Contrariando laudos, músico enfrenta reabilitação pós-acidente com fé, coragem e rede de apoio
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Contrariando laudos, músico enfrenta reabilitação pós-acidente com fé, coragem e rede de apoio
Com 27 anos, um filho de oito meses e prestes a gravar um projeto audiovisual de pagode, o músico douradense João Paulo Lopes teve o roteiro da vida alterada em uma fração de segundos, ao ser vítima de um acidente de trânsito em 20 de fevereiro de 2022.
Ele e a esposa, Amanda Haran, saíram de uma casa de shows localizada na Avenida Marcelino Pires, onde João Paulo havia se apresentado. Devido à logística, os dois e o cunhado, decidiram acionar um carro de aplicativo para ir embora, separados dos demais músicos.
Segundo João Paulo, às 23h35, o transporte chegou e eles embarcaram. Cerca de 2 km depois, no cruzamento da Rua Dr. Camilo Ermelindo da Silva, com a avenida, o motorista parou no sinal vermelho e, assim que o semáforo abriu, o carro foi atingido por uma caminhonete.
O motorista de aplicativo, que estava na faixa central, acelerou a cerca de 10 km/h e a caminhonete tentou desviar, mas colidiu do lado direito, onde João estava sentado, em uma velocidade de 130 km/h. Após a batida, o veículo onde o casal seguia, colidiu em outros dois.
Em milésimos de segundos, tudo mudou. João foi o único a ficar acordado, “vi tudo acontecer, só que na hora fiquei sem audição, fica aquele zumbido e aí a imagem ficou preta e branca e quebrada, como se fosse um vidro que você taca pedra e parece uma teia de aranha”, relembra.
Ele conta que, pouco tempo depois, a imagem se reconstruiu e retomou a consciência do que havia acontecido, quando viu Amanda acordando ao seu lado, e, por se o único que viu o ocorrido, começou a acalmar os demais ocupantes do veículo.
O motorista e o irmão de Amanda, que estavam no banco da frente, conseguiram sair sozinhos. O Corpo de Bombeiros foi acionado e precisou cerrar o veículo para retirar o casal do banco traseiro. Nesse momento, João diz que já notava dor no local da lesão e não sentia o movimento das pernas.
Mesmo com o susto, o músico afirma que não se desesperou devido a sua fé. Ele relembra que antes do acidente, quando trabalhava vendendo internet na rua, sempre pedia a Deus, “me dá a fé de Jó e a força de guerreiro de Davi para eu passar por tudo o que tiver para passar”.
E dessa mesma forma, João foi retirado do veículo, clamando a Deus, “saí do carro fazendo oração, quando deitei na maca, apaguei”. João não se recordava, mas ele e Amanda foram levados para o Hospital da Vida, onde começou uma verdadeira batalha pela vida.
Amanda relembra que os médicos começaram a riscar as pernas do marido e, ao dizer que não sentia os toques, foi transferido para o Hospital Universitário da UFGD, devido à gravidade do caso. Lá, ele lembra que abriu o olho e viu a tia chorando, dizendo que ficaria tudo bem.
Em seguida, João voltou a ser internado no Hospital da Vida e precisou de uma autoclave para passar por um procedimento cirúrgico, porém, a unidade não tinha um aparelho disponível. Foi então que um médico aconselhou que procurassem outro hospital, pois João corria risco de vida.
Encaminhado para o Hospital Evangélico, no dia 23 de fevereiro, o músico passou por uma cirurgia que durou 14h. Para isso, familiares e amigos se uniram para fazer uma “vakinha online” a fim de arcar com os custos dos na rede particular.
João relembra que a ação foi lançada às 22h e 6h da manhã já tinha metade do valor do procedimento, “em dois dias, a gente conseguiu levantar todo o valor da cirurgia”, comenta Amanda. Ao todo, os custos no primeiro momento foram aproximadamente R$ 150 mil.
Após receber alta, o douradense começou a se readaptar a uma nova rotina, “com coragem, fé e rede de apoio”, como diz ele. Afastado dos palcos, o casal continua realizando ações para arcar com as despesas, que são muitas.
De acordo com João, entre fisioterapias, insumos, fraldas, os custos chegam até em R$ 8 mil por mês. No começo, ele recebeu auxílio doença, depois se aposentou com um salário mínimo, porém, o valor nem se aproxima dos custos reais para manter a sua qualidade de vida.
Além disso, eles estão com ações sociais ativas a fim de levantar recursos para ir à São Paulo, pela segunda vez. Conforme o casal, os tratamentos oferecidos lá são mais avançados e contribuem para o desenvolvimento de João.
Amanda comenta que, pela gravidade do acidente, eram mínimas as chances de ele voltar e se recuperar, “era para o João só mexer o olho, ou ele ia ficar vegetativo, ou ele ia morrer, eram as duas opções que ele tinha”, mas ele tem recuperado para dar o testemunho.
O músico relata que não chegou a entrar em depressão, porém, teve crises de pânico e ansiedade, que duraram cerca de 15 dias, “cheguei a ficar acordado 72h porque quando todo mundo dormia, eu tinha medo de passar mal e morrer”, mas a fé o tirou desse ciclo de angústia.
Com a medula ainda inchada, processo que demora por volta de dois anos, ele afirma que, hoje em dia, o objetivo principal é ter qualidade de vida, “posso voltar a andar, mas não tem uma porcentagem exata”, tudo depende de como o corpo se adaptará aos tratamentos.
Diante dos laudos negativos e das batalhas enfrentadas até hoje, João diz que se considera um milagre, “se você tiver esse pilar, fé, se você tiver coragem de lutar todos os dias e uma rede de apoio em volta de você, com certeza a sua evolução vai ser gigantesca”.
Volta aos palcos
O músico douradense trabalha no ramo há mais de 18 anos e precisou ficar cerca de um ano e seis meses longe dos palcos devido à recuperação do acidente. Além do sustento da sua família, a música sempre foi parte essencial da vida de João.
O retorno aconteceu inesperadamente, quando foi prestigiar um trio de amigas na Praça Antônio João, sendo chamado para cantar. Depois disso, ele conta que começou a receber mensagens pedindo para que voltasse a se apresentar, mas ainda não se sentia preparado fisicamente.
Já em agosto de 2023, a fim de levantar recursos para o tratamento, a família organizou uma feijoada e, oficialmente, o músico voltou aos palcos e arrancou muitas lágrimas, “foi uma comoção muito grande dos meus familiares e amigos que estavam lá porque eles conhecem a minha história, passaram tudo comigo”.
Com sonho de retomar o projeto de gravar um audiovisual, planejado pouco antes do acidente, João diz que agora a música tem outro significado em sua vida, que é levar uma mensagem de fé, amor, família, de acreditar e não desistir dos sonhos.
“Hoje, mais do que apenas cantar para fazer sucesso, hoje tenho uma mensagem muito mais forte do que antes e eu defendo uma causa e um propósito muito maior do que antes”, é ser representatividade e incentivar pessoas com deficiência a viverem.
Ações
Para comprar a rifa, clique neste link.
Para participar da vakinha online, clique aqui.
Pix – 67996306100 (João Paulo Elias Rodrigues Lopes / 077 – Banco Inter)
* Segunda foto, interna – Amanda Haran, esposa de João.
Fonte: Dourados News
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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