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42 anos de liderança e 69 títulos: Porto se despede de sua maior lenda

15/02/2025 às 18:04
3 min de leitura

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Por 42 anos, Pinto da Costa jogou o jogo dos tronos, e venceu. Com seus Dragões, domou Águias e Leões em Portugal e dominou a Europa por duas vezes. Quis o destino reservar sua despedida terrena menos de um ano depois de perder seu “trono” como presidente do FC Porto, um clube cuja história se mistura com a da sua própria vida.

Não haverá alma viva na cidade do Porto indiferente à partida de Pinto da Costa, neste sábado (15). Figura maior do clube mais popular do norte de Portugal, o ex-presidente era mais que apenas um dirigente. Era um símbolo do clube. Em seu auge, capaz de trazer ao portista uma aura de confiança, superioridade e grandeza, e de inspirar terror e até ojeriza em seus rivais de Lisboa, em uma rivalidade regional só entendida por aqueles que a vivenciam.

Um dos dirigentes mais longevos e importantes da história do futebol, Pinto da Costa foi também polêmico e odiado. Esteve envolvido em escândalos de corrupção e acusações de subornos a árbitros. Mas ficou marcado mesmo por seus títulos, 69 ao todo, elevando os Dragões a uma potência até mesmo na Europa.

A despedida de Pinto da Costa no FC Porto aconteceu antes de sua morte. Pela primeira vez em 42 anos, o “Rei Dragão” viu sua autoridade verdadeiramente questionada nas urnas. André Villas-Boas, seu antigo funcionário em uma fugaz e vitoriosa passagem como técnico do clube, o derrotou na eleição em 2024.

Pinto da Costa já dava há anos sinais de fragilidade, como natural da idade. Nas ruas, falava-se em tom jocoso quando dos deslizes do Porto – “Isso não acontecia quando Pinto da Costa estava vivo”. O pior dos cenários foi confirmado: o ex-presidente estava mesmo doente, com câncer na próstata, seguindo-se a sempre inglória batalha.

O aspecto debilitado, no entanto, não apagava a sua aura de santidade entre os Portistas. Sócio do clube desde 1953, responsável por cargos menores desde a década de 1960 e diretor de futebol responsável por encerrar jejum de 19 anos sem títulos nacionais em 1978, Pinto da Costa fez do FC Porto sua vida, e deu nova vida ao clube quando assumiu a presidência em 1982.

A era de ouro dos Dragões começa quase de imediato. Em 1984, o clube chega a sua primeira final europeia, a Recopa da Uefa, perdendo para a Juventus. Em 1984/85 o Porto volta a levantar o troféu de campeão português, o oitavo da coleção – o Benfica, maior campeão, somava já 24.

Em 1986, bicampeão nacional, o Porto conquista o bicampeonato, mas a maior glória estava reservada para o ano seguinte. O FC Porto, com direito a gol decisivo do brasileiro Juary, vence o Bayern de Munique na final da Copa dos Campeões (atual Liga dos Campeões), vencendo ainda em 1987 o Peñarol na disputa da Copa Intercontinental.

O domínio das águias lisboetas ficou no passado com Pinto da Costa. Entre 1990 e 1999, o Porto perdeu apenas dois campeonatos nacionais. E, quando o clube parecia entrar em crise após três temporadas sem ser campeão português, entre 2000 e 2002, o dirigente se reinventou com aposta ousada em outro nome que se tornaria símbolo do clube: José Mourinho.

Com Mourinho, em 2002/03, o FC Porto venceu a trinca: Copa, Campeonato Português e Liga Europa. E, contra todas as expectativas, conseguiu superar os feitos em 2003/04, revalidando o título luso e levantando pela segunda vez na história o troféu da Liga dos Campeões.

Em 2024, Pinto da Costa deixou o FC Porto após 69 títulos. Em sua gestão, o clube conquistou por 22 vezes o Campeonato Português, mais que a soma dos seus maiores rivais – 14 do Benfica e quatro do Sporting.

Fonte: Ogol

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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