A demissão das expectativas irreais
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Na sexta-feira, o Atlético Goianiense anunciou a demissão do técnico Jair Ventura após 10 meses de trabalho. Como em muitas outras vezes no Brasil, o treinador parece ter sido vítima das expectativas irreais da direção do clube, causadas até mesmo por seu bom desempenho antes de uma queda de rendimento, que culminou a demissão. É como se o treinador fosse refém do seu próprio trabalho.
Jair Ventura assumiu o Atlético Goianiense na reta final de 2023, já com a Série B em andamento. O treinador comandou uma grande arrancada do clube, com a melhor campanha de um clube da Segundona desde que assumiu e o acesso à primeira divisão.
Chegou 2024 e o time de Jair Ventura foi extremamente dominante, sendo campeão goiano com enorme facilidade em toda a campanha e na final contra o rival Vila Nova. Em certo momento antes do início do Brasileirão, o Atlético Goianiense foi a equipe de melhor aproveitamento no Brasil.
Ao todo, Jair Ventura no comando do Atlético Goianiense teve 31 vitórias, 7 empates e 12 derrotas em 50 jogos, um aproveitamento de 66.7%. No período foram 95 gols marcados (quase dois por jogo) e 46 gols sofridos.
Chegou o Brasileirão e esse rendimento caiu, talvez mais em resultados do que em desempenho (e obviamente pelo maior nível de enfrentamento). O Dragão é o 16º colocado do Brasileirão, com 8 pontos em 10 jogos. A posição é comum com seu desempenho médio dentro da Série A e comum a clubes que sobem da segunda divisão e sofrem inicialmente para se manter. Das equipes que conquistaram o acesso em 2023, todas estão na parte de baixo da tabela.
No comunicado da demissão do treinador, o Atlético Goianiense informou que “vai em busca de um novo perfil profissional e de uma nova filosofia para o comando do time.”
A demissão parecia certa aos olhos mais atentos desde a quarta-feira, quando o Atlético Goianiense foi derrotado em casa para o Criciúma, com direito a gol no último minuto e com o atacante Luiz Fernando no gol após o goleiro Ronaldo ser expulso.
Na ocasião, o presidente do clube, Adson Batista, conhecido por sua gestão personalista, publicou no X (antigo Twitter) que o “Atlético não fez um bom jogo e não conseguiu ser superior ao Criciúma” e que a equipe precisa “melhorar muito”. Em movimento comum no clube, mas raro entre as gestões profissionais, a postagem foi republicada pelo perfil oficial do Atlético Goianiense.
Mais uma vez a arbitragem não interferiu na partida. O Atlético não fez um bom jogo e em momento nenhum conseguiu ser superior ao Criciúma. Repito, a arbitragem não teve nenhuma interferência na derrota do Atlético. Precisamos melhorar muito!
Após a demissão, Jair Ventura, um dos poucos treinadores com perfil oficial nas redes sociais, agradeceu ao Atlético Goianiense e a Adson Batista. No entanto, não deixou de enaltecer seu trabalho e dar mostras de insatisfação com a demissão.
“Agradeço a oportunidade de estar à frente do clube por 50 jogos. Juntos, conquistamos, em 2023, o acesso à Série A do Campeonato Brasileiro. Nesse ano, veio o título do Campeonato Goiano que resultou no Tri do Estadual inédito e também a quebra do recorde de vitórias consecutivas, que antes eram de 10 partidas. Com o empenho de todos chegamos a 15 vitórias seguidas”, publicou.
Agora o Atlético Goianiense vai em busca de um novo treinador e terá o resto do Brasileirão para saber se tomou a decisão correta. Jair Ventura, por sua vez, perdeu a fama de ‘retranqueiro’ e mostrou ter capacidade montar equipes ofensivas. Após trabalhos ruins, parece ter renascido no mercado.
Fonte: Ogol
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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