Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2026
Menu
DOURADOS

“Vivas e Livres”: movimentos pedem igualdade, direitos e fim da violência contra a mulher

08/03/2024 às 18:31
3 min de leitura

Anuncie Aqui

“Vivas e Livres”: movimentos pedem igualdade, direitos e fim da violência contra a mulher

Em alusão ao Dia Internacional da Mulher, grupos de movimentos sociais foram para as ruas em uma marcha com o tema “Vivas e Livres: Uma Grande Dourados para as Mulheres”. A concentração ocorreu na praça Antônio João, nesta sexta-feira (8).

Ao som da música “Triste, Louca ou Má”, especificamente no trecho “e um homem não me define, minha casa não me define, minha carne não me define, eu sou meu próprio lar”, várias pessoas se uniram na área central de Dourados para lutar, mais uma vez, pelos direitos das mulheres.

Naara Siqueira de Aragão, coordenadora da Frente Feminista e uma das organizadoras do evento, cita que o ato coletivo em favor das mulheres é necessário diante de tantos casos de violência, da desigualdade salarial e também da falta de espaço na política.

“A gente tem muito a conquistar e a marcha tem importância por causa disso, é o momento em que a gente coloca as nossas pautas, reivindica nossos direitos enquanto mulheres trabalhadoras”, comenta Naara.

Entretanto, ela relata que ainda há um estereótipo e até criminalização em relação as manifestações feministas, como se as mulheres quisessem tomar o lugar dos homens, quando, na verdade, é uma luta por direito de igualdade.

A professora Stela Ramos também esteve presente no ato por considerar um momento importante de representatividade, de mulheres e trabalhadoras, “nós somos fonte de trabalho, fonte de renda, sustentamos os nossos lares”, afirmou.

O movimento ressalta a necessidade de projetos de educação; debates sobre situações de misoginia e o machismo; a importância de aprimorar a execução e prestação dos serviços públicos de saúde e o combate à desigualdade social e salarial.

Professora e membro da Secretaria dos Trabalhadores Antirracismo e Defesa da Diversidade do Simted (Sindicato Municipal dos Trabalhadores em Educação), Alline Roberto da Silva chama a atenção para o fato da maior parte da força de trabalho nas escolas ser composta por mulheres.

“A educação envolve diretamente as mulheres, por isso, hoje a gente pede e milita por melhores condições de trabalho”, além disso, comenta sobre a dificuldade de serem ouvidas até mesmo por outras mulheres, ao serem vistas como revolucionárias.

“Esse ponto de vista é de uma forma pejorativo, mesmo sendo uma liderança, uma referência na escola, ainda temos dificuldades de sermos ouvidas”, comenta Alline. 

Outro ponto citado pela professora é a dificuldade de adesão ao movimento, por parte da sociedade, “mesmo as pessoas sabendo da importância da luta, elas se acomodam e esperam só de nós que estamos à frente, que a gente tome conta desse espeço de luta”, enfatizou.

Integrante da pasta de formação sindical do Simted, Rosemary Borin Cavalheiro, afirma que a sociedade romantiza o “Dia da Mulher” e, mais do que comemorações e presentes, a data simboliza um dia político e esse posicionamento deve ser revisto.

“A mulher vem de um processo de submissão porque a educação que nós recebemos, essa educação patriarcal, é de que a mulher tem que ser submissa ao homem, que o trabalho dela é cuidar dos filhos, cuidar da casa”, relembrou.

Contudo, Rosemary cita que, por uma questão de sobrevivência, a mulher precisou ir para o mercado de trabalho, mas não deixou os trabalhos doméstico, o cuidado com os filhos, com isso, acumula funções. 

“Temos que mostrar para sociedade que nós temos voz, que nós temos condições de ocupar espaços de poder e a gente sabe que essas conquistas, ao longo desses anos, foram através da luta, então muitas mulheres se sacrificaram para hoje a gente ter direito de voto”, diz ela.

Ela ainda enfatiza que, apesar de tantos esforços, há muito o que avançar, “a sociedade é patriarcal, tenta nos silenciar, então nós precisamos sim, dar visibilidade às mulheres e ocupar espaços”, conclui Rosemary.

Evanir Lopes de Souza, liderança da Comunidade Santa Fé, endossa o grupo e diz que o dia é importante, pois é um momento de luta, “é o dia que a mulher pode chegar e falar o que tem pra falar”, citando situações de agressões.

“A mulher tem que abrir a boca e falar, denunciar os crimes que estão sendo praticados contra elas”, citando as mulheres do campo, ela ainda afirma, “a mulher do campo é explorada sexualmente, no trabalho, explorada de todas as formas e ninguém olha, a sociedade fecha os olhos para essas mulheres”, finaliza.

* Foto galeria I: Naara Siqueira de Aragão

* Foto galeira II: Stela Ramos

* Foto galeria III: Alline Roberto da Silva

* Foto galeria IV: Rosemary Borin Cavalheiro

* Foto galeria V: Evanir Lopes de Souza

Fonte: Dourados News

Comentários

Anuncie Aqui

Alcance milhares de leitores

Imagem do avatar

Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

Ver mais matérias