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‘Co-líder’ do Brasileirão, poderá o Bahia brigar pelo título até o fim?

29/06/2024 às 05:01
3 min de leitura

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Passadas 12 rodadas do Brasileirão, o Bahia tem sido a grande surpresa da competição, com campanha digna de um campeão. O Tricolor venceu seus últimos dois jogos, contra Cruzeiro e Vasco, e empatou com o líder Flamengo em pontos (24). A segunda posição é resultado de dois gols sofridos a mais do que o Rubro-Negro. Em Salvador, para evitar ser chamado de vice (apelido dado ao rival Vitória), alguns torcedores adotaram o termo co-líder. 

O primeiro terço do Brasileirão vai chegando ao fim e a pergunta que fica é: “O Bahia pode mesmo brigar pelo título?” A resposta somente o campo dará, mas o Tricolor ainda tem um longo caminho se quiser buscar o tricampeonato 36 anos depois de ser bi. A diferença agora está na gestão do Grupo City, em seu segundo ano administrando a SAF do clube, comprado por R$ 1 bilhão. 

Internamente e até mesmo em declarações do técnico Rogério Ceni, que indiretamente tem sido um porta-voz do Grupo City, a expectativa nunca foi de brigar pelo título brasileiro e sim de colocar o Bahia em uma competição continental e ter um ano mais tranquilo depois de se salvar do rebaixamento em 2023 somente na última rodada. 

Na entrevista coletiva depois da partida contra o Vasco, Ceni disse que o torcedor tem todo o direito de sonhar, mas pregou cautela quanto aos objetivos do Esquadrão no campeonato. Já nos bastidores divulgados pelo clube, o discurso é um pouco diferente. O treinador já chegou a questionar no vestiário: “Quando vocês vão começar a acreditar?”

“Acho que nosso objetivo aqui é trazer alegria para o torcedor momentaneamente. O torcedor tem que sonhar com tudo que ele quiser, é de direito. Ainda mais do baiano, que tem a crença a fé”, afirmou Ceni.

“É difícil competir a longa prazo com Palmeiras, Flamengo, Atlético. Não quero mais passar pelo que foi ano passado. O objetivo a curto prazo é fazer o Bahia estar bem no cenário nacional e ter um calendário internacional todos os anos. Esse é o maior objetivo do clube. Se a gente tiver foco, vamos poder brigar com todo mundo. A soberba precede o fracasso. Seja objetivo, se mantenha no foco, queira ganhar jogo a jogo”, acrescentou o treinador. 

Desafios do Tricolor

A impressão que ficou em 2023 foi de que o Grupo City aprendeu ainda lições sobre o futebol brasileiro e precisou corrigir a rota na janela do meio do ano para evitar o rebaixamento. A chegada de Ceni foi essencial e se a demora fosse de mais uma rodada, o destino do Bahia em 2024 poderia ser completamente outro. 

Agora, o Grupo City tem pela frente um novo dilema: com o Bahia tão bem, vale a pena sair do planejamento e gastar mais para brigar definitivamente pelo título? O discurso público é de uma janela de transferências modesta, sem grandes reforços em número e investimentos. Existe a possibilidade do único reforço ser o lateral-esquerdo Iago Borduchi, ex-Augsburg, e já anunciado.

“A princípio nós temos o Iago, que já está treinando com a gente e a partir do dia 10 [de julho] vai estar à disposição e condicionado para fazer parte do grupo. Eu desconheço qualquer outro movimento de saída ou chegada nesse momento. Acho que o que foi investido é o que temos hoje”, disse Ceni. 

A postura difere do imaginário popular de que o Grupo City inflacionaria o mercado com contratações estratosféricas. A avaliação é que o gasto no primeiro ano foi maior do que o esperado, já que precisou montar um elenco quase do zero e ainda corrigir a rota após o início ruim. O déficit foi de R$ 66 milhões. 

Para este ano, o Bahia fechou as contratações de Jean Lucas e Caio Alexandre por R$ 50 milhões. Outros jogadores foram contratados ‘de graça’, como os casos de Arias, Everton Ribeiro, Iago e Cuesta. Mas esses contaram com pagamento de luvas e não são nada baratos de manter. 

Com elenco curto, como já mencionado diversas vezes por Rogério Ceni, manter o nível de competitividade durante o longo Brasileirão parece o maior desafio do ‘Bahia City’ se quiser disputar o título. Com o nível de futebol apresentado, consegue competir contra qualquer adversário – mesmo que não sobre contra nenhum. O problema é que os rivais estão investindo pesado nesta janela de transferências.

Sem contratações, as lesões, suspensões e sequências de jogos devem impedir uma manutenção no topo. Nas 12 rodadas disputadas. Os quatro jogadores de meio-campo que são pilares da equipe estiveram à disposição em todos os jogos por enquanto. A falta de lesões também ajuda. Mas até quando?

No lado positivo, a mentalidade vencedora parece cada vez mais internalizada no grupo. Difícil ser diferente quando Rogério Ceni e Everton Ribeiro, dois dos maiores vencedores do Brasileirão, estão no vestiário. 

Aproveitamento

O início do Bahia é empolgante em diversos aspectos, já que o aproveitamento perto de 66% é perto de muitos clubes que acabaram campeões depois de 38 rodadas. Como exemplo, o Palmeiras campeão no ano passado teve aproveitamento pouco superior a 60% dos pontos. O Flamengo de 2021 (comandado por Ceni) foi campeão com 62,3%¨. 

O Bahia também marcou gol em todos os jogos que disputou no Brasileirão, com sua melhor série e jogos marcando gol na história dos pontos corridos. O Tricolor ainda conta, ao lado do Flamengo, com o melhor ataque, com 20 gols, e tem o artilheiro do campeonato, o centroavante Everaldo, com 5 gols. 

Outra grande força do Bahia está em atuar na Arena Fonte Nova, onde conquistou 6 das suas 7 vitórias no Brasileirão. O 100% de aproveitamento veio contra Fluminense, Grêmio, Bragantino, Fortaleza, Cruzeiro e Vasco. Ainda no primeiro turno no próximo mês vai receber Juventude, Cuiabá e Corinthians, que brigam contra o rebaixamento.

Como Ceni fez questão de ressaltar a necessidade ir jogo a jogo, o Bahia pode se apegar a pequenas metas. A próxima parece ser fazer o melhor primeiro turno da sua história. O recorde foi de 2019, quando marcou 31 pontos e estava na sétima posição. Naquela ocasião, com 12 rodadas, o Tricolor tinha 16 pontos, 8 a menos do que agora. 

A missão do Bahia em brigar pelo título parece complicada, mas o futebol desempenhado empolga. O mais importante parece ser estar ali, sempre próximo das primeiras posições, mesmo em meio a oscilações. O futuro a curto prazo é desconhecido, mas o presente é de comemorar. 

Fonte: Ogol

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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