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El Loco e o Pistoleiro: Mais um dia normal na vida de Bielsa

11/10/2024 às 07:23
3 min de leitura

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A seleção uruguaia parecia estar vivendo seu momento mais confortável nos últimos anos. Terceiro lugar nas Eliminatórias, resultados convincentes e um início de novo trabalho animador… mas nenhuma equipe comandada por El Loco Bielsa pode estar 100% confortável. Às vésperas de mais uma Data Fifa, Luisito Suárez abriu a caixa de pandora e revelou os bastidores conturbados da Celeste.

Em entrevista ao DSports Uruguay, El Pistolero não poupou críticas ao técnico argentino, falou sobre a relação pesada durante a Copa América e os excessos provocados. Dias depois, o discurso de Suárez foi reforçado por Canobbio e Valverde, que também estiveram na competição. Até o zagueiro aposentado Diego Godin e o ídolo paraguaio Chilavert entraram na polêmica e defenderam o desabafo de Luisito.

Entre as queixas dos atletas uruguaios está a falta de comunicação, o desrespeito com os atletas durante os treinamentos e até o tratamento com os funcionários da seleção. Este é apenas mais um episódio da carreira peculiar de Marcelo Bielsa, considerado como gênio por alguns, arrogante por outros, mas louco por todos.

O argentino começou sua carreira na comissão técnica do Newell’s Old Boys, trabalhou por uma década e recebeu sua primeira oportunidade como treinador do time principal em 1992. Até então chamado de Marcelo Bielsa, o técnico começou o seu trabalho de forma nada animadora e precisou de poucos dias para apresentar suas verdadeiras credenciais.

No segundo duelo da temporada, os Leprosos sofreram uma imponente goleada por 6 a 0, em casa, para o San Lorenzo na estreia da Libertadores. Em protesto, torcedores do Newell’s ameaçaram invadir a casa de Bielsa para intimidar o treinador, mas não sabiam com quem estavam lidando. O argentino ameaçou lançar uma granada para expulsar os baderneiros e intimidou os Barra Bravas.

O episódio marcou o início da carreira do técnico que passou a ser acompanhado pela alcunha de El Loco. O perfil intimidador de Bielsa bancou a sua permanência até o final da temporada e rendeu o título do Campeonato Argentino e o vice-campeonato da Libertadores, sendo derrotado apenas a final nos pênaltis para o São Paulo, de Telê Santana

Referência para muitos treinadores, inclusive citado por Guardiola, Bielsa sempre foi inegavelmente um viciado pelo futebol. Sempre em busca do perfeccionismo ou de uma solução nada óbvia para as suas equipes, o argentino nunca tolerou que pensassem qualquer coisa diferente do personagem que se propôs a ser.

Em 2012, Bielsa comandava o Athletic Bilbao pela segunda temporada e, na Copa do Rei, acabou surpreendido pelo Eibar, na época disputando a terceira divisão nacional. Neutralizado pelo modesto time e sem vencer nenhuma das duas partidas do confronto, o argentino foi provocado pela imprensa por não ter dado a atenção merecida ao adversário.

Embora não devesse satisfação a ninguém, Bielsa visitou o centro de treinamentos do Eibar a procura do técnico que havia o derrotado e levou uma caixa com pilhas de anotações, provando que não havia desrespeitado o time adversário, estudando incansavelmente a partida.

Ao longo da sua carreira, Bielsa ficou marcado pelo perfil pouco vitorioso. O treinador venceu apenas seis títulos na carreira, quatro por clubes e dois pela seleção olímpica. 

No início do século, o treinador recebeu a chance de comandar a Argentina na Copa do Mundo de 2002. O sonho, porém, virou pesadelo. Bielsa deixou de fora nomes como Riquelme e Saviola para apostar no veterano Caniggia, que sequer entrou em campo.

As decisões questionáveis do treinador acabaram custando um Mundial vexatório para os Hermanos. A Albiceleste conseguiu vencer apenas a Nigéria no Grupo F e se despediu ainda na fase inicial. 

Apesar do baque, Bielsa seguiu no comando da seleção até as Olimpíadas de Atenas. Desta vez, El Loco mostrou que suas convicções estavam certas e conquistou a medalha de ouro inédita para a Argentina.

O custo do esforço mental para chegar ao sucesso forçou Bielsa a se afastar de tudo e de todos por um longo período. Logo após deixar o comando da seleção, o treinador permaneceu por três meses isolado da família, da televisão e do mundo em um convento.

“Só tinha livros, mais nada. Não tinha contato com absolutamente ninguém. A certa altura comecei a falar sozinho. Pensei que tinha ficado mesmo louco. Então decidi que era a hora de sair de lá”, revelou o argentino no livro “Las locuras de Bielsa”, do jornalista Jon Rivas.

Ao longo da sua carreira, Bielsa foi anunciado por 13 clubes, mas trabalhou apenas em 12. Na sua única passagem pelo futebol italiano, o treinador desistiu do convite antes mesmo de estrear.

Anunciado pela Lazio em 2016, o argentino assinou contrato na capital italiana e dois dias depois pediu demissão, alegando que o clube não teria aceitado as suas exigências. Em entrevista ao jornal italiano La Repubblica, o presidente da Lazio, Claudio Lotito, revelou que os pedidos de Bielsa eram referentes a um número anormal de passagens aéreas para a sua família na Argentina e um número ainda maior de celulares para a sua comissão técnica.

Quase uma década depois, o argentino pode estar próximo de mais uma saída precoce. Muito distante dos dois dias apenas na Lazio, o técnico pode dar adeus à seleção uruguaia antes do esperado. Embora ainda tenha o futuro indefinido na Celeste, com certeza Bielsa garantiu mais uma história que reforça o seu apelido de El Loco

Fonte: Ogol

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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