Dourados lidera em registro de homicídios entre as maiores cidades do MS
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Dourados lidera em registro de homicídios entre as maiores cidades do MS
Edição do Atlas da Violência publicada nesta terça-feira (18/6) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) aponta Dourados com o maior índice de homicídios no Mato Grosso do Sul para cidades acima de 100 mil habitantes. Os números são referentes ao ano de 2022.
Conforme o material, no período do estudo foram registrados 46 homicídios e outros 23 crimes do mesmo tipo classificados de ‘ocultos’ [aqueles considerados mortes violentas, mas com causa indeterminada], totalizando 69.
Com uma população de 243.367 habitantes, segundo os dados do Censo mais recente, o percentual de crimes do tipo ocorridos em Dourados chega a 28,4 a cada grupo de 100 mil pessoas.
Para o Ipea, a proximidade do município com a região de fronteira seca com o Paraguai e a guerra entre facções criminosas são os principais fatores para justificar tal situação.
Ponta Porã, que não aparece com dados consolidados no levantamento, tem índice um pouco maior, de 33,7.
“(…) 2022 foi o terceiro ano seguido de crescimento da taxa estadual. Ponta Porã (33,7 – homicídios para cada 100 mil habitantes), o município limítrofe à cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero, tem uma posição estratégica como entreposto do narcotráfico internacional de drogas. Também no sul do estado, mas no interior, encontra-se o município de Dourados (28,4). O predomínio da violência vem novamente das disputas entre PCC e CV [facções criminosas predominantes na região] pelo controle do tráfico de drogas na região de fronteira, ainda que outros grupos criminosos já atuem no estado, sobretudo nos presídios”, explica a população.
Para efeito de comparação, outras duas cidades sul-mato-grossenses com dados consolidados publicados no Atlas da Violência, ficam abaixo de Dourados no estimado.
Campo Grande, com 898.100 habitantes registrou 178 homicídios – incluindo oito ocultos – apontando para 19,8% a cada grupo de 100 mil moradores. Já Três Lagoas, com população de 132.152, segundo o último Censo, tem índice de 17,4%.
Execuções
Os dados que apontam Dourados como o mais alto índice de homicídios são de 2022, porém, a guerra entre facções citadas pelo estudo continua acontecendo. Entre abril e maio deste ano, casos de violência provocados por esses grupos foram registrados em locais distintos.
O mais recente resultou no assassinato de Marcus Vinicius Felix da Silva, em 9 de maio. Ele foi atingido com vários tiros em um campo de futebol localizado na região do Jardim Guaicurus, bairro localizado no Sul da cidade.
O jovem chegou a ser socorrido para uma unidade hospitalar, mas não resistiu aos ferimentos e teve o óbito constatado horas depois.
Após as investigações, a Polícia Civil divulgou que o motivo seria uma rixa entre facções rivais, mas não detalhou o fato.
Em outra situação, Mario Sérgio de Oliveira Matos, 35, acabou executado com um tiro na cabeça na madrugada de 3 de abril.
Ele estava em um bar na Rua Filomeno João Pires, no bairro João Paulo II.
De acordo com as informações divulgadas pelo SIG (Setor de Investigações Gerais) na época, Mario era simpatizante da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) e o mandante do crime seria de outra organização.
O estudo
O Ipea utiliza para a contagem deste tipo de crime no estudo o ‘conceito estimado’, que é a soma dos homicídios registrados com os ocultos.
“Os homicídios registrados são aqueles provenientes do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde (MS), que correspondem aos óbitos causados por agressões mais as intervenções legais, segundo a décima Classificação Internacional de Doenças (CID-10) da Organização Mundial da Saúde (OMS). Já os homicídios ocultos são os óbitos classificados no SIM/MS como mortes violentas com causa indeterminada (MVCIs), mas que seriam homicídios”, relata.
Essas mortes por causas indeterminadas englobam “homicídios, suicídios ou mortes ocasionadas por acidentes, mas para as quais as autoridades não puderam ou não souberam estabelecer a causa correta”, afirma a publicação.
Para as taxas municipais, o Ipea utilizou os dados populacionais do Censo Demográfico 2022 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), “sem série histórica, apenas no ano de 2022, uma vez que os dados da PNADc não permitem o recorte por município”, diz o Instituto.
Fonte: Dourados News
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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