Rodri, o antídoto de ouro
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Rodri não é o Bola de Ouro. Pode-se riscar este equívoco da história.
Por muito que a expectativa fosse o prêmio para Vini Jr., o que mais choca nem é isso. É uma eleição por puro antídoto: contra a persona, o jogo, contra o esporte, e a história dele próprio.
Sim, o Vini não ganhar é incompressível, mas a vitória de Rodri que é ainda mais inaceitável. Não fosse Vini, fosse Foden, o melhor jogador do City na temporada, fosse Haaland, em um ano abaixo das expectativas como Rodri, mas que ao menos não nos faria chegar no futuro com vergonha do passado. Fosse até o argentino Lautaro Martínez, de números e títulos como a premiação para “melhor do mundo”, com muitas aspas, gosta.
Rodri, além de antídoto, é a síntese do comentário mais cafona já feito por Pep Guardiola.
O suposto guardião das verdades e “reinventor” do futebol, continua a estragar o esporte bretão – como anteviu o bem menos genial Luca Toni, ao brincar sobre a falência dos centroavantes como ele. A genialidade, afinal, é algo que a história bem mostra que pode ser usada para o bem ou para o mal.
Dentro da genialidade, como Oppenheimer e sua bomba atômica, Guardiola certa feita se fez pai da invenção de Rodri como um craque à moda antiga. Não é craque, nem à moda antiga. Apenas reflexo de um pensamento reacionário.
“Rodri não tem tatuagens, brincos. Seu cabelo é como de um meio-campista defensor. Um meio-campista defensor deve ser assim: não pensar no resto”, disse Guardiola em 2023, como se estilo entrasse em campo. Como se seu pupilo Messi não tivesse uma perna fechada em tatuagens, como se Cristiano Ronaldo não olhasse para o telão em busca do close para mudar o cabelo.
O prêmio não foi usurpado de Vini. Foi usurpado do futebol sob o argumento exumado dos findos dos anos 2000 quando o “melhor jogador da Eurocopa” venceu a Bola de Ouro pela última vez. A diferença é que ele era Zidane, não Rodri. Só três jogadores tiveram o louro através deste argumento. Antes de Zizou, só Van Basten e Platini seguiram a lógica do seletivo – afinal, antes, não era o tal melhor jogador da Champions ou da temporada europeia que vencia? E por qual conveniência estranha isto caiu?
Rodri não é o melhor do mundo. Não foi escolhido por sê-lo dentro de campo, mas nas entrelinhas do pensamento. Não esqueceremos.
Fonte: Ogol
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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