Mbappé e o desperdício do talento
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O jogador que escuta, vence. O jogador que trabalha, conquista. Há muitos anos, superficialmente, temos discussões sobre a qualidade desse ou daquele jogador. Lamentamos talentos serem desperdiçados. Mas refletimos, de fato, por quê não chegam aonde projetamos? É culpa deles, que não lá chegam, de nós, que projetamos mal, ou simplesmente da sequência aleatória de eventos que a vida pode ser? Da falta das palavras certas, dos conselhos apropriados? Da sobra de bajuladores em meio a um sucesso meteórico, de fama e dinheiro? Luis Enrique nos fez refletir um pouco.
Na verdade, o vídeo, que muita gente compartilhou nos últimos dias, não é dessa semana. Nem da anterior. Nem do mês passado. Mas “vazou” agora. Nele, Luis Enrique tem um monólogo ríspido com Mbappé. O francês, sentado, escuta. O técnico fala.
“Li que você é fã do Michael Jordan. O Michael Jordan defendia igual um f…”, começou por dizer o espanhol.
A essência do diálogo pode ser absorvida na seguinte passagem:
“Atacando, sei que você é ‘Deus’, mas quando não ataca, quero que você seja o melhor da história defendendo. Isso é ser um líder, isso é ser Jordan”, disse o técnico.
O discurso foi dado dois meses antes de Mbappé deixar o PSG. O comprometimento na fase defensiva nunca foi um forte do francês. Sua postura como líder, muitas vezes, também foi questionada, com reações desproporcionais a erros dos companheiros.
As palavras de Luis Enrique foram certeiras. Identificaram, provavelmente, os pontos fracos do jogo de Mbappé. Sim, até um jogador do mais alto nível, como Kylian, tem pontos fracos. Todo jogador tem o que melhorar. Para isso, existem os técnicos, os analistas de desempenho.
Mbappé ouviu por um minuto e meio o que precisava ouvir. Concordou, no fim. Ainda é cedo para saber se mudará, ou não, sua atitude mediante aos pontos destacados. Comportamentos repetidos tantas vezes ao longo de tantos anos não vão sumir após uma conversa, de uma hora para outra. Mas o alerta foi dado.
A decisão no campo é do jogador. É ele quem decide o destino do jogo, do campeonato e da carreira. Quando existe suporte, quando há quem diga o necessário, e não o banal, suas chances de sucesso aumentam. Quando ensinam, e não bajulam. Ele fica mais perto de potencializar seu talento. Mas no fim, a decisão é dele. É ele que vai determinar seu destino, ele é o capitão de sua própria alma, citando William Ernest Henley. O jogador que escuta, vence. O que trabalha, conquista.
Fonte: Ogol
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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