País do carnaval?, por Rodolpho Barreto
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País do carnaval?, por Rodolpho Barreto
NÃO É O PAÍS DA EDUCAÇÃO? Se há uma questão que há décadas atormenta o Brasil e o ajuda a manter-se na posição ingrata de “país do futuro” que nunca chega, é a falta de uma educação de qualidade. Rankings e avaliações internacionais periodicamente nos lembram o quão atrasado estamos em relação a outros países quando o assunto é educar bem – o que impacta diretamente no desenvolvimento social e econômico do país. Em todos os níveis, das séries iniciais à pós-graduação, o sistema educacional brasileiro patina desastrosamente. Trata-se de um problema sério e grave, que não vai ser resolvido com gritarias e militância política, como se viu no Conae 2024, que serviu até de palanque para Lula pedir votos para seus candidatos a prefeito e vereador. (gazetadopovo.com)
Participantes relataram falta de transparência na organização, ausência de espaço para debate, excesso de entidades e grupos alheios à educação e que qualquer tentativa de contrapor as propostas do governo era rechaçada. O deputado Gustavo Gayer (PL-GO) publicou em sua conta no Instagram um vídeo que mostra um pouco do que foi o evento. Entre outras coisas, a gravação mostra um livreto com título “Por que discutir gênero na escola?” e bottoms em apoio ao Hamas, grupo terrorista da Palestina. Em outro trecho do vídeo, um rapaz que se diz representante do movimento LGBTQIA+ afirma que “a gente está formando militantes mesmo. A gente precisa manter viva a militância em sala de aula”.
Não há menção ao que poderia, de fato, impactar positivamente na qualidade do ensino e incrementar o nível de aprendizado, as habilidades em ciências, matemática e linguagem dos estudantes brasileiros. É estarrecedor pensar que a nossa educação continuará a ser pautada por teses aberrantes como as apresentadas no Conae 2024, que priorizam a formação de militantes e discussões identitárias em vez da própria educação. Talvez interesse ao governo de Lula e seus aliados que a educação brasileira continue entre as piores do mundo. O Brasil precisa de um sistema educacional de qualidade, capaz de formar estudantes com excelência acadêmica e humana, que leve o país em direção ao desenvolvimento social e econômico e não mais um projeto de manutenção do atraso.
NÃO É O PAÍS DA ESPERANÇA?
Um sentimento – que já perdura algum tempo, a propósito – toma conta de muitos brasileiros: a descrença com o seu próprio país. E há um perfil traçado para os descontentes que são homens e mulheres que não são pessimistas, mas que se mostram preocupados com a situação nacional. Em suma, os cidadãos de bem e que amam a pátria, cumprem as leis, são trabalhadores, pagam os seus impostos e contribuem para o desenvolvimento do país. Mais que isso: são brasileiros que já não conseguem esconder seu desapontamento com a elite pensante, com a grande parte da mídia e principalmente com a classe política, atribuindo a esses segmentos da sociedade grande parte das mazelas a nível nacional. Não faltam razões para a desesperança. (Samuel Hanan)
Incontáveis são as falas prontas que mencionam o: Estado Democrático de Direito, a democracia, o meio ambiente, a constituição cidadã, dentre outros termos que embelezam discursos pomposos porque, de fato, são fundamentais a toda e qualquer nação livre. Contudo, tudo soa como cinismo, porque o discurso não é acompanhado das ações práticas que o brasileiro espera há tanto tempo e em vão. O que se vê com frequência é a repetição da retórica da preocupação com a população mais pobre sem a adoção de medidas para mudar essa realidade. Ora, teorias e excessos de narrativas não salvam nações, não mudam o jogo, mas sim, os atos e as suas medidas efetivas. Os brasileiros anseiam por menos discursos, menos promessas, menos mentiras e mais ações.
“Sem educação não há salvação”, alardeia antigo chavão, sempre repetido, porém jamais levado a sério no país onde educação nunca foi, de fato, uma prioridade. Em vez de dar o exemplo, a classe política cria mais privilégios para si. Não se cortam despesas milionárias que custeiam o luxo de quem está no poder. A corrupção – que custa tão caro ao país – não é combatida (muito pelo contrário), alimentando a sensação de impunidade na sociedade e o falso sentimento de que o crime compensa. Vivemos num país onde se desenvolve soluções verbais para problemas reais: fome, miséria, violência, falta de saneamento, saúde precária e educação capenga. O Brasil precisa de mais verdades e atitudes e menos de promessas e fantasias, que ficam bonitas nos discursos, porém não mudam a realidade.
NÃO É O PAÍS DO AMOR?
O casamento de Bruno Dantas com Camila Camargo movimentou São Paulo – e muitos recursos públicos. Em reportagem do “Estadão”, consta que 13 ministros do governo estiveram presentes e que muitos foram “de carona” com Lula – ou solicitaram aviões da FAB. Entre os presentes estavam Geraldo Alckmin; sete ministros do STF e os governadores do Pará, Helder Barbalho, e do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. Eles dividiram espaço com grandes empresários. A lista incluía também os irmãos Joesley e Wesley Batista, do grupo JBS, e o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay; o ministro da Fazenda, Fernando Haddad; o ex-presidente José Sarney e o senador Randolfe Rodrigues. Que turma maravilhosa, todos “muy amigos”! A lista foi publicada pelo site Poder 360.
