Censo 22 revela maior oferta de saneamento básico no MS, mas desigualdade social limita serviços
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Censo 22 revela maior oferta de saneamento básico no MS, mas desigualdade social limita serviços
Dados do Censo 2022 divulgados nesta sexta-feira (23/2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam aumento na oferta de saneamento básico em todo o território do Mato Grosso do Sul, onde em alguns serviços como a coleta de esgoto, o avanço foi superior a 100%. Em contraponto, quando comparados os resultados com a distribuição dos serviços por cor e raça, a desigualdade social evidencia a menor cobertura para pessoas indígenas.
Segundo o Governo Federal, o saneamento básico compreende os serviços de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgotos, limpeza urbana, coleta e destinação do lixo e drenagem e manejo da água das chuvas. A mostra que a população branca é a que mais recebeu os serviços em 2022, seguida pela população preta, amarela, parda e, em último lugar, a indígena.
Cobertura da coleta de esgoto cresceu 114%
Entre os dados pesquisados na elaboração do Censo 2022 está o tipo de esgotamento sanitário existente nos domicílios onde havia banheiro ou sanitário. O resultado apontou que o tipo mais comum é o esgotamento por “Rede geral ou pluvial”, presente em 462,8 mil de domicílios, nos quais moravam 1,25 milhão de pessoas, o que representa 45,8% da população.
Outros 3,1% da população declarou possuir fossa séptica ou fossa filtro ligada à rede. O conjunto dessas duas categorias corresponde ao conjunto de domicílios conectados a algum serviço público que colete e afaste o esgoto domiciliar.
Em 2022, 48,9% da população foi atendida por coleta de esgoto, número 114% maior que o registrado em 2010. Na comparação nacional, o Mato Grosso do Sul figura na décima terceira posição entre os estados com maior cobertura, onde São Paulo aparece em primeiro com 90,77% e a menor proporção fica com Amapá 10,95%.
“Entre os serviços que compõem o saneamento básico, a coleta de esgoto é o mais difícil, pois demanda uma estrutura mais cara do que os demais. O Censo 2022 reflete isso, mostrando expansão do esgotamento sanitário no Brasil, porém com uma cobertura ainda inferior à da distribuição de água e à da coleta de lixo”, explica Bruno Perez, analista da pesquisa.
Aumento na distribuição de água
Segundo os dados do Censo 2022, o atendimento por rede geral de distribuição de água cresceu 4,33% no Mato Grosso do Sul, se comparado com Censo 2010. Essa é a forma principal de abastecimento no território, que abrange 854.236 mil domicílios, com cerca de 2,7 milhões de pessoas, ou seja, 87,20% da população residente no estado.
Coleta de lixo atende cerca de 90% da população do MS
Aproximadamente 980 mil domicílios em todo o estado são atendidos pela coleta de lixo, um montante de 885 mil pessoas, o que representa 90,33% da população. No Censo de 2010 o percentual era de 86%. O número é a soma dos 87,8% que tinham o lixo coletado no domicílio e dos 1,9% cujo lixo era depositado em caçamba de serviço de limpeza e então, coletado pela empresa.
Os dados ainda revelam que 8,44% da população moravam em domicílios cujo lixo era queimado na propriedade, em 1,13% era enterrado, 0,14% jogado em terreno baldio, encosta ou área pública e 0,60% tinham o lixo descartado em outro destino.
Indígenas têm menor acesso a serviços de saneamento básico
O censo 2022 mostrou um dado alarmante quando relacionado o acesso ao saneamento básico por cor ou raça dos moradores. Conforme os números, a população indígena é a que menos recebe os serviços, onde em relação a coleta de esgoto, apenas 26,4% da população indígna em todo o Estado é atendida. 76,7% dos indígenas sul-mato-grossenses recebem abastecimento de água e, ainda, 26,4% do grupo tem acesso a coleta de esgoto em suas residências.
O mesmo ocorre a nível nacional, como explica o pesquisador Bruno Perez. “Em todos os 20 municípios brasileiros mais populosos, a população de cor ou raça branca tem mais acesso a abastecimento de água, esgotamento sanitário e coleta de lixo do que a população de cor ou raça preta, parda e indígena”.
Dourados possui a maior reserva indígena do Brasil, composta pelas Aldeias Jaguapiru e Bororó, com quase 20 mil indígenas das etnias Guarani, Kaiowá e Terena, distribuídos em uma área de 3,5 mil hectares. A falta de abastecimento de água no local é um problema que perdura por anos e que tem gerado constantes conflitos, manifestações, discussões políticas e poucas soluções.
Em 2022 no Mato Grosso do Sul, 93,1% da população branca teve acesso ao serviço de coleta de lixo, 91,7% ao abastecimento de água e 76,8% ao esgotamento. Em segundo lugar vem a população preta, seguida pela amarela e parda, deixando a população indígena em último lugar, como aponta o gráfico.
Fonte: Dourados News
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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