Colunas
Anuncie Aqui
A zebra, o azarão ou o underdog. Embora a expressão popular para aquele desacreditado, com menos favoritismo que avança sob condições improváveis, não exista tradução específica para o espanhol, na Argentina o sinônimo já foi encontrado. Chaco For Ever, o diminuto e encantador clube argentino que fez a cidade de Resistência sonhar na Copa da Argentina. Chegou tão longe como nunca antes visto na história daquele país, mas sucumbiu nas quartas de final. O engraçado é que não faz diferença.
A campanha dos chaqueños foi tão aleatória que requereu explicações no próprio país. Não é exclusividade sua, leitor, mas também de quase todo argentino que um dia já se perguntou: “mas que diabos é Chaco For Ever?”.
O nome advém de uma solução dos fundadores para a equipe ser mais “democrática”. Contam os registros da história que, originalmente, o clube seria chamado de San Fernando, homônimo ao departamento a qual pertence. Porém, na reunião da fundação havia um integrante inglês, o que levou a um acordo para que o idioma estrangeiro fosse incluído no nome. Há uma outra série de exemplos dessa influência inglesa, como no River Plate ou All Boys.
Não é como se o Chaco For Ever fosse um mero desconhecido no país, não é. A equipe, na verdade, é tida como uma das mais tradicionais do interior da Argentina – onde, diferente da grande Buenos Aires, raramente florescem grandes clubes. Os rivais de Rosário, Newells e Central, são os principais exemplos. Acontece, porém, que os chaqueños sequer se destacam na segunda divisão nacional. O clube vem com uma história turbulenta desde o final da década de 90, que envolve falência, passagem por torneios regionais (semiamadores), até a reestruturação financeira nos últimos anos.
Toda e qualquer Copa é um ambiente propício para histórias como a do Chaco. No Brasil, facilmente vão se lembrar de Santo André e Paulista, campeões da Copa do Brasil, e também de Brasiliense, Ipatinga e afins que fizeram campanhas que derrubaram gigantes. Na Argentina o contexto é mais ou menos o mesmo.
O primeiro jogo do Chaco For Ever foi contra o Sarmiento de Junín, da elite argentina, e o time avançou na disputa de pênaltis. Na fase seguinte, triunfo contra o Rosário Central, no jogo quiçá dos mais importantes da história do clube. Em uma partida dramática, decidida a dois minutos do fim do tempo regulamentar e suportando uma grande pressão durante os acréscimos.
Sempre com o dinheiro contado para a passagem, como aquele trabalhador que conta os centavos para entrar no ônibus, o Chaco For Ever cometeu o crime mais uma vez. Nas oitavas de final, o clube avançou contra o ainda mais modesto Villa Mitre, da terceira divisão. As favas foram igualmente contadas, passando apenas nas penalidades.
O conto de “favas”, porém, ainda parecia ter mais capítulos pela frente. Na inédita quartas de final, o adversário foi o Defensa y Justicia, semifinalista derrotado da Sul-americana e sexto colocado do Campeonato Argentino. O jogo, mais uma vez, foi para os pênaltis, mas desta vez não deu para nosso Chaco For Ever. E não fez lá grande diferença porque, desde o início, clubes como o Chaco já entram eliminados nesses torneios. Na Copa da Argentina, que dá vaga para a próxima Libertadores, sobraram apenas clubes da elite e já acostumados aos torneios internacionais.
Para os Eternos, como são conhecidos os torcedores do Chaco For Ever, esta Copa da Argentina talvez tenha sido a Libertadores deles. Longe de casa, a mais de 500 quilômetros, a torcida fez a festa em Santa Fe. No torneio organizado pela federação argentina, os jogos da Copa acontecem sempre em campos neutros, mas nem as quase 7 horas de viagem e muito menos a derrota impediram a festa. Quem já superou a falência e passou até pelos torneios semiamadores, tem o gosto singular de aproveitar qualquer felicidade que o esporte entregar. Afinal, o tal integrante inglês da reunião fez bem para você Chaco, For Ever.
“Não me importa o que digam
O que digam os demais
Eu te sigo em qualquer lugar
Pra te ver jogar”
(trecho da música cantada pela torcida na partida contra o Defensa y Justicia)
¡Hinchada hay una sola! 🗣️🏁#ChacoEsForEver🏁 pic.twitter.com/XwqR7JvNyz
Fonte: Ogol
Anuncie Aqui
Alcance milhares de leitores
Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
Ver mais matérias
Comentários