Poço sem fundo? Schalke empilha erros, trocas de técnico e flerta com a terceira divisão
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Os dias de glória do tradicional Schalke 04 estão cada vez mais distantes. Heptacampeão alemão, o clube tem uma das maiores torcidas do país, mas se encontra em um abismo que parece não ter fim.
Nesta quarta-feira (27), a diretoria dos Azuis Reais anunciou a demissão de mais um técnico – Thomas Reis. No momento, o Schalke é o antepenúltimo colocado na segunda divisão da Bundesliga e, se o campeonato terminasse hoje, o time disputaria um playoff para permanecer na segundona.
A crise no Schalke não é de hoje. Ela se intensificou a partir da temporada 2020/21, quando os torcedores do clube não puderam comemorar sequer uma vitória por quase um ano. O abismo técnico e tático ficou refletido no massacre sofrido diante do, um dia rival, Bayern de Munique, pelo placar de 8 a 0.
O rebaixamento veio com quatro rodadas de antecedência, lanterna, e apenas 16 pontos somados em 34 rodadas do Campeonato Alemão. Os Azuis Reais venceram a segunda divisão, voltaram à Bundesliga, mas apenas para darem novo vexame. Em 2022/23, o Schalke foi o penúltimo colocado e caiu novamente de divisão.
Outra marca nada invejável também foi atingida com sucesso no Alemão. Entre 2019 e 2023, o Schalke 04 ficou incríveis 38 partidas sem obter uma vitória atuando longe de seus domínios. Os quatro anos de hiato aconteceram entre triunfo sobre o Werder Bremen, em novembro de 2019, e a vitória sobre o Bochum, em março de 2023.
Desde 2020, o Schalke segue religiosamente sua receita de triturar técnicos: simplesmente nove comandantes diferentes estiveram no banco da equipe sediada em Gelsenkirchen. Com a saída de Thomas Reis, o número vai subir para dez. Outro problema que se agravou no clube, desde a pandemia, foi a questão financeira. A saúde do Schalke, que já não estava em dia, ainda piorou com o término da parceria com a empresa russa de energia, Gazprom, por conta da invasão à Ucrânia.
A ineficiência da diretoria dos Azuis Reais foi notória com os jogadores formados na categoria de base. Se, por um lado, o clube conseguiu boas vendas de suas joias – casos de Leroy Sane (vendido por €52 milhões ao City), Julian Draxler (vendido por €43 milhões ao Wolfsburg) e Thilo Kehrer (vendido por €37 milhões ao PSG), por outro, as negociações de renovação se provaram falhas.
Por conta disso, jogadores vitais para o clube passaram a deixar Gelsenkirchen sem custos. Essa onda teve início em 2016, com o zagueiro Joel Matip, que rumou para o Liverpool, livre, com apenas 23 anos. O camaronês disputou mais de 200 jogos pelo Schalke e segue nos Reds até hoje.
A seguir, o lateral Sead Kolasinac fez o mesmo trajeto. O defensor não chegou a um acordo com o Schalke e acertou com o Arsenal. A trinca de jogadores que trocaram a Alemanha pela Premier League de graça foi finalizada por Max Meyer. O meia rumou ao Crystal Palace.
Quem também não poderia ficar de fora foi o Bayern de Munique. Sempre de olho nos talentos de outras equipes alemães, os bávaros “tomaram” o meia Leon Goretzka, sem despender nenhum centavo, no ano de 2018. O goleiro Alexander Nübel, outra grande promessa, foi outro a dar o salto ao principal clube da Alemanha mesmo na condição de suplente de Manuel Neuer.
Em 2023, o Schalke vive o ano mais nebuloso de sua história. O lado mais fraco, no caso o técnico, paga pelas escolhas erradas que vão se acumulando há quase uma década. Um dos times mais tradicionais da Alemanha flerta com a terceira divisão em uma receita que já foi vista diversas vezes mundo afora. Sair do buraco é sempre mais difícil do que entrar.
Fonte: Ogol
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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