Bruno Dantas, que foi citado como um dos potenciais candidatos de Lula para o STF, foi delatado pelo ex-governador Sérgio Cabral, em 2021. Segundo o ex-governador do Rio de Janeiro, Dantas recebeu uma mesada de R$ 100 mil de um empresário carioca. A delação foi anulada no mesmo ano pelo STF. Em 2023, o ex-governador se retratou da acusação. Ao ler sobre o casamento, a lista de presentes, o uso de aviões da FAB, temos a imagem do que é o “sistema”, da elite brasileira que adora políticos – e governos, especialmente de esquerda. Muitos nomes ali seriam perfeitos para ilustrar os tais “monstros do pântano”, de que falava Paulo Guedes. É a casta que adora o poder. “E o povo vai comer o quê? O povo, ora, o povo que coma brioches!”, escreveu o “Estadão”.
A menção à suposta fala de Maria Antonieta é adequada, pois retrata bem o abismo entre “corte” e povo, na véspera de uma revolução contra a monarquia francesa. “Uma super dose de puro patrimonialismo, que é irmão do clientelismo, duas pragas do Brasil”. Num sistema de favorecimento aos “amigos do rei”, as conexões políticas são tudo, pois o Estado é hipertrofiado e controlador. Empresários se lambuzam em esquemas e subsídios estatais, e se no comando estiver um corrupto comunista, ainda melhor para eles! O ladrão voltou à cena do crime, como diria Alckmin. E a elite está em festa! O amor venceu, e o Brasil voltou. Qual Brasil? Esse aí, da festança, com os figurões de Brasília, todos blindados do povo, fechados em suas bolhas, torrando dinheiro público à vontade! (Rodrigo Constantino)
NÃO É O PAÍS DA JUSTIÇA?
Em sua “decisão monocrática”, Toffoli deu de presente 10,2 bilhões de reais para a J&F, a dona da maior indústria de carnes no Brasil, e outros 3,8 bilhões para a construtora Odebrecht. Por conta de crime de corrupção ativa, ambas empresas estavam sentenciadas a pagar 14 bilhões de multa, valor que seria recolhido ao Tesouro Nacional. O ministro simplesmente anulou o débito. É a justiça social que o STF faz hoje no Brasil: dinheiro que tinha de estar no cofre público é tirado de lá e entregue a bilionários, para que fiquem ainda mais bilionários do que já são. Não daria para separar uns trocados dessa dinheirama e dar para “os pobres” que Lula está sempre querendo salvar? Não, não daria: tem de ir tudo para o bolso da J&F e da Odebrecht. E viva o carnaval!
“Salvar pobre” é para discurso em auditório fechado. Moeda sonante é para os magnatas amigos de Lula e do STF; é só pedir na “justiça” e correr para o abraço. Mas mesmo que se deixe de lado a questão moral, fica o problema do déficit para o ministro Haddad (e para o Brasil). É missão impossível. Como é que ele poderia trabalhar no déficit se um ministro do STF, sozinho, aumenta o rombo das contas públicas em 14 bilhões de reais? A cifra, de uma canetada, equivale a 6% do déficit inteiro do Brasil em 2023. Há alguma coisa profundamente errada num país em que um único juiz, sem se importar com nenhum tipo de consequência, é capaz de produzir 6% do déficit nacional. (JR Guzzo)
“Essa não é uma decisão isolada do ministro Dias Toffoli, nesse sentido de um gesto de reaproximação do governo PT, porque o Toffoli, ele mudou ao longo dos últimos anos, desde a Lava Jato (…) e ele veio modificando o posicionamento dele, como a gente acabou de mostrar, que é para atender a um pleito do PT, o Rui Falcão, deputado federal, a turma do Prerrogativas”. Essa foi a fala da jornalista Andréia Sadi na Globo News, “justificando” mais uma decisão de Toffoli que beneficiou a turma do partido para o qual ele advogou antes de virar ministro supremo. Inacreditável a naturalidade com a qual a imprensa trata o suposto esforço de um juiz do STF para se reaproximar de um partido político, de agradar figurões petistas. Não deveria o Judiciário ser imparcial, com a missão de atuar como guardião da Constituição? Onde fica a independência entre os Poderes? (gazetadopovo.com)
NÃO É O PAÍS DA HONESTIDADE?
Qualquer estudante de Direito compreende o absurdo do que estamos vivendo, mas alguns da “grande” mídia insistem na banalização da bagunça que a turma da esquerda corrupta fez com o país. Nem todos, claro. Vale notar que Toffoli foi tão longe e escancarado dessa vez, que até os jornais, antes simpáticos aos abusos supremos, se manifestaram contra. No “Estadão”, Raquel Landim publicou texto com a manchete: “Legado de Toffoli é minar a confiança no Brasil”. No subtítulo ela diz: “Minar a credibilidade de um país afeta severamente não só a economia, mas a própria democracia”. Na “Folha”, Dora Kramer escreveu: “O silêncio dos coniventes: Executivo e Judiciário olham inertes a anulação de ilícitos expostos em excesso de provas”. O “Globo” colocou em seu editorial: “Decisão de Toffoli sobre Odebrecht deveria ser revista: Brasil não pode jogar por terra confissões em vídeo e milhares de páginas com provas de corrupção”.
Com raras e honrosas exceções, o fato é que a “grande” imprensa agiu como cúmplice do consórcio no poder, que recolocou o ladrão na cena do crime, como disse Alckmin (uma frase tão curta e tão verdadeira que jamais pode ser esquecida). E agora alguns ficam espantados com um ex-advogado do PT tomando decisões bizarras que favorecem os antigos comparsas da corrupção petista? A velha imprensa esteve empenhada até aqui em normalizar o absurdo: os abusos, as ilegalidades, a falta de ética, a desonestidade… Fica estranho, depois de tantas “passadas de pano”, a imprensa só agora constatar: “Que absurdo!” (Rodrigo Constantino)
Fonte: Dourados News
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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