Moradores reclamam de seringueira e relatam riscos de quedas de outras árvores na região
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Moradores reclamam de seringueira e relatam riscos de quedas de outras árvores na região
Populares que residem na região do Jardim Caramuru, onde uma seringueira histórica caiu na manhã desta terça-feira (3/12), reclamaram bastante da morosidade para retirada da árvore e também de perigos aparentes existentes diante da possibilidade de outras quedas.
O publicitário Antônio Bonfá Dornelas, mora na Rua João Vicente Ferreira, quase em frente ao local do ocorrido e teve o imóvel atingido pela seringueira. O muro da casa foi danificado e parte dos galhos atingiram o portão. Postes de energia também caíram sobre o imóvel.
Ao Dourados News, ele disse que há anos são feitos pedidos para retirada da árvore junto ao poder público, porém, sem sucesso.
Como fazia parte do Patrimônio Histórico de Dourados, a seringueira não poderia ser derrubada. Porém, em dezembro de 2021, quando a Lei que a protegia foi revogada, houve as tratativas para buscar o corte dela devido ao receio dos moradores quanto ao perigo proporcionado
“Moro aqui há 32 anos e sempre buscamos uma solução para isso. Tentamos com o poder público e nada foi feito. Temos um grupo dos moradores do bairro e até chegamos a cotar o valor para retirada da árvore, mas o custo [na época da cotação] girava entre R$ 30 mil e R$ 50 mil”, disse.
Já na rua dos Missionários, também bem próximo onde ocorreu a queda da seringueira, Victor Guccioni Ozuna, apresentou um protocolo registrado para retirada de uma árvore que ameaça cair.
“São várias aqui na região nesta situação. Até hoje não consegui fazer a retirada da que está em frente a minha casa”, disse à reportagem.
A mesma reclamação é de Abelina da Silva Flores, residente alguns metros distante de onde ocorreu a queda, na rua Joaquim Alves Taveira.
“Ali próximo a [rua] Aquidauana eu passo com pressa devido a quantidade de árvores que aparentam estar caindo. É preciso fazer algo”, contou.
Protocolos
Apesar da reclamação da população quanto às ameaças e riscos de queda, existem protocolos necessários a serem seguidos, conforme explica a administração municipal. Para que a poda ou retirada de árvores sejam feitas, é necessário realizar pedidos na Central do Cidadão e aguardar o processo de autorização.
Com o aval, os trabalhos ficam por conta do proprietário ou responsável pelo imóvel.
No caso específico da seringueira, foram feitas avaliações pelos órgãos competentes que não constataram problemas fitossanitários naquela espécie, porém, existia o entendimento de danos causados ao patrimônio, tanto público quanto privado.
“Houve a solicitação da proprietária do imóvel para suprimir [a árvore], e foi autorizado em março de 2023. Porém, pelo dano ao patrimônio que estava causando e não por questões fitossanitárias. Quanto a isso ela não apresentava problemas. A questão é que o município não dispõe de contrato para a realização deste tipo de serviço em árvores deste porte. O que pode ter ocasionado a queda é uma poda realizada de forma unilateral. Quando se corta apenas um lado da árvore, deixando o peso de outro lado. Com o solo encharcado, isso pode ter contribuído para ela cair”, explicou ao Dourados News o diretor de Arborização do Imam (Instituto do Municipal do Meio Ambiente), Douglas Nunes de Morais.
A seringueira ficava praticamente ‘dentro’ do imóvel localizado no cruzamento das ruas dos Missionários e João Vicente Ferreira, chegando a atravessar o muro da residência.
No passado, estacas foram colocadas na tentativa de não deixar a parede no entorno da casa ceder.
“Essa árvore era um perigo constante. Faz tempo que minha sogra, dona Nilza, deixou a casa por causa disso. Ela vivia com medo de que algo acontecesse, principalmente em dias de chuva ou vento forte”, contou Vilson Adão Zachert, 53, genro da mulher que ‘dividia’ o imóvel com a seringueira.
Outras árvores
Seringueira caiu sobre veículo, que estava vazio no momento do fato – Foto: Dourados News
Nos outros casos relacionados pelos moradores, existem algumas observações citadas por Douglas que precisam ser observadas.
Segundo ele, por ano a prefeitura recebe em média de 500 a 600 pedidos para retirada de árvores. Deste total, 10% dos processos não prosseguem por se tratar de protocolos registrados por pessoas que não são proprietárias dos imóveis.
Além disso, o município só auxilia no corte ou supressão quando uma avaliação realizada por técnicos detectam algum problema. Caso contrário, com a autorização em mãos, a retirada deve ser feita pelo dono do imóvel.
“São várias características que precisamos observar na árvore. Não é o fato dela estar ‘pensa’ que faz ela um risco. É necessária uma determinada inclinação, a constatação do tronco estar oco ou galho seco. Mesmo assim, o município só pode auxiliar na remoção. O contrato hoje [para a retirada de árvores e podas] atende prédios públicos”, resumiu.
Em Dourados, existe a Lei Municipal 4.698, de 21 de outubro de 2021 que trata sobre o assunto. No artigo 9, existem as ações que são autorizadas para o manejo de árvores localizadas em propriedade particular e no passeio público, para acessar, basta clicar aqui.
Fonte: Dourados News
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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