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Há 25 anos, mãe cria filha com condição rara e mostra que o amor vence qualquer diagnóstico

11/05/2025 às 07:03
3 min de leitura

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Há 25 anos, mãe cria filha com condição rara e mostra que o amor vence qualquer diagnóstico

Aos 56 anos, Marinalva Pereira carrega consigo uma história de superação que começa ainda na infância, marcada por perdas e dificuldades, mas que ganhou um novo significado com o nascimento da filha caçula, Ana Vitória.

Hoje com 25 anos, a jovem, que nasceu em Campo Grande, possui uma condição rara chamada hidranencefalia, na qual os hemisférios cerebrais estão ausentes e são substituídos por líquido cefalorraquidiano.

Foto: Arquivo pessoal / Marinalva Pereira

Marinalva não teve dúvidas ao decidir seguir com a gestação, mesmo após os médicos sugerirem a interrupção.

“Eu não aceitei. Eu falei: ‘não, eu não vou matar minha filha’… Se ela tiver que nascer e ir a óbito, ela vai nascer e ir a óbito. Não somos nós que vamos interromper a vida dela”, relembra.

Durante o pré-natal, aos quatro meses de gestação, veio o diagnóstico.

O médico foi claro: não havia chances de vida. Mas contra todos os prognósticos, Ana Vitória nasceu, chorou ao vir ao mundo e não precisou de oxigênio.

“Ela nasceu e chorou. Isso já foi um bom sinal. No outro dia, o pediatra me disse que ela não tinha os globos oculares. Eu respondi: [ela não tem, mas eu tenho, os irmãos dela têm, o pai dela tem. A gente olha por ela]”, disse com firmeza.

Desde então, a rotina da família gira em torno de cuidados e muito amor. Ana Vitória cresceu, frequentou escola pública, teve festa de debutante e formatura do nono ano.

“Ela dançou a valsa, tudo muito lindo. A gente procura viver um dia de cada vez, porque tudo que eles precisam é do nosso amor. O amor é a chave de tudo”, afirma a mãe.

Com limitações físicas, Ana Vitória depende de cuidados constantes.

Marinalva, funcionária pública, leva a filha ao trabalho todos os dias a pé e mantém a rotina entre tarefas domésticas e os atendimentos que a jovem necessita.

Quando precisa levá-la ao médico, usa o transporte coletivo, já que não possui carro. Além disso, o acesso aos direitos não é simples.

“O eletroencefalograma da Ana está na fila há três anos. A fralda é eu que compro, o leite em pó também. O suplemento ficou dois anos em falta na rede pública, voltou e cortou de novo. Está sem novamente”, detalha.

Em 2023, ela enfrentou dificuldades para conseguir autorização para levar Ana ao local de trabalho.

“Sobre a liberação da Ana trabalhar comigo no local, eu tive um pouquinho de dificuldade. Precisei recorrer, foi a primeira escola que eu tive uma dificuldade para trazer a Ana comigo. Mas no final deu tudo certo. Eu procurei a Procuradoria Geral do Município. Antes da Procuradoria Geral, eu fui na Defensoria Pública, fui na Promotoria, não consegui. Aí, para eu não perder meu concurso, eu recorri à Procuradoria Geral. E lá, o advogado conseguiu com que fosse autorizado, está documentado, tudo certinho”, conta.

Foto: Clara Medeiros/Dourados News

Apesar das dificuldades, Marinalva segue com fé e gratidão. Ela já recebeu ajuda do Lions Clubs e de profissionais como a dentista Márcia Silveira, que atende Ana Vitória sem cobrar, além da equipe da Unidade de Saúde do Parque do Lago II.

Na trajetória da filha, o apoio da comunidade escolar também teve papel fundamental.

Com campanhas solidárias conhecidas como “Caderninho Ouro”, escolas arrecadaram fundos para comprar cadeira de rodas, banheira especial, multiprocessador de alimentos e outros itens essenciais.

Foto: Arquivo pessoal / Marinalva Pereira

“Na Escola Arthur Campos Mello foi feita a campanha para comprar a primeira cadeira de rodas dela. Depois, na Escola Weimar Gonçalves Torres, arrecadaram para comprar banheira especial e mais itens que ela precisava”, conta.

Hoje, Marinalva olha para trás com orgulho da trajetória construída.

“Quando ela estava com cinco anos, levei ela a Campo Grande para mostrar ao médico que sugeriu a interrupção. Ele não estava, mas a equipe ficou impressionada. Disseram que a ciência não sabe onde ela desenvolveu essa parte da inteligência, porque nas tomografias só aparece líquido. Mas eu sei. Foi Deus”, afirma emocionada.

Para essa mãe, que enfrentou as condições mais do que enfrentar uma condição rara, o maior desafio tem sido garantir dignidade, direitos e, principalmente, amor à filha.

“A Ana é o meu amor. A vida é para ser vivida. Não é para a gente se trancar em casa. O mundo precisa ver. O amor move tudo. E eu sigo, de cabeça erguida”, finaliza.

DOE AMOR – Neste Dia das Mães, você pode fazer a diferença na vida de Marinalva Pereira, uma mãe guerreira que há 25 anos dedica sua vida aos cuidados da filha Ana Vitória, que possui uma condição rara.

Toda ajuda é bem-vinda, seja com fraldas, leite em pó, suplementos ou doações financeiras.

Para contribuir ou saber mais, entre em contato diretamente pelo telefone (67) 99848-3759. Neste domingo especial, transforme o amor em ação. Doe com o coração.

Fonte: Dourados News

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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