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Aposentada nem atende à ligação desconhecida, mas acabou vítima do golpe no INSS

28/04/2025 às 14:57
3 min de leitura

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Entidades cobraram bilhões e operação federal expôs esquema de luxo.

Mesmo evitando atender ligações de números desconhecidos, a aposentada Aparecida Marques, de 69 anos, acabou vítima de um golpe que veio direto do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). A fraude ocorreu por meio de acordos do órgão com entidades associativas que aplicam descontos diretamente na folha de pagamento.

“Minha filha que me avisou e veio perguntar se eu tinha autorizado algum desconto. Respondi que não. Fomos ao banco ver se era algum seguro”, contou Aparecida, que mora em Campo Grande. Os descontos, de R$ 45 e R$ 50 por mês, afetaram os dois benefícios dela, que somam cerca de R$ 2 mil.

Cleonice Marques, filha da aposentada, destacou que a mãe depende da aposentadoria e da pensão para viver. “É o dinheiro para pagar luz, aluguel e remédios. Faz muita diferença”, afirmou. Aparecida já cobra o ressarcimento na Justiça. Apenas o desconto de R$ 45, iniciado em outubro de 2023, já acumula cerca de R$ 900.

Situação semelhante vive o aposentado Alício Benitez, de 61 anos, que mora em Miranda. Ele só percebeu os descontos no extrato muito tempo depois. “Faz tempo que vem sendo descontado. Nunca assinei nada”, relatou. O prejuízo dele já chega a R$ 990.

Outro caso é o de Hélio Guilherme Santana, de 64 anos, que descobriu estar vinculado a um sindicato desconhecido. Ele teria que pagar R$ 38 por 84 meses.

De acordo com a advogada Lorenna Silva de Oliveira, que representa cerca de 150 ações contra essas entidades, os valores cobrados variam de R$ 15 a R$ 70 mensais. “É alto para quem ganha um salário mínimo. Virou uma farra sem precedentes”, declarou.

A maioria dos aposentados e pensionistas afetados sequer autorizou a adesão. Em tese, eles teriam direito a serviços como auxílio funeral e descontos em farmácias, mas na prática, nem receberam o cartão de acesso.

A operação “Sem Desconto”, da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU), suspendeu essas cobranças em todo o Brasil. As associações investigadas, muitas com sede em São Paulo e Minas Gerais, arrecadaram R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.

Durante a operação, a PF apreendeu bens de luxo, como Porsche Taycan, Ferrari, Rolls-Royce, motocicletas BMW e Triumph, além de uma coleção de 24 relógios em Curitiba e malas de dinheiro em São Paulo. Em Campo Grande, também houve cumprimento de mandado.

O INSS informou que irá devolver automaticamente os descontos não autorizados lançados na folha de abril na próxima folha de pagamento, em maio. Já as cobranças anteriores a abril serão analisadas por um grupo da AGU (Advocacia Geral da União).

Porém, a promessa de devolução abriu espaço para novos golpes. Criminosos estão enviando links falsos por e-mail e aplicativos de mensagens. A orientação é clara: o INSS não liga nem solicita dados pessoais por telefone.

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André Vilela

Formado em Comunicação Social, atua no jornalismo digital com foco na agilidade e precisão da informação. Cobre o cotidiano das cidades sul-mato-grossenses, trazendo os fatos assim que eles acontecem. Apaixonado por tecnologia e novas mídias.

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