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Com redução de custos e tempo, corredor bioceânico poderá impulsionar exportação de carne em MS

12/02/2025 às 06:09
3 min de leitura
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Nova rota encurta distâncias, amplia competitividade e fortalece o comércio internacional do Estado

O Corredor Bioceânico está prestes a transformar o cenário das exportações em Mato Grosso do Sul, oferecendo um caminho mais rápido e com custos reduzidos para produtos importantes, como a carne bovina. Com acesso facilitado ao mercado asiático pelo Oceano Pacífico e a países sul-americanos, a nova rota promete impulsionar a competitividade do setor.

Atualmente, o Estado exporta 360 mil toneladas de carne bovina para o Chile, utilizando três trajetos longos e complexos. Com o corredor, a carga sairá de Porto Murtinho, passará por Carmelo Peralta (Paraguai), atravessará a Argentina e seguirá até o Chile, otimizando o tempo e reduzindo despesas logísticas. Para o mercado asiático, o caminho se estende até os portos de Antofagasta e Iquique, no Chile, com destino final à China e ao Japão.

A ponte binacional, uma das principais obras do projeto, já está com 65% dos trabalhos concluídos, consolidando a viabilidade da nova rota.

Potencial para o agronegócio e desafios logísticos

O vice-diretor do Sicadems, Sérgio Capucci, destaca que o principal benefício será a ampliação das exportações para o Chile e o Peru. “Para outros mercados globais, a viabilidade econômica dependerá da competitividade dos custos logísticos no novo corredor de exportação”, afirmou.

Apesar do otimismo, o setor ainda avalia o impacto do custo do frete rodoviário em comparação ao trajeto tradicional pelo Porto de Santos, especialmente para destinos na Ásia e Europa. No entanto, para o norte do Chile e o Peru, a expectativa é de crescimento significativo nas exportações.

Desafios aduaneiros e qualificação de motoristas

O presidente do SETCEMS, Cláudio Cavol, aponta que um dos desafios será a agilidade nos trâmites aduaneiros. “Hoje, caminhões podem levar até oito dias apenas para cruzar Mato Grosso do Sul e o Paraguai, devido à burocracia. Para que a Rota Bioceânica funcione de forma eficaz, é fundamental reduzir o tempo de espera nas aduanas”, alertou.

Além disso, a falta de experiência de motoristas no transporte internacional é uma preocupação. Para resolver isso, a UEMS ofereceu um curso de capacitação em Jardim, formando a primeira turma de profissionais preparados para a nova realidade logística.

Impacto no comércio internacional

O novo corredor pode reduzir em até 20 dias e 7.000 quilômetros o tempo de transporte entre o Brasil e a Ásia. Atualmente, o trajeto pelo Canal do Panamá leva 54 dias e percorre mais de 24 mil quilômetros. Com a Rota Bioceânica, o tempo será reduzido em 12 dias e 5.479 km, aumentando a eficiência das exportações.

O governador Eduardo Riedel destacou a importância do projeto: “O corredor bioceânico é uma realidade. Nossos produtos seguirão por um caminho mais rápido tanto para países vizinhos quanto para o mercado asiático. Estamos presenciando a concretização de um sonho de gerações que contribuíram para tirar esse projeto do papel.”

Se os desafios forem superados, o setor espera um crescimento anual de 5% a 10% no transporte de cargas, fortalecendo o PIB estadual e consolidando Mato Grosso do Sul como um importante corredor de exportação no cenário internacional.

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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