Como Ancelotti pode solucionar os problemas do Brasil?
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Carlo Ancelotti é o novo técnico da seleção brasileira. Pela primeira vez em seis décadas, o Brasil terá um comandante estrangeiro. Depois de anos de defasagem tática, a seleção brasileira aposta em um italiano com carreira recheada de troféus na busca pelo hexa. E como Ancelotti pode armar a seleção?
Essa é a grande pergunta do momento, e a resposta, 100%, só teremos quando a seleção entrar em campo mês que vem. Mas dá para termos uma ideia se olharmos para o repertório tático de Ancelotti ao longo da carreira.
Foi na Juventus que Ancelotti usou pela primeira vez o esquema que marcou sua carreira: o 4-4-2 losango. Zinedine Zidane jogou atrás da dupla de ataque, mas por vezes o time formou um 4-3-2-1, com Del Piero também ao lado do francês.
O 4-4-2 losango foi a grande plataforma tática de Ancelotti em um de seus trabalhos mais vitorioso: o Milan campeão da Liga dos Campeões em 2007, de novo com uma variação para o 4-3-2-1, a depender da função de Kaká.
Altos e baixos no Real
A partir do Chelsea, Ancelotti passou a adotar o 4-3-3, esquema com o qual foi campeão da Europa com o Real, com o Triângulo das Bermudas no meio (Kroos, Modric e Casemiro) e o ataque BBC (Bale, Benzema e Cristiano).
Depois de ser campeão com o Bayern em 4-2-3-1, com Müller atrás de Robert Lewandowski, Ancelotti voltou ao Real para ser campeão de novo da Europa. Em 4-4-2 losango, com Vini e Rodrygo na frente e Bellingham atrás deles. Laterais bem ofensivos, com ataque a profundidade pelos corredores laterais. Bellingham às vezes como falso 9.
Ancelotti é adepto do jogo funcional, com constantes trocas de posição. Por isso, Rodrygo, Vinícius e Bellingham funcionaram tão bem. O que não se pode dizer da versão 2025 desta equipe, com a chegada de Mbappé.
Faltou, é verdade, Kroos para verticalizar o jogo. No time campeão europeu em cima do Liverpool, Toni Kroos era fundamental pra essa saída rápida de trás, recuando para receber a bola e logo acelerar a jogada, com os atacantes buscando as costas da defesa.
Sem Kroos, não houve essa saída rápida de trás. O time se tornou mais previsível com a bola. Na atual temporada, o esquema variou entre 4-2-3-1 ou 4-3-3, com Vinícius e Rodrygo abertos e Mbappé pelo meio. Com Mbappé, Bellingham teve menos espaço para atacar a área.
Os melhores momentos do time foi com um 3-2-2-3 na fase ofensiva, com Rodrygo e Vinícius atrás de Mbappé na frente e laterais dando amplitude. Mas a ausência de Carvajal também faz a qualidade cair pela direita.
E na seleção?
Passeamos pela carreira de Carlo Ancelotti para tentar contextualizar o repertório tático do italiano e, assim, esboçar uma estratégia para a seleção brasileira. Dentro do elenco atual da seleção, o 4-4-2 losango, que nos deu as últimas alegrias em Copa, pode voltar a ser o esqueleto tático.
Partimos do seguinte princípio: não temos um camisa 9 incontestável, como Ancelotti não teve com a saída de Benzema do Real. Vini e Rodrygo já formaram dupla de ataque em Madri, têm boa dinâmica e já mostraram que podem funcionar dessa forma.
O camisa 10 atrás deles é a grande dúvida. Será que Neymar, um dia, consegue performar de novo um futebol digno de seleção? Paquetá não sabe nem se continuará a carreira na próxima temporada. Precisamos pensar em opções…
Nessa formação, voltemos ao 3-2-2-3 na fase ofensiva: quem serão os homens para atacar a profundidade, como Carvajal e Mendy fizeram bem pelo Real? Hoje, Wesley e Arana têm essa característica e podem crescer nessa estrutura.
O 4-4-2 de Ancelotti é dinâmico, vertical, mas também controla o jogo por dentro, como controlava o Triângulo das Bermudas. Um dos representantes dessa trinca é brasileiro, e voltou a performar bem… Ancelotti trará Casemiro de volta para a seleção?
Sei que ficaram mais interrogações que respostas. Mês que vem, começaremos a ter mais clareza sobre o esboço tático. Enquanto o Brasil não volta à campo pelas Eliminatórias, com novo técnico, deixo um esboço do que poderá ser a seleção com o italiano. Ou não…
Fonte: Ogol
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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