pessoas ainda não materializam a arte como algo palpável”, porém, ela complementa que a arte é educacional.

“O artista ainda é pouco valorizado e é muito complicado as pessoas virem falar que a gente precisa trabalhar apenas por amor, a arte é uma profissão. O artista do teatro, da cena tem que ser visto como um profissional como qualquer outro”, ressalta Társila.

“A arte não é apenas entretenimento, é essencial para formação do cidadão, formação de caráter, para reflexão como ser humano, para trazer um pouco mais de empatia, para trazer as pessoas condições de poder argumentar em sobre algo”, finaliza a artista.

Foto interna I: Secretário de cultura, Francisco Marcos Rosseti Chamorro;

Foto interna II: Situação do palco do teatro municipal;

Foto interna III: Artista Társila Bonelli;

Foto interna IV: Painel com arte de Ed Alvarenga, no Sucata Cultural.

 

Fonte: Dourados News

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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