Terça-feira, 3 de Março de 2026
Menu
ESTADO

Cidadania no Carnaval: bloquinhos e bares recebem formação para protocolo ‘Não é Não’

24/02/2025 às 05:56
3 min de leitura

Anuncie Aqui

A SEC (Secretaria de Estado da Cidadania) realizou na semana que antecede o Carnaval, a primeira formação de blocos de rua, escolas de samba e bares para aplicação do protocolo Não é Não. A iniciativa é da Subsecretaria de Políticas Públicas para Mulheres.

Segundo a Lei 14.786, de 2023, sancionada pela Presidência da República, o protocolo “Não é Não” é destinado a prevenir o constrangimento e a violência contra a mulher em ambientes nos quais sejam vendidas bebidas alcoólicas, como casas noturnas, boates e casas de espetáculos musicais em locais fechados ou shows.

O texto determina que estabelecimentos tenham pelo menos uma pessoa qualificada para atender ao protocolo para que, em situações de violência, sejam tomadas medidas como proteger e apoiar a vítima, afastar o agressor, colaborar para a identificação de possíveis testemunhas, solicitar o comparecimento da polícia e isolar o local onde existam vestígios da violência. 

Subsecretária de Políticas Públicas para Mulheres, Manuela Nicodemos Bailosa, explica que a formação faz parte da campanha do Governo do Estado “Boas atitudes fazem um bom Carnaval” e é realizada em parceria com o Aglomerado de Blocos de Carnaval de Rua de CG. 

“Durante a folia, crescem os casos de importunação e assédio contra as mulheres, e não é uma ‘brincadeira’, não tem graça desrespeitar. É muito mais divertido quando a gente respeita, não só em relação às mulheres, mas todas as diferenças seja de raça, etnia, orientação sexual, gênero e condição física”, pontua. 

Precursora em formações do protocolo Não é Não no Estado de Mato Grosso do Sul, quem ministra o curso é a psicóloga Tatiana Samper Lovatto, mestre em Desenvolvimento Local e pesquisadora focada em mulheres periféricas, que tem na bagagem a atuação na Casa da Mulher Brasileira da Capital, onde integrou a equipe que implantou o primeiro serviço de acompanhamento psicossocial.

“O foco da formação é apresentar o tema de uma maneira didática, para que as pessoas que vão trabalhar no Carnaval, e que muitas vezes não conhecem profundamente a legislação ou a rede de proteção às mulheres, possam evitar que situações de importunação e de assédio aconteçam. Também abordamos como conduzir um caso que venha a se concretizar da melhor forma possível, e fazer o acolhimento da vítima”, explica Tatiana.

Durante o curso, a psicóloga faz uma breve introdução quanto ao surgimento do protocolo, quando começou a ser aplicado e também cita o protocolo “No callem”, de Barcelona, na Espanha, e que inspirou o atendimento aqui no Brasil.

Com estudos de caso para que os blocos imaginem contextos em que podem aplicar o que aprenderam, a formação faz questão de pontuar que o foco é a vítima. “Numa situação de risco, o foco principal não é o agressor, é a vítima. Primeiro foque nela, passe as informações, aja com celeridade e respeite a decisão da vítima”, ressalta Tatiana.

Responsável por fazer a cultura dos blocos de rua crescer na Capital, Silvana Valu, do Cordão Valu, considera fundamental o envolvimento do Governo do Estado, principalmente na prevenção a casos de assédio e importunação. “O poder público é muito importante em todas as campanhas, especialmente como a do Não é Não as do Não é Não, porque sozinha a sociedade civil não consegue trabalhar essa conscientização”, diz.

Representante do bloco estreante de 2025, Cia Barra de Saia, Gabriela Kina enfatiza que a formação vem ao encontro da proposta do Barra de Saia. “Estar neste treinamento só reforça a necessidade da gente ter o olhar apurado para as situações que podem acontecer, mas também fortalece nosso bloco que tem a iniciativa de ser acolhedor para mulheres, mães e crianças”. 

 

Foram mais de 30 representantes de blocos, escolas de samba e bares presentes nesta primeira formação, além da Polícia Militar, Defensoria Pública do Estado e Ministério Público de MS. 

Coordenadora estadual da Cruz Vermelha de MS, Alessandra Coelho Scandola frisa que esta é a formação vem complementar o trabalho que a instituição já realiza, há anos, no Carnaval de rua da Capital.

“Nos trouxe mais conhecimento do protocolo, inclusive das leis que baseiam essa formação. Então, para nós foi muito válido, e eu espero que ajude todos a terem um bom Carnaval”. 

Para a secretária de Estado da Cidadania, Viviane Luiza, sociedade civil e poder público precisam dar as mãos pela proteção de todas as meninas e mulheres.

“É só na união de todos, Governo, Justiça, Legislativo, Judiciário e sociedade, para que realmente possamos enfrentar a violência de gênero. Nosso lugar é onde a gente quer estar”, finaliza Viviane.

Paula Maciulevicius, Comunicação da Cidadania

Comentários

Anuncie Aqui

Alcance milhares de leitores

Imagem do avatar

Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

Ver mais matérias