A mãe do Colo-Colo e o atraso histórico no futebol feminino chileno
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Começou nesta quinta-feira a 16ª edição da Copa Libertadores Feminina. No curto recorte do torneio, o futebol verde-amarelo detém amplo domínio, conquistando por 12 vezes o título continental. Embora o Brasil também tenha demorado para regulamentar a modalidade, o começo ainda mais tardio dos vizinhos sul-americanos custou uma desvantagem histórica nas competições de clubes e seleções.
No Chile, a federação local formou o primeiro selecionado em 1990, às vésperas do Sul-Americano que definiu o representante do continente na edição inaugural da Copa do Mundo Feminina. Já no Brasil, vencedor da vaga para o Mundial, a modalidade voltou a ser praticada em 1979, com a revogação da lei que proibia as mulheres de praticar futebol, e foi regularizada em 1983 com a consolidação dos primeiros clubes e competições.
Porém, a modalidade começou, definitivamente, a receber valorização e investimento por meio de imposição da Fifa e da Conmebol. A obrigatoriedade de times feminino para participar de competições organizadas pelas entidades forçou os clubes a adotarem medidas concretas.
Em 2009, a Conmebol organizou a primeira edição da Libertadores Feminina e deu o pontapé inicial para fomentar a modalidade entre os clubes sul-americanos. O Brasil, já com um campeonato nacional consolidado, saiu na frente dos rivais sul-americanos e venceu as três primeiras temporadas, com dois títulos do Santos e um do São José-SP.
O primeiro candidato a interromper a sequência de títulos brasileiros veio apenas na quarta edição. Em 2012, o Colo-Colo derrotou o Foz Cataratas nos pênaltis e conquistou o único título chileno até hoje na competição. La Albas fizeram história ao quebrar a hegemonia verde-amarela, mas foram ainda mais marcantes por conquistarem o maior título continental para um clube onde o protagonismo feminino esteve desde as suas origens.
Diferente das histórias envolvendo povos imigrantes ou a reunião unicamente de homens para prática de esporte, o Colo-Colo tem na história de fundação a participação direta de uma mulher. Rosario Moraga foge dos padrões do século passado e ficou marcada na origem do clube chileno como a mãe do Colo-Colo.
Figura valorizada na cultura local, Rosario nasceu na cidade de Concepción, se mudou para Santiago ainda jovem e teve seis filhos, entre eles Francisco, David e Guillermo, fundadores do Colo-Colo.
Além de mãe dos irmãos Orellanos, Rosario teve participação ativa na origem do clube. Ela cedeu sua casa para a instalação da sede oficial e confeccionou os primeiros uniformes do Cacique.
A representatividade de Rosario também superou o âmbito esportivo e seu nome intitulou uma Comissão de Gênero criada por torcedoras do Colo-Colo para advogar por causas femininas nas arquibancadas.
Rosario Moraga se tornou uma marca importante e valorizada institucionalmente pelo Colo-Colo. Sua importância para a história do clube a colocou como uma inspiração para o time feminino, que retorna à Libertadores neste ano sob o comando da técnica brasileira, Tatiele Silveira
Fonte: Ogol
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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