O choro de Marinho
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Numa das cenas mais impactantes do futebol brasileiro na última semana, o atacante Marinho chorou abertamente, sem medo das câmeras. O atacante que foi o Rei da América de 2020 quando atuava pelo Santos ficou aos prantos com a camisa do Fortaleza após ser vaiado pela torcida tricolor no Castelão devido a mais uma má atuação. O choro de Marinho foi registrado pela repórter Marta Negreiros, do Sistema Verdes Mares.
É bem verdade que Marinho nem de longe rendeu o esperado com a camisa do Fortaleza. Contratado no segundo semestre do ano passado, depois de falhar com a camisa do Flamengo, ele chegou com a expectativa de ser o cara do cada vez mais forte Tricolor do Pici. No entanto, nunca entregou o esperado.
Em 2024, Marinho disputou 25 jogos pelo Fortaleza, 12 delas como titular. Os números são de apenas 2 gols e 2 assistências, em jogos do Campeonato Cearense e Copa do Nordeste. Mais do que números, o desempenho preocupa e frustra os torcedores, com erros bobos e sem dar sequências às jogadas. O atacante ainda conta com um dos maiores salários do elenco.
O estopim foi contra o Botafogo, quando substituído aos 65 minutos, foi vaiado pela torcida no Castelão. As vaias pesaram e Marinho chorou… Marinho chorou porque ele não é só um jogador de futebol, e sim um humano, diferente do que muitos torcedores parecem não lembrar (e como culpar?). Marinho chorou porque obviamente ele não quer jogar mal ou estar abaixo do que ele mesmo já se mostrou capaz de fazer. A grande questão é se aos 33 anos ele ainda consegue entregar o que esperam dele. O que ele mesmo se cobra.
À coluna, o psicólogo clínico Vitor Guida, especialista em psicologia esportiva, explicou o impacto psicológico de um atleta de alto rendimento quando ele não consegue mais o mesmo desempenho alcançado em outro momento da carreira.
“Cada pessoa tem a experiência de um jeito. Então, o atleta pode sentir raiva, pode sentir tristeza, mas o que eu posso dizer é que tem grandes chances do atleta sentir uma certa desmotivação, uma certa desconfiança sobre ele mesmo, e o que é normal, o rendimento muda porque o corpo muda o tempo todo, a mente muda o tempo todo, as pessoas a nossa volta mudam, então nada se mantém pra sempre, e aí cabe ao atleta se adaptar a essas mudanças”, iniciou o especialista.
Conforme Guida, diversos fatores podem impactar o desempenho de um atleta de alto rendimento e muitos estão ligados a saúde mental.
“Corpo e mente são duas faces da mesma moeda. A gente não tem como pensar corpo sem mente, mente sem o corpo. Assim não tem como pensar performance esportiva sem a parte psicológica. Por mais que seja um atleta que esteja preparado fisicamente, que tenha habilidade, que tenha o histórico de ser bom atleta, que saiba jogar, seja lá a modalidade, no caso o futebol aqui. Então, se o atleta está com a parte psicológica, digamos, abalada, com certeza ele vai ter mais dificuldades. Dificuldade de performar e fazer o que ele sabe e deve fazer dentro de campo”, explicou.
“Se ele está estressado, ele tem menos energia, se ele está preocupado com outras questões da vida, ele não consegue focar e ele não continua evoluindo, se ele está desmotivado, ou se ele está inseguro sobre ele mesmo, chega na hora do jogo, ele se sente inseguro, ele não consegue ter liberdade, tranquilidade para fazer o que ele precisa. Então, são muitos fatores. Até um psicológico mais abalado pode aumentar risco de lesão, por exemplo”, continuou.
Em entrevista coletiva, o técnico do Fortaleza Juan Pablo Vojvoda ressaltou sua confiança em Marinho, mesmo diante das más atuações. O treinador ressaltou que o atacante se cobra por apresentar um melhor futebol.
“O Marinho fez uma partida correta, mas ele sabe que pode render mais. Por isso, que há essa cobrança dele com ele mesmo. Ele sabe da capacidade que tem. É um jogador que tem um compromisso importante e eu acredito nele. Estava chateado, como estavam todos os atletas chateados. É importante isso de olhar para si mesmo e tentar algo para melhorar”, disse Vojvoda.
Na última quinta-feira, Marinho deu o primeiro passo para dar “a volta por cima”, como ele mesmo afirmou. O atacante foi reserva do Fortaleza no jogo diante do gigante Boca Juniors, em plena La Bombonera. Ele entrou faltando 30 minutos para o fim e foi providencial com uma bela assistência para o gol de Kervin Andrade no empate no fim.
Após a partida, Marinho comentou o choro diante do Botafogo. “Jogo passado eu passei um momento que eu não queria, que eu não imaginaria viver, de carregar uma tristeza dentro de mim. Eu sou um cara que quando eu não vou bem, fico chateado, eu me cobro. Então às vezes eu fico triste, isso eu guardo para mim. Eu sabia que tinha que virar a chave, porque o jogo aqui era importante Eu estava esperando por esse momento. Sabia que esse seria um jogo da mudança, jogo da volta por cima.”
Não dá para cravar se Marinho aos 33 anos ainda consegue entregar o mesmo de antes, mas as ações e declarações mostram um atleta de alto rendimento que não está acomodado e que busca o seu melhor. É o que a torcida do Fortaleza espera.
Fonte: Ogol
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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