O dia em que o San Lorenzo expulsou o Papa
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Futebol e religião andam lado a lado. Por vezes, se misturam. Nos últimos anos, nenhum clube esteve tão próximo a uma doutrina como o San Lorenzo. O time argentino virou o time do Papa, mas a relação começou muito antes.
De Mario Jorge Bergoglio a Francisco, houve algo que jamais mudou: o amor pelo Ciclón. Nascido e criado no bairro de Flores, em Buenos Aires, o pontífice herdou de família a paixão pelo San Lorenzo. Com apenas dez anos, o Mario Jorge acompanhou na arquibancada todos os jogos do bicampeonato argentino do San Lorenzo em 1946.
Meio século depois, Bergoglio deixou de ser mais um torcedor fanático pelo Ciclón para se tornar uma presença ilustre nos bastidores do clube. Bispo auxiliar da capital argentina, o pontífice foi chamado pelo presidente do San Lorenzo para benzer os jogadores e tentar afastar a má fase do time.
Além de recorrer à religião, o San Lorenzo também buscou o veterano Alfio “Coco” Basile, bicampeão da Copa América em 1991 e 1993 com a Argentina, para comandar o time na sequência da temporada.
A presença da autoridade religiosa, no entanto, incomodou o técnico. Logo na sua estreia, Basile questionou ao presidente sobre o livre acesso de Bergoglio ao vestiário antes da partida. Ao ser informado sobre a situação habitual, o técnico proibiu o retorno do bispo, expulsando-o do vestiário do clube.
“Por que foram me buscar, então? Eu fui contratado justamente porque o San Lorenzo não ganha de ninguém. Pode mandar embora esse azarado”, relembrou Basile em entrevista recente.
Apesar do trabalho do técnico resultar em uma recuperação com uma boa campanha na temporada, a figura da autoridade religiosa em nada pode ser associada ao azar no que se refere ao Ciclón.
Após se tornar o Papa Francisco, a relação entre o líder religioso e o clube ganhou destaque mundial. No ano seguinte ao “torcedor” assumir o cargo mais importante da Igreja Católica, o San Lorenzo deixou a fila de títulos e conquistou a Copa Libertadores pela primeira vez em sua história.
Durante a viagem ao Mundial de Clubes, em 2014, a comitiva do clube argentino desembarcou no Vaticano para visitar o Papa e apresentar a taça mais importante da história do Ciclón.
Apesar do falecimento do Papa Francisco nesta segunda-feira, a história entre San Lorenzo e o pontífice ainda deverá ter um capítulo final. Segundo o presidente do Ciclón, Fernando Moretti, em seu último contato com Francisco, o clube recebeu a autorização para homenagear a figura religiosa com o nome do novo estádio.
“Nunca foi mais um e sempre foi um dos nossos. Cuervo desde criança e homem. Cuervo como sacerdote e cardeal. Cuervo também como Papa!”
Fonte: Ogol
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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