Coritiba vive crise na Série B e SAF recebe fortes críticas
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Há quem diga que as SAFs são o futuro do futebol brasileiro e o clube que não encontrar um investidor irá ficar para trás em relação à concorrência. Os investimentos têm sido feitos, mas os exemplos de donos dos clubes são diversos, com boas e más experiências. A crise então bateu na porta do Coritiba, que em 2023 foi comprado pela Treecorp e vê no primeiro ano completo de SAF um momento péssimo na segunda divisão.
A Treecorp assumiu o Coritiba ainda na primeira divisão, fez os primeiros aportes, mas não conseguiu evitar o rebaixamento para a segunda divisão. O primeiro ano completo da nova gestão então é o atual, mas a lua de mel com os torcedores acabou rapidamente. Com seis jogos sem vencer na Série B, o Coxa está na 14ª posição, com 20 pontos, apenas dois acima do Botafogo de São Paulo, que abre o Z4.
A partida contra o Mirassol no Couto Pereira foi o ápice de uma crise institucional. A torcida presente protestou durante 30 minutos e só depois apoiou a equipe em campo. Após o gol da vitória do time paulista, os gritos foram de ‘Olé’ a cada troca de passes do adversário. Foi um clima hostil.
Antes do jogo, milhares de torcedores protestaram fora do estádio com a Treecorp, o diretor técnico Paulo Autuori e o executivo de futebol William Thomas como principais alvos da cobrança. No estádio entraram com uma faixa que dizia “Treecorp incompetentes“. Esse não foi o primeiro protesto, já que em maio, em jogo contra o Sport, um grupo de torcedores levou uma outra faixa: “Prometeram o céu, nos entregaram o inferno”.
O jogo contra o Mirassol também foi o final da linha para o treinador Fábio Matias, que com apenas uma vitória em oito partidas acabou demitido.
A insatisfação da torcida reflete também nas redes sociais da Treecorp, inclusive na avaliação da empresa no Google, onde os principais comentários são de torcedores, com críticas a omissão e passividade. Os comentários negativos também seguem no Instagram e no Linkedin.
A turbulência resultou na demissão do CEO da SAF, Carlos Amodeo, no início deste mês. Em nota oficial, o clube afirmou que a saída foi “acordo entre as partes”. O dirigente chegou com o objetivo de trazer “protagonismo” e comandar a “reconstrução do clube”, como afirmou em entrevistas, segundo a UmDoisEsportes.
No último sábado, o Conselho Deliberativo do Coritiba enviou um ofício para a Treecorp exigindo uma evolução urgente no futebol para que o clube volte à Série A. Os conselheiros acusaram a gestão de passividade pela demora para tomar decisões relacionadas ao futebol. Apesar disso, o Conselho lembrou que a venda da SAF teve uma alta aprovação dos torcedores.
“O acesso para a divisão principal é intransigível e inegociável, e certamente esse é o anseio e o objetivo de todos. Sabemos que não se pode exigir, nem foi assegurada a performance em campo como uma cláusula contratual, mas o tempo urge, e os resultados mostram que existem erros que devem ser o mais célere possível corrigidos”, diz trecho do documento.
Nesta semana, o Coritiba anunciou a saída de Paulo Autuori em “comum acordo” entre as partes. Um dos motivos para saída de Autuori foi uma indefinição sobre a possibilidade da reintegração de Alef Manga, suspenso por manipulação de resultados e que poderá voltar a jogar neste sábado, 27 de julho.
Membro de Conselho de Administração da SAF, Vilson Ribeiro contou em entrevista à Banda B, que uma reunião foi realizada na última semana e a Treecorp prometeu contratar um novo CEO imediatamente. Além disso, a outra promessa foi de quatro a cinco reforços com status de titulares a serem anunciados nos próximos dias.
No entanto, nomes ventilados pela imprensa não têm agradado aos torcedores, que esperam um melhor investimento. O Coritiba já anunciou a contratação do atacante Eryc Castillo, que mal conseguiu atuar pelo Vitória nesta temporada.
No ano passado, a Treecorp oficializou a compra da SAF do Coritiba por aproximadamente R$ 1,1 bilhão, investidos em um período de 10 anos. Entre os compromissos firmados pela empresa estão: quitação total da dívida do clube, em torno de R$ 270 milhões; construção de um novo centro de treinamentos em Campina Grande do Sul (investimento de R$ 100 milhões); R$ 450 milhões para operação (ao longo de 10 anos, de modo a garantir o investimento mínimo no futebol por ano); reforma e modernização do estádio Couto Pereira (R$ 500 milhões).
Fonte: Ogol
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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