Paquetá, Endrick e o saldo dos testes de Dorival
Anuncie Aqui
O Brasil encerrou o último amistoso de preparação para a Copa América com empate diante dos Estados Unidos, em Orlando, por 1 a 1. Nos dois testes antes do torneio, Dorival alternou a equipe, enfrentou cenários variados e tirou algumas conclusões importantes. O treinador buscou um padrão, apesar de algumas variações táticas, e teve mais tempo para colocar sua cara na seleção.
Se nos duelos contra Inglaterra e Espanha, Dorival teve pouco tempo de preparação com o grupo, agora, a seleção já está junta nos Estados Unidos desde o final de maio. Há uma semana, Vinícius Júnior, Rodrygo e Éder Militão se juntaram ao grupo após levantarem a Champions com o Real Madrid, completando de vez o elenco.
Contra o México, dia 09, Dorival usou um time bastante longe do ideal que pretende começar a Copa América. O amistoso serviu para muitos testes. Embora a estrutura tática tenha mantido a mesma essência. Mudaram os jogadores. Mas os mecanismos eram parecidos.
Uma movimentação ilustra bem isso. Dorival vai procurar dar amplitude no campo pela direita com um ponta (Savinho ou Raphinha), e do outro lado com um lateral (Arana ou Wendell). O lateral direito, seja Yan Couto ou Danilo, jogará mais por dentro. O lateral construtor que Dorival tanto usou em seus trabalhos no Brasil.
O esquema base da seleção, em ambos os jogos, foi o 4-2-3-1. Durante os jogos, foi modificado algumas vezes para o 4-4-2 e para o 4-1-4-1, dependendo da circunstância da partida.
Saída de bola
Vamos iniciar nossa análise com nosso retrato mais recente, contra os Estados Unidos, também pela utilização dos titulares. Geralmente pressionado pela marcação adversária, o Brasil usa uma saída a três. Se optar por um jogo mais curto de Alisson com os zagueiros, a saída procura sempre Danilo, mais aberto na direita. Paquetá aparecia por aquele lado mais na frente para receber de costas e acionar Guimarães ou João Gomes, que progrediam pelo meio.
As linhas defensivas do adversário modificam os mecanismos de saída de jogo. Quando os EUA subiram um pouco mais, a saída a três é feita com Danilo ao lado dos dois zagueiros, Paquetá mais por dentro com Bruno Guimarães para receber em uma segunda linha, Wendell e Raphinha dando amplitude pelos lados para abrir o adversário.
Sem pressão, algo que aconteceu principalmente no segundo tempo, quando os estadunidenses recuaram, Marquinhos e Beraldo buscavam uma saída mais vertical. A qualidade de passe de Beraldo facilita, e muito, as coisas nesse momento, indicando que o jovem do PSG pode começar a Copa América entre os titulares.
Paquetá não é Bellingham
Na fase ofensiva, Dorival aproveitou um movimento coordenado de Vinícius Júnior e Rodrygo no Real Madrid para repetir algo parecido na seleção. Os pontas trocavam sempre quem jogava por dentro e aberto. Em vários momentos, Vini apareceu por dentro, e Rodrygo aberto na canhota. Movimentação que gerou dúvida algumas vezes nos defensores adversários.
Essa movimentação é interessante, também, para o ataque nas costas da linha da marcação. Os dois atacantes exigem, quase sempre, uma marcação dupla. Quando um sai, leva dois marcadores. Há espaço para atacar nas costas. Pelo outro ou por um meia.
No Real Madrid, Jude Bellingham tem excelente leitura de jogo nesses momentos. O britânico já jogou como falso 9, inclusive. Mas como meia, com Rodrygo e Vini se movimentando bastante na frente, conseguiu vários movimentos de ruptura para aparecer na área para decidir os lances.
Paquetá, entretanto, não é Bellingham. Não estamos falando, aqui, em termos qualitativos. São características diferentes. Paquetá é um meia mais do passe, com mais capacidade de jogar de costas para a marcação, reter a bola, trabalhar ela fora da área. Achar um passe nas costas da marcação… Bellingham aparece mais na área. Pisa na área para decidir. Dos 23 gols que fez na temporada, 21 foram na área. Paquetá marcou seis de oito na área, mas dois de pênalti e um em jogada de escanteio. Bellingham só fez um gol em cobrança de pênalti e dois através de lances de escanteio. A grande maioria saiu através de infiltrações.
E o que isso quer dizer?
Ao longo da Copa América, será inevitável a entrada de Endrick no time. Evanilson pode ser opção, também, mas sua atuação apagada contra os mexicanos o coloca atrás na fila para o jovem ex-jogador do Palmeiras.
A entrada de Endrick, entretanto, pode atrapalhar uma das dinâmicas de Dorival: a de ter pontas canhotos na direita para dar amplitude. Rodrygo teria de se movimentar por aquele lado, e Endrick coordenar movimentos com Vinícius no corredor central. Dorival ainda tem tempo, antes da estreia, para trabalhar essa movimentação nos treinamentos. Para que ela aconteça como uma alternativa de começo de jogo. E não que seja apenas emergencial, como foi contra os Estados Unidos.
Na reta final do duelo contra os estadunidenses, o Brasil jogou em um 4-1-4-1, com Douglas Luiz como único volante, Andreas e Rodrygo como referências criativas por dentro, Vini e Savinho abertos e Endrick no comando de ataque. É uma formação apenas para momentos emergenciais, contra rivais muito fechados. E com um placar desfavorável. Como era o 4-2-4 de Tite.
Qual será o time da estreia?
Ainda restam mais de dez dias para o Brasil estrear na Copa América. Muita coisa pode acontecer. Mas, pelo que o campo falou, pelo que Dorival espera do time, e pela forma como o técnico preparou a seleção para jogar a Copa América, o palpite para o time inicial (que deve mudar durante o torneio) é o seguinte:
Alisson; Danilo, Marquinhos, Beraldo e Arana; Bruno Guimarães e João Gomes; Paquetá; Raphinha, Rodrygo e Vinícius Júnior.
Fonte: Ogol
Anuncie Aqui
Alcance milhares de leitores
Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
Ver mais matérias
Comentários