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Domínio argentino na beira do gramado

27/09/2024 às 06:31
3 min de leitura

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Na última década se consolidou o domínio dos clubes brasileiros nas fases decisivas das competições continentais. Seja na Libertadores ou Copa Sul-Americana, os representantes verde e amarelo se acostumaram a chegar em maior número nos mata-matas. Este predomínio, no entanto, parou de ser acompanhado na beira do campo, onde pelo segundo ano consecutivo os treinadores argentinos chegam em maior número.

Embora muito ainda se fale sobre a presença dos técnico portugueses, principalmente no futebol brasileiro, são os comandantes argentinos que dominam as competições sul-americanas nas últimas edições.

Na atual temporada, cinco clubes brasileiros estavam entre os oito que chegaram nas quartas de final da Libertadores, mas apenas dois eram comandados por brasileiros: Fluminense, de Mano Menezes; e Flamengo, de Tite. Enquanto o lado argentino tinha apenas um time entre os classificados (River Plate), mas era representado por quatro treinadores: Marcelo Gallardo, Jorge Almirón (Colo-Colo), Gabriel Milito (Atlético Mineiro), Luis Zubeldía (São Paulo).

O cenário não é nenhuma novidade na Libertadores e vem se consolidando nas últimas edições. Em 2023, os números eram menores, mas já eram predominantes. Eduardo Coudet, Fernando Gago e Jorge Almirón chegaram até às quartas com Internacional, Racing e Boca Juniors, respectivamente. E, Fernando Diniz, com o Fluminense, era a resistência brasileira.

Na Copa Sul-Americana, a lógica se repete em proporções semelhantes. Neste ano, quatro clubes brasileiros avançaram até as quartas contra apenas dois argentinos. Mas, na beira do campo, Vojvoda (Fortaleza), Ramón Díaz (Corinthians), Ricardo Zielinski (Lanús), Daniel Garnero (Libertad) e Gustavo Costas (Racing) formaram maioria contra o recém-chegado e único brasileiro, Fernando Diniz.

O crescimento e a consolidação dos técnicos argentinos no futebol sul-americano também chegou às seleções. Puxado pelo “efeito Scaloneta”, as federações apostaram forte em hermanos e promoveram uma onda de chegadas para o ciclo da próxima Copa do Mundo.

Embora a presença de argentinos em seleções sul-americanas seja ainda mais antiga do que em clubes, as Eliminatórias deste ano alcançaram a marca expressiva de 70% das equipes comandadas pelos treinadores do país.

Além de Lionel Scaloni na própria Albiceleste, Néstor Lorenzo (Colômbia), Sebastián Beccacece (Equador), Ricardo Gareca (Chile), Fernando Batista (Venezuela), Marcelo Bielsa (Uruguai) e Gustavo Alfaro (Paraguai) também estiveram à beira do gramado na última rodada das Eliminatórias.

Enquanto a escola argentina de treinadores cresce na América do Sul e no mundo, os técnicos brasileiros defendem seus empregos para não se tornarem minoria no seu próprio país. Entre os fatores apontados por especialistas que ajudam a explicar o domínio argentino na categoria estão: Fatores acadêmicos, facilidade com o idioma e resultados vitoriosos recentes.

Na âmbito dos estudos, os cursos de formação de treinadores começaram a ser praticados na década de 1960 no país vizinho, se tornando uma exigência a partir dos anos 90, enquanto o Brasil inaugurou sua escola apenas em 2009. Além disso, a licença fornecida pela Asociación del Fútbol Argentino (AFA) credencia o profissional a trabalhar no mercado europeu.

Este fator acabou abrindo o caminho para que os argentinos desembarcassem no Velho Continente nas últimas décadas e treinassem grandes clubes como os principais exemplos da atualidade, Diego Simeone e Mauricio Pochettino.

Outro fator que colabora para o aumento de exportação foram os resultados recentes obtidos por Lionel Scaloni à frente da seleção argentina. Bicampeão da Copa América e campeão mundial, o treinador, mesmo com pouca experiência efetiva na função, se tornou um exemplo de sucesso e potencializou o interesse pelos hermanos.

Nomes como Gallardo, pelo River Plate, Hernán Crespo, no Al Ain, e Tata Martino, no Inter Miami, também ajudam a manter os treinadores na vitrine em outras bandas. 

Fonte: Ogol

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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