Ceni na contramão do futebol frenético
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É legal quando vemos técnicos de futebol, em coletivas de imprensa, falando de futebol. Pode parecer estranho, mas não é: as coletivas, pelo menos as que acompanhamos no Campeonato Brasileiro, são sempre em volta dos mesmos assuntos: arbitragem, calendário exaustivo, gramados ruins, pressão pela vitória, falta de reforços… Tudo bem, são problemas estruturais e culturais que merecem debate. Mas falar de futebol é, também, mais que importante, necessário. E Rogério Ceni é prova disso.
O Bahia luta pelo G4 no Brasileirão. Já esteve melhor, perto da liderança. Mas está a três pontos do G4. Venceu, no fim de semana, o clássico contra o Vitória, e Ceni trouxe boas reflexões sobre o jogo, principalmente sobre o completo frenesi que existe, nos dias de hoje, pelo jogo acelerado.
O futebol é, cada vez mais, dominado pela intensidade. Ela está presente em absolutamente todos os comentários futebolísticos: nas mesas redondas na TV, nos artigos online, nas coletivas de imprensa, até entre os torcedores no bar. Uma ode a intensidade. E ela é importante, decisiva, fundamental no futebol moderno. Mas a ode deve ser, acima de tudo, ao próprio jogo. Ao esporte que amamos.
O Bahia não é um time de muita aceleração. É intenso, não tem como não ser hoje em dia. É veloz, quando necessário. Mas seu modelo de jogo prega um ritmo mais cadenciado. Porque Ceni não abre mão da qualidade de seu quarteto de meias: Caio Alexandre, Jean Lucas, Éverton Ribeiro e Cauly.
Com os quatro, como explicou Ceni na coletiva pós Ba-Vi, não há como você buscar um ritmo de jogo mais intenso. Eles são sinônimo de futebol. Um futebol jogado com bola de pé em pé.
“Nós temos quatro jogadores no campo que se eu começar a acelerar esse jogo e fazer um jogo de transição, nós vamos sair perdendo. Contra qualquer equipe. Para que a gente tenha esses quatro caras no meio-campo… ‘Ah, mas você pode não ter’. Tudo bem, mas eu prefiro tê-los, porque acho que são jogadores diferentes… Você tem de ser um pouco mais cadenciado”, explicou Ceni.
A alma do Bahia, como diz Ceni, é formada em torno desses quatro jogadores. Os quatro participaram diretamente de 50% dos gols tricolores no ano (48 dos 87 gols tiveram gol ou assistência do quarteto).
Com um elenco limitado em outros setores, o Bahia perde sua força quando não tem um dos quatro em campo. Como perdeu com a saída de Éverton Ribeiro diante do Vitória. O time muda um pouco de característica e acaba sofrendo.
Uma temporada desgastante, gramados descuidados e um elenco “curto” podem atrapalhar o Tricolor a conseguir ter mais ambição no Brasileirão. Mas é tão bom quando conseguimos focar no futebol…
Fonte: Ogol
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